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O primeiro-ministro belga foi criticado pelos parceiros de coligação e aliados europeus por apelar à normalização das relações com a Rússia em parte para assegurar o acesso a energia barata.
“O conflito deve ter um fim pelo interesse da Europa. Sem sermos ingénuos sobre Putin. Isso é um erro que não devemos cometer novamente. Temos de nos rearmar e remilitarizar a fronteira. E, ao mesmo tempo, temos de normalizar as relações com a Rússia e retomar o acesso a energia barata“, disse Bart De Wever em entrevista ao L’Echo. “É uma questão de senso comum. Em privado os líderes europeus dizem-me que tenho razão, mas ninguém se atreve a dizê-lo em voz alta”, acrescentou.
O ministro dos Negócios Estrangeiros e vice-primeiro-ministro belga foi rápido a distanciar-se dos comentários de De Wever. Em declarações à imprensa sueca notou que procurar o diálogo e uma solução diplomática com Moscovo não é o mesmo que a normalização das relações.
“A Rússia recusa a participação europeia na mesa de negociações, está a agarrar-se a exigências maximalistas. Enquanto isto durar, falar da normalização será percecionado com um sinal de fraqueza que vai minar a unidade europeia”, disse Maxime Prévot, que é de um partido de centro que pertence à coligação de De Wever. Aliviar a pressão sobre a Rússia seria “dar a Putin exatamente o que ele quer”, acrescentou.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Lituânia também comentou as palavras de De Wever, lembrando que mesmo antes da invasão em larga escala da Ucrânia Moscovo fez ultimatos à NATO sobre a retirada de tropas no leste da Europa. “Sabemos quais são as exigências deles desde 2021. E isso não está relacionado apenas com a Ucrânia, mas também connosco”, avisou.
Questionada sobre as vozes que pedem a compra de energia russa barata, a ministra da Energia sueca disse num primeiro momento à imprensa que esse “não é o caminho a seguir”. “A Rússia está a massacrar inocentes na Ucrânia todas as semanas. Não vamos comprar gás da Rússia. Não vamos alimentar a máquina de guerra russa”, disse também à Bloomberg Ebba Busch. Alertou que se a União Europeia rever a decisão de se afastar da dependência russa vai “perder completamente” a sua bússola moral.
Já o comissário de Energia europeu disse apenas que a UE esteve durante muito tempo dependente da energia russa, permitindo ao Presidente Vladimir Putin chantagear os países europeus. “Estamos determinados em permanecer no rumo certo nestas questões”, assegurou Dan Jorgensen em Bruxelas.