O Partido Popular (PP) venceu este domingo as eleições regionais na comunidade autónoma de Castela e Leão, reforçando a sua posição de poder na maior região espanhola, que governa desde a década de 1980.
Com 35,47% dos votos, o PP conseguiu eleger 33 deputados no parlamento regional, mais dois do que nas últimas eleições, realizadas em 2022 — embora continue longe dos 42 que lhe dariam a maioria absoluta.
O PSOE também cresceu, consolidando-se como a segunda força política da região, com 30,74% dos votos e 30 deputados.
Já o Vox, que se especulava que pudesse crescer consideravelmente nestas eleições, acabou por ter uma subida relativamente tímida. Com 18,92% dos votos, o partido de extrema-direita elegeu 14 deputados, apenas mais um do que em 2022.
Como escreve o El País, os resultados desta eleição parecem representar um pequeno retrocesso na tendência que se vinha verificando na região nos últimos anos: o Vox, apesar do ligeiro crescimento, parece ter atingido o seu teto e não conseguiu superar a barreira dos 20% que era o objetivo assumido.
Em contrapartida, com o reforço do PSOE (contrariando uma tendência de queda), o bipartidarismo saiu também reforçado — e não estilhaçado, como se perspetivava que poderia gradualmente acontecer.
Ainda assim, Alfonso Fernández Mañueco, o reeleito presidente da Junta de Castela e Leão, não consegue uma maioria absoluta e precisará, necessariamente, de conversar — e não há dúvidas de que será com o Vox. O bloco de direita (PP e Vox) tem 47 deputados, portanto, consegue a maioria absoluta no parlamento regional.
“Teremos de dialogar, mas já dissemos com quem não vamos fazer acordos. Castela e Leão será um território livre de sanchismo”, frisou Mañueco na noite de domingo, deixando explícito que é com os votos do Vox que o PP vai contar.
Em 2022, depois do impasse de poder em que as eleições regionais deixaram Castela e Leão, aquela foi a primeira comunidade autónoma em que PP e Vox se coligaram para governar. A coligação — ali e noutras comunidades — acabaria em rutura em 2024, na sequência de uma crise entre os dois partidos motivada por discórdias relacionadas com a política migratória.
O Vox pretendia agora crescer e o líder do partido, Santiago Abascal, não escondeu a ambição. Em comícios e arruadas com multidões, Abascal foi assumindo o objetivo que as sondagens pareciam dar como possível: superar a barreira dos 20%, algo que acabou por não acontecer. Na noite de domingo, a sede de campanha do partido de extrema-direita estava, por isso, repleta de rostos fechados, diz a imprensa espanhola.
De acordo com o El País, o PSOE — que, apesar de o parlamento regional continuar nas mãos da direita, teve uma noite de vitória — beneficiou do contexto internacional, concretamente da guerra no Irão, que terá contribuído para congregar os votos de toda a esquerda no partido de Pedro Sánchez, que se tem assumido como um feroz opositor à guerra e a Trump.
Este cenário prejudicou os partidos à esquerda do PSOE, como o Podemos, que perdeu a representação parlamentar.