A Feira do Livro de Leipzig, considerada um dos eventos literários mais importantes do mundo, conta, a partir de quinta-feira, com dois novos participantes, uma maratona e uma polémica política.
O evento, que reúne autores, editoras, tradutores, jornalistas e leitores para apresentar novidades editoriais e discutir tendências do mercado do livro, tem expositores de 54 países, com a estreia do Congo e dos Emirados Árabes Unidos.
Na edição de 2026, são esperados mais de dois mil expositores e cerca de 300 mil visitantes, com leituras, debates, sessões de autógrafos e entrega de prémios, além do festival de leitura “Leipzig Liest” com cerca de três mil eventos em centenas de locais da cidade.
Ao contrário dos anos anteriores, não haverá um país convidado. Em vez disso, a região do Danúbio foi escolhida como tema central. Sob o lema “Sob tensão e entre mundos”, estão previstas 24 apresentações de livros, conversas e debates em painel.
Segundo a diretora Astrid Böhmisch, no futuro a feira continuará a escolher temas centrais, apresentando-os alternadamente com a participação de países convidados.
Cada uma das 627 páginas do romance bestseller “Unterleuten”, publicado há dez anos por Juli Zeh, deverá ser lida em voz alta numa maratona de leitura de 18 horas. Participarão cidadãos, políticos, a diretora da Feira do Livro e a própria Zeh. A leitura será transmitida em streaming, permitindo que também seja acompanhada à distância, a partir de casa.
“Unterleuten”, que em tradução livre significa algo como “entre as pessoas”, aborda conflitos numa aldeia de Brandemburgo, perto de Berlim, décadas após a reunificação alemã.
Este ano há também uma polémica protagonizada pelo ministro da Cultura, Wolfram Weimer (independente). Mandou retirar três livrarias de esquerda da lista de nomeações para o Prémio Alemão das Livrarias, e depois acabou por cancelar completamente a cerimónia de entrega do prémio, que estava prevista para a feira.
Até agora, foi anunciada uma manifestação antes da cerimónia oficial de abertura, na noite de quarta-feira.
A abertura, no dia 19 de março, vai ser protagonizada por Miljenko Jergovic, vencedor do Prémio do Livro de Leipzig para o Entendimento Europeu 2026, que conversará com a oradora Barbi Markovic sobre a sua obra.
Além das novidades, com a presença pela primeira vez do Congo e dos Emirados Árabes, e com o regresso do Chile, depois de uma pausa prolongada, Portugal também merece destaque na página oficial da feira.
“Portugal volta a trazer a autora consagrada Lídia Jorge a Leipzig, que abordará a questão de saber se mudanças radicais inspiram ou dificultam a criação literária”, pode ler-se.
Após a participação na Feira do Livro de Leipzig a escritora portuguesa irá estar em digressão pela Alemanha para apresentação de “Erbarmen” (Misericórdia), a sua mais recente obra traduzida para alemão, e uma das suas mais premiadas obras, numa conversa com o tradutor Steven Uhly e o editor Christian Ruzicska (Secession Verlag).
Lídia Jorge terá sessões em Berlim, a 31 de março e 01 de abril, Munique a 02 de abril, Frankfurt a 3 de abril, Colónia a 4 de abril e Düsseldorf a 7 de abril.
Outros três autores portugueses também participam na Feira do Livro de Leipzig, de acordo com o anúncio já feito em fevereiro pela Direção Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB): Alice Brito, que edita na Alemanha o seu romance “As mulheres da Fonte Nova”, Carla Pais, vencedora do prémio Leya 2025, com o romance “A sombra das árvores no inverno”, e Francisco Mota Saraiva, o mais recente vencedor do Prémio José Saramago, com o romance “Morramos ao menos no Porto”.
Segundo a DGLAB, está também prevista uma sessão dedicada à escritora Yvette K. Centeno, conduzida pelo seu tradutor, e a exibição de uma parte do documentário “Quem é Yvette K. Centeno?” .
O pintor Júlio Pomar será evocado, a propósito do seu centenário, numa sessão que tem por objetivo divulgar uma vertente menos conhecida do seu trabalho artístico: O músico e cantor português residente em Berlim Pedro Matos interpretará algumas das composições poéticas de Pomar em fado.
A completar a programação portuguesa deste ano, haverá uma sessão inteiramente dedicada a poetas traduzidos para alemão, enquanto a revista literária Metamorphosen, integralmente dedicada a autores de língua portuguesa, estará em destaque numa outra sessão.
A programação da Feira do Livro de Leipzig inclui ainda a apresentação de traduções de obras de autores portugueses recentemente publicadas em língua alemã, como é o caso de “O Senhor Eliot”, de Gonçalo M. Tavares, com a presença do tradutor e do editor.
À semelhança dos últimos anos, Portugal tem um pavilhão com 60 m2, no qual o público pode assistir às várias sessões.
A TFM, livraria portuguesa com sede em Frankfurt, está presente no stand e assegura a venda de livros de autores portugueses e de autores africanos de língua portuguesa, traduzidos em alemão e também em versão original.
Portugal tem estado representado nesta feira desde 2016, por iniciativa das instituições representadas no Grupo de Trabalho Interministerial para as Feiras Internacionais do Livro — Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, DGLAB, Turismo de Portugal e Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal — e da Embaixada de Portugal/Centro Cultural em Berlim.
A Feira do Livro de Leipzig abre portas de 19 a 22 de março.