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CGTP levou manifestantes ao Ministério do Trabalho, mas não foi à reunião sobre o pacote laboral

À frente do Ministério do Trabalho, Tiago Oliveira garantiu que não é a CGTP que se está a pôr à margem, mas que "está a ser afastada" do processo negocial do pacote laboral.

Marina Ferreira
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Uma hora antes da reunião que voltou a juntar a UGT, o Governo e as confederações patronais à mesa das negociações do pacote laboral, começavam a reunir-se dezenas de trabalhadores sindicalizados da CGTP à frente do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, na Praça de Londres, em Lisboa. De bandeiras em punho e com um palco móvel montado com altifalantes, o cenário estava montado para protestar contra a presumível ausência da central sindical do encontro para discutir o pacote laboral desta segunda-feira.

Tiago Oliveira, secretário-geral da CGTP, apresentou-se com uma delegação às 15h00 da tarde, hora marcada para a reunião, dentro do edifício governamental, como já tinha anunciado na sexta-feira, mas ficou de fora do encontro em que as alterações ao Código do Trabalho voltaram a ser discutidas, depois de na semana passada os patrões terem dado o processo negocial como encerrado.

Sem certezas de que seriam recebidos, os representantes da CGTP aguardaram na sala de espera do edifício governamental enquanto o secretário-geral da UGT , Mário Mourão, e os líderes das confederações patronais chegavam para se reunir com a ministra.

Cerca de cinco minutos depois de ser recebido pelo chefe do gabinete da ministra do Trabalho, e assessor do secretário de Estado do Trabalho, Adriano Rafael Moreira, o secretário-geral da CGTP saiu a queixar-se de ter sido recebido por “assessores”, com os manifestantes a vaiar a forma como a central foi afastada do encontro. “Isto demonstra o perfil, o caráter e o que é este governo”, atirou o dirigente sindical.

“Desde o início que a CGTP tem dito que quer estar presente e que quer defender os direitos dos trabalhadores”, declarou Tiago Oliveira em declarações aos jornalistas. “Não é a CGTP que se está a pôr à margem, está a ser afastada”, assumiu ainda. A justificação dada à CGTP para não poder participar na reunião desta segunda-feira “foi de que a senhora ministra convoca quem quer”, afirmou também o dirigente sindical.

É um governo antidemocrático e que não quer discutir as propostas dos trabalhadores e que está a trilhar o caminho para atingir os seus objetivos”, acusou também Tiago Oliveira. “Nós queremos estar lá e ouvir o que eles têm para dizer e que percebam as propostas de quem trabalha e não aceitamos que se discutam as propostas de quem manda trabalhar”, acrescentou.

O Governo mostrou disponibilidade para se encontrar com a central sindical em momento posterior ao da reunião desta segunda-feira, sem que tenha ficado definida qualquer data para o encontro bilateral. Fonte governamental garante ao Observador que nunca houve nenhuma reunião pedida pela CGTP que tenha sido recusada por Maria do Rosário Palma Ramalho.

O dirigente sindical informou também esta segunda-feira que ainda não há data marcada para a reunião urgente que pediu na semana passada ao Presidente da República, António José Seguro.

José Manuel Pureza marcou presença na manifestação da CGTP para denunciar “ofensa ao mundo sindical”

Filipa Costa, presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), uma das sindicalistas presente no local antes de a delegação da CGTP chegar ao ministério do Trabalho garantia ao Observador que estava presente para protestar “contra a falta de democracia” que o Governo demonstra.

Continua a pôr de parte a CGTP com uma argumentação que já não pega”, referiu ainda. “Estamos aqui para tomar uma posição”, garantia.

A marcar presença na manifestação, José Manuel Pureza, coordenador do Bloco de Esquerda, garantiu que o partido tinha de estar representado “num momento em que há uma ofensa insuportável feita à central sindical que tem maior representatividade no mundo do trabalho”.

Classifica a ausência da central sindical da reunião desta segunda-feira enquanto uma “ofensa ao mundo sindical”. “É uma violação da Constituição em si mesmo este ato”, acrescentou. “Este afastamento da CGTP é prova do autoritarismo do Governo e o Bloco está aqui para manifestar a sua solidariedade”, acusou ainda.

“O primeiro-ministro foi o primeiro a demarcar-se de forma violenta da proposta da UGT e isso demonstra qual é a falta de espírito negocial que o primeiro-ministro tem”, afirmou, dizendo que a ministra do Trabalho e o chefe do Governo “comungam do mesmo autoritarismo”.

Depois de Tiago Oliveira falar ao púlpito do palco móvel, e depois aos jornalistas, as dezenas de manifestantes à porta do Ministério do Trabalho desmobilizaram.