Quando pensamos no futuro dos nossos filhos, pensamos quase sempre em estabilidade, educação e oportunidades. Planeamos, poupamos e tomamos decisões com a ambição de lhes proporcionar uma vida segura e cheia de possibilidades. No entanto, raramente paramos para refletir sobre uma pergunta igualmente importante: estaremos presentes, com saúde e preparados para acompanhar esse percurso ao longo dos anos?
Em Portugal, a esperança média de vida ronda os 82,7 anos, mas esta média esconde uma diferença significativa entre homens e mulheres. De acordo com dados internacionais sobre o estado da saúde no país, os homens vivem, em média, cerca de cinco a seis anos menos do que as mulheres. Mais do que a longevidade, importa olhar para a qualidade desses anos, estima-se que os homens portugueses vivam cerca de 60,8 anos em boa saúde, abaixo da média da União Europeia, que se situa nos 63,5 anos.
Esta diferença não se explica apenas por fatores biológicos. Está também associada à forma como os homens se relacionam com os cuidados de saúde. Diversos estudos indicam que recorrem menos a consultas de rotina e a exames preventivos, procurando ajuda médica sobretudo quando os sintomas já estão instalados. Ao mesmo tempo, tendem a avaliar o seu próprio estado de saúde de forma mais positiva do que as mulheres: cerca de 55% dos homens consideram a sua saúde boa ou muito boa, enquanto entre as mulheres esse valor ronda os 47%. Este fenómeno tem sido descrito como um “otimismo infundado”, que pode levar a uma menor perceção do risco e, consequentemente, a uma menor atenção à prevenção.
As consequências refletem-se também nas principais causas de doença. As doenças cardiovasculares continuam a representar cerca de 25% das mortes em Portugal, seguidas pelas doenças oncológicas, muitas vezes associadas a fatores de risco que podem ser prevenidos ou acompanhados mais cedo, como sedentarismo, excesso de peso, consumo de álcool ou tabaco.
É neste contexto que a década dos 40 assume uma importância particular. Para muitos homens, esta é uma fase marcada por uma grande intensidade profissional e familiar. É também o momento em que muitos pais acompanham o crescimento dos filhos, conciliando exigências profissionais com a vida familiar. No entanto, é precisamente nesta fase que começam a surgir mudanças naturais no organismo, alterações metabólicas, hormonais ou nos níveis de energia, que muitas vezes são desvalorizadas ou atribuídas apenas ao ritmo acelerado do dia a dia.
Cuidar da saúde nesta fase da vida não significa antecipar problemas. Significa, antes de mais, preparar o futuro. Tal como acontece com qualquer investimento de longo prazo, os resultados constroem-se ao longo do tempo, através de acompanhamento médico regular, atenção aos fatores de risco, prática de atividade física, alimentação equilibrada e hábitos de vida saudáveis.
Mais do que uma decisão individual, esta é também uma escolha que tem impacto na família. Muitos pais desejam acompanhar o crescimento dos filhos, partilhar conquistas e continuar presentes nas diferentes etapas da vida. Para que isso seja possível, não basta viver mais anos, é fundamental viver esses anos com qualidade, autonomia e bem-estar.
Talvez por isso o Dia do Pai possa ser também um convite à reflexão. Cuidar da saúde não deve ser visto apenas como uma resposta a um problema, mas como uma forma de garantir que estaremos presentes para aquilo que realmente importa.