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(A) :: Ventura acusa PS de bloquear eleições para órgãos externos da Assembleia da República

Ventura acusa PS de bloquear eleições para órgãos externos da Assembleia da República

Ventura afirma que tem havido "um esforço" do PSD e do Chega para chegar a um consenso e acusa o PS de ser o único culpado e responsável "por aquilo que temos neste momento dos órgãos da Assembleia".

Agência Lusa
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O líder do Chega, André Ventura, acusou esta segunda-feira o PS de bloquear as eleições para os órgãos externos da Assembleia da República e de recusar que o seu partido indique um nome para o Tribunal Constitucional.

“O PS está a bloquear, e é por culpa e única responsabilidade do PS aquilo que temos neste momento dos órgãos da Assembleia da República”, afirmou o presidente do Chega numa declaração sem direito a perguntas na sede do partido, em Lisboa, depois de conhecido o pedido do PS para adiar mais uma vez as eleições para o provedor de Justiça, três juízes do Tribunal Constitucional e cinco elementos do Conselho de Estado, entre outras.

André Ventura afirmou que tem havido “um esforço” do PSD e do seu partido para chegar a um entendimento, mas o PS “a continua a recusar que o Chega esteja representado em órgãos de decisão fundamentais ou mesmo a participar em listas juntamente com o Chega onde elas não sejam legalmente exigíveis”.

“A informação que tenho, no momento, é de que o Partido Socialista rejeita a proposta para que o Chega possa integrar, por exemplo, o Tribunal Constitucional ou até de participar na lista conjunta que fizemos há dois anos atrás para integrar o Conselho de Estado”, precisou.

O presidente do Chega considerou que o PS “quer ignorar que dois terços do eleitorado votaram no centro-direita e na direita” e quer “amarrar as instituições à sua própria presença e ao seu próprio domínio”.

“O PS quer continuar a manter-nos na mesma paralisia de instituições porque sabe que neste momento não tem representatividade para as poder preencher. Não faz nenhum sentido que um órgão como o Tribunal Constitucional, que decide sobre leis de imigração, sobre nacionalidade, sobre eutanásia, sobre leis laborais, sobre direitos fundamentais na sua interpretação política e jurídica, não tenha a representatividade política que o país hoje tem”, defendeu.

André Ventura contrapôs que “o PSD cumpriu integralmente a sua palavra” e pediu ao PS que aceite que “já não manda no país, já não manda nas instituições e já não manda, como queria mandar, nos diversos órgãos do Estado”.

O líder do Chega considerou os sucessivos adiamentos da eleição – um dos dos quais pedido pelo partido – representam um “impasse muito embaraçoso para o país”.

O prazo limite para apresentação de candidaturas para os órgãos externos do parlamento, entre os quais o Conselho de Estado, Tribunal Constitucional e Provedor de Justiça, terminava esta segunda-feira e as eleições estavam marcadas para 1 de abril.

O PS pediu um novo adiamento por ainda não ter sido “encontrada uma solução adequada” para o Tribunal Constitucional, defendendo a “representatividade de todos os grupos políticos”.

Além da escolha do Provedor de Justiça, três juízes do Tribunal Constitucional e cinco membros do Conselho de Estado, está também em causa a escolha de membros do Conselho Superior do Ministério Público, do Conselho Económico e Social, Conselho Superior da Magistratura, Conselho de Opinião da RTP, Conselho de Fiscalização do Sistema Integrado de Informação Criminal, Conselho de Segurança Interna e Conselho de Defesa Nacional.

Nesta declaração aos jornalistas, o presidente do Chega disse também não estar satisfeito com os esclarecimentos do Banco de Portugal (BdP) sobre a passagem à reforma do ex-governador e Mário Centeno, a receber pensão completa, e disse que o partido vai insistir na audição do atual governador do banco central no parlamento, anunciada no domingo.

André Ventura referiu que o Chega também vai “pedir a divulgação total do acordo feito com Mário Centeno”, para perceber “que motivações tiveram por detrás”.

O BdP indicou esta segunda-feira que a saída de Centeno foi “acordada entre as partes” e o ex-governador vai deixar o banco central através do regime de aposentação ao abrigo do fundo de pensões existente.

O líder do Chega considerou “um pouco estranho” que “seja um governador do banco a aconselhar ou a recomendar a um ex-governador ou a um funcionário que se reforme” e questionou se Álvaro Santos Pereira quis afastar Mário Centeno porque lhe fazia “sombra”.