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(A) :: "Avós da Praça de Maio" acusam Milei de negacionismo e de culpar vítimas da ditadura argentina no 50.º aniversário do golpe

"Avós da Praça de Maio" acusam Milei de negacionismo e de culpar vítimas da ditadura argentina no 50.º aniversário do golpe

A 24 de março assinala-se meio século do golpe de 1976. Uma dirigente do movimento veio a Madrid alertar a Europa para o revisionismo do Governo argentino e o desmantelamento dos direitos humanos.

Agência Lusa
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Uma responsável do movimento “Avós da Praça de Maio”, que procura crianças raptadas durante a ditadura militar na Argentina (1976-1983), acusou nesta segunda-feira o Presidente argentino, Javier Milei, de negacionismo e de culpar as vítimas pelo sucedido.

Em declarações à agência de notícias espanhola EFE, a membro do conselho diretivo do movimento, Claudia Poblete, afirmou que Javier Milei está a destruir o consenso democrático e a intimidar os protestos sociais.

“Destruir o consenso sobre o terrorismo de Estado, dizer mal das lutas das organizações de defesa dos direitos humanos e culpar as vítimas pelo sucedido faz parte de um esforço para intimidar os protestos sociais”, disse a representante.

Claudia Poblete Hlaczik, neta de uma criança que teve a sua identidade trocada e roubada durante o período da ditadura e figura importante do “Avós da Praça de Maio”, esteve nesta segunda-feira em Madrid, onde, em conjunto com Berlim e Bruxelas, pretende chamar a atenção para o 50º aniversário do golpe de Estado de 1976 na Argentina, que se assinala no dia 24.

A convite da Fundação Heinrich Böll, da Alemanha, a visita pretende também sensibilizar para a situação atual na Argentina e garantir a sobrevivência da organização “Avós da Praça de Maio”.

“Há um apoio social ao consenso democrático em torno dos valores da memória, da verdade e da justiça”, mas, ao mesmo tempo, “um discurso de revisionismo e negacionismo está a ser gerado pelo próprio Governo e por alguns órgãos de comunicação social”, sublinhou.

Durante um debate presidencial em 2023, Milei questionou o número de 30 mil desaparecidos durante a ditadura e afirmou que na década de 1970 “houve uma guerra” em que as forças estatais “cometeram excessos”.

A 24 de março de 2024, Dia Nacional da Lembrança na Argentina, o Governo divulgou um vídeo que procurava equiparar as ações da guerrilha aos crimes de terrorismo de Estado e em maio do ano passado transformou a secretaria dos Direitos Humanos em subsecretaria, desmantelando as suas estruturas e demitindo a maioria do pessoal técnico.

Questionada sobre a possibilidade de uma reação social a potenciais retrocessos na área da justiça, Poblete reconheceu que o contexto económico é um obstáculo decisivo.

“As pessoas estão sujeitas a medidas de austeridade brutais e preocupadas com a sua própria sobrevivência. A pressão para sobreviver é muito maior do que qualquer outra coisa que se possa imaginar”, admitiu, sublinhando existir também um desânimo e uma desilusão generalizados que afetam a capacidade de sair à rua.

Meio século depois do início da ditadura, Poblete referiu que envolver os jovens nascidos em democracia é “o desafio” e uma “tarefa fundamental“.

“Acredito que existe uma geração maravilhosa de jovens na Argentina, muito organizada, solidária e sempre presente, uns para os outros. Apelamos a que se continue a fortalecer estes laços”, concluiu.