(c) 2023 am|dev

(A) :: Operação Lúmen. Quatro detidos em esquema criminoso ligado às iluminações de Natal

Operação Lúmen. Quatro detidos em esquema criminoso ligado às iluminações de Natal

Os detidos são suspeitos dos crimes de “corrupção ativa e passiva, participação económica em negócio, abuso de poder e associação criminosa" no fornecimento e instalação de iluminações de Natal.

Cátia Rocha
text
Miguel Pereira Santos
text
João Paulo Godinho
text
Agência Lusa
text

A Polícia Judiciária (PJ) deteve quatro pessoas para interrogatório esta terça-feira no âmbito de uma operação policial Lúmen, focada em suspeitas de corrupção nos contratos para as iluminações de Natal assinados com algumas autarquias.

O secretário-geral da Câmara de Lisboa, Alberto Laplaine Guimarães, e a presidente da Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa, Carla Salsinha, são dois dos detidos. Ao que o Observador apurou, Jorge Castro, administrador executivo da empresa Castros Iluminações Festivas, e o funcionário Fernando Rodrigues foram também detidos pela PJ.

Em comunicado, a PJ explica que estas quatro pessoas são suspeitas dos crimes de “corrupção ativa e passiva, participação económica em negócio, abuso de poder e associação criminosa, relacionados com o fornecimento e instalação de iluminações festivas”. Segundo Expresso e Correio da Manhã, foram efetuadas buscas em 10 autarquias por todo o país: Lisboa, Figueira da Foz, Maia, Trofa, Lamego, Ovar, Viseu, Tavira, Póvoa de Varzim e Santa Maria da Feira.

A operação Lúmen fez 26 buscas domiciliárias e não domiciliárias, em várias zonas do país, “em entidades e empresas públicas e privadas”. A PJ refere que as diligências revelaram “a existência de um esquema criminoso, de carácter organizado e sistémico, tendente à viciação de procedimentos de contratação pública”.

“Mediante a obtenção ilegal de informação privilegiada a troco de contrapartidas de cariz financeiro atribuídas a elementos de entidades adjudicantes, em subversão das regras da transparência, igualdade e concorrência do mercado, eram garantidas adjudicações à empresa visada em valores que ascendem a 8 milhões de euros.”

Participaram nas diligências um magistrado judicial, um magistrado do DIAP Regional do Porto, 120 investigadores criminais e ainda peritos informáticos, peritos financeiros e seguranças de diversas unidades da Polícia Judiciária. O inquérito é titulado pelo DIAP Regional do Porto. Os detidos vão ser presentes a um primeiro interrogatório judicial e à aplicação de medidas de coação no Tribunal de Instrução Criminal do Porto.

Moedas garante “colaboração total com a Justiça”

Carlos Moedas garantiu “colaboração total com a Justiça” por parte da Câmara de Lisboa (CML), numa primeira reação à Operação Lúmen. “A informação que tive vi na CMTV, não tenho mais informação que isso”, assegurou o presidente da Câmara.

Sobre Laplaine Guimarães, Moedas lembrou que é militante do CDS e “está há muitos anos” na autarquia. “É da parte técnica da Câmara, portanto, não há aqui nenhuma escolha política.” O autarca confirmou ainda que foram feitas buscas nas instalações da secretaria-geral da CML, localizada na Rua Nova do Almada, em Lisboa, na qual foram apreendidos “documentos, computadores e tudo isso”.

Por fim, distanciou-se dos motivos que terão levado às quatro detenções que a PJ realizou esta manhã: contratos públicos para adquirir serviços de iluminação de Natal. “Nem sequer é a Câmara Municipal que faz esta contratação”, sublinhou. Carlos Moedas explicou que a Câmara delega numa associação, a União de Associações de Comércio e Serviços (UACS), a contratação deste serviço e sublinhou que o valor dos contratos, durante a sua liderança da autarquia, se manteve constante. Uma das detidas, Carla Salsinha, é a presidente da UACS.

Câmaras de Viseu e de Santa Maria da Feira confirmam que foram alvo de buscas

A Câmara de Viseu e a Câmara de Santa Maria da Feira confirmaram que foram alvo de buscas.

A Câmara de Viseu diz que foi “alvo de um mandado de busca e apreensão” no âmbito da operação “Lúmen” da Polícia Judiciária, que visou a empresa Castros Iluminações Festivas, de Gaia, confirmou à agência Lusa fonte da autarquia.

A mesma fonte garantiu que a Câmara de Viseu “está a colaborar totalmente, desde o primeiro momento, com os agentes da Polícia Judiciária (PJ)”.

Segundo fonte judicial, decorreram buscas em dez municípios: Lisboa, Tavira, Lamego, Maia, Figueira da Foz, Viseu, Trofa, Póvoa de Varzim, Ovar e Santa Maria da Feira.

Contactada pela Lusa, a empresa de iluminações escusou-se a prestar declarações.

Já a Câmara de Santa Maria da Feira, no distrito de Aveiro, referiu que recebeu uma equipa de inspetores da PJ, no âmbito de uma operação a nível nacional que decorreu, em simultâneo, em vários municípios.

A mesma fonte assegurou que foi facultado o acesso à informação solicitada, adiantando que o município “encontra-se totalmente disponível para colaborar com as autoridades, prestando todos os esclarecimentos que venham a ser considerados necessários”.

(Atualizada às 16h28)