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Guerra do Irão. O que aconteceu no último dia?

Mais discussões sobre como lidar com a situação no Estreito de Ormuz, incluindo um acordo Irão-Índia. Zelensky acusou a Rússia de enviar drones para o Irão. E EUA e Irão rejeitam negociações para já.

Cátia Bruno
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Ao 16.º dia de guerra, surgem mais notícias de envolvimento de outros países no conflito. Em concreto, a Rússia, que o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusa de estar a enviar drones para o Irão.

Também surgem novidades de outras geografias. A Índia tornou-se o primeiro país a negociar e chegar a acordo com o Irão para conseguir assegurar passagem segura dos seus navios pelo Estreito de Ormuz. Em troca, aceitou libertar três petroleiros iranianos que tinha confiscado ao abrigo de sanções.

Ainda sobre o Estreito de Ormuz, Donald Trump voltou a insistir na necessidade de envolver mais países em operações de escolta. Enquanto a Coreia do Sul disse estar a ponderar, já um conselheiro do partido que está no poder do Japão considerou essa decisão uma “fasquia muito alta”.

O Presidente norte-americano também falou sobre a possibilidade de negociações entre os Estados Unidos e o Irão, dizendo que Teerão as quer, mas que “os termos ainda não são bons os suficiente”. Já o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano negou haver qualquer interesse do país em negociar, prometendo continuar as operações “o tempo que for preciso”.

Nos Estados Unidos, uma nova sondagem confirmou que a maioria dos norte-americanos (53%) estão contra esta guerra. O comentador Tucker Carlson, próximo do universo MAGA, declarou que os eleitores de Donald Trump se sentem “traídos”.

Pode recordar os acontecimentos de sábado aqui.

Estes foram os desenvolvimentos na guerra no Médio Oriente ao longo deste domingo, dia 15 de março:

No Irão

  • As forças norte-americanas e israelitas fizeram mais ataques um pouco por todo o território iraniano, tendo atingido duas bases aéreas em Dezful e Bandar Abbas.
  • EUA e Israel atingiram uma fábrica de produção de mísseis balísticos nos arredores de Teerão.
  • Bases da Guarda Revolucionária e das milícias Basij foram atingidas, incluindo as da Brigada 32.ª Ansar ol Hossein, que deu apoio a Bashar al-Assad durante a guerra da Síria.
  • A coligação EUA-Israel atacou áreas residenciais em Shiraz, no Irão.
  • Um ataque à cidade de Isfahan matou 15 pessoas.
  • Um ataque israelita matou o brigadeiro-general Abdullah Jalali Nasab, figura militar destacada do regime.
  • O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarou que os serviços de informações lhe garantiram com “100% de certezas” que o Irão está a utilizar drones Shahed modificados que foram produzidos na Rússia.
  • A Guarda Revolucionária deixou o aviso de que quaisquer empresas ligadas aos Estados Unidos podem ser alvo de ataques daqui para a frente.
  • Vinte pessoas foram detidas no Irão por acusações de colaborarem com Israel, enviando detalhes sobre localizações de instalações militares.
  • Irão e Índia negociaram e chegaram a um acordo para que navios indianos possam passar pelo Estreito de Ormuz. Em troca, Nova Deli libertou três petroleiros iranianos que tinha confiscado ao abrigo de sanções.
  • Há relatos de que o porta-aviões norte-americano Abraham Lincoln pode ter tido um acidente em alto-mar, mas não há mais detalhes.
  • Os EUA vão enviar mais fuzileiros e marinheiros para a região, possivelmente cinco mil soldados.
  • O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, rejeitou a possibilidade de entrar em negociações. “Nunca pedimos um cessar-fogo e nem sequer uma negociação. Estamos prontos para nos defendermos o tempo que for preciso”, disse.
  • Araghchi também rejeitou os relatos norte-americanos de que o Líder Supremo, Mojtaba Khamenei, estará “desfigurado”, declarando que “não há qualquer problema” com ele.
  • Ao todo, mais de 1.400 pessoas morreram no Irão e quase 20 mil ficaram feridas. O governador de Teerão diz que 10 mil casas foram “danificadas ou completamente destruídas” na capital. O secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth, diz que mais de 15 mil alvos foram atingidos desde o início da guerra.

Em Israel e no Líbano

  • Israel comunicou aos Estados Unidos que está a esgotar o stock de intercetores de mísseis.
  • O Irão recorreu novamente a mísseis de fragmentação em ataques a Israel. Um deles atingiu um prédio em Bnei Brak, ferindo uma pessoa.
  • Um comandante da Guarda Revolucionária diz que o Irão disparou pela primeira vez um míssil balístico Sejjil (um dos mísseis mais sofisticados que existem, com um raio de alcance de dois mil quilómetros), em direção a Israel. Só o tinha feito uma vez durante a Guerra dos 12 Dias.
  • Fontes israelitas estimam que o Irão tenha disparado 400 mísseis balísticos em direção a Israel desde o início da guerra.
  • As IDF anunciaram ter matado um comandante do Hezbollah, Ibrahim Mohammad Ghazali.
  • O Hezbollah disse ter atacado as IDF com munições guiadas anti-tanque, no Líbano, sete vezes — o número mais alto de ataques diretos a forças israelitas em apenas um dia.
  • As autoridades do Líbano dizem que os ataques israelitas a duas vilas mataram pelo menos cinco pessoas, incluindo uma criança.
  • As forças das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) dizem ter sido atacadas por grupos armados “não-estatais”. Não houve feridos a registar.
  • O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, negou as notícias que davam conta de que Israel estava disposto a negociar com o Líbano. Disse que o país nunca aceitaria fazê-lo enquanto continua a ser alvo de ataques do Hezbollah feitos a partir do Líbano.
  • A Organização Mundial de Saúde deu conta de que 14 profissionais de saúde foram mortos no sul do Líbano num só dia.
  • Em Israel, 108 pessoas ficaram feridas ao longo deste domingo.
  • O Ministério da Saúde libanês diz que 850 pessoas morreram e mais de duas mil ficaram feridas desde o início da guerra.

No Golfo

  • A Guarda Revolucionária anunciou ter concretizado a sua 50.ª vaga de ataques contra bases norte-americanas na região. Ao todo, mais de 14 bases terão sido atingidas só nos últimos dias.
  • Os ataques contra alvos não-militares também continuaram. Nos Emirados Árabes Unidos (EAU), o porto de Fujairah, por onde passam várias exportações de petróleo, foi atingido.
  • Um conselheiro diplomático dos EAU disse que o país tem direito à auto-defesa, mas “continua a dar prioridade à razão e à lógica e a exercer contenção”. O país, contudo, acusou o Irão de “bancarrota moral” por Teerão ter acusado os Estados Unidos de terem conduzido o ataque à ilha de Kharg a partir de território emirati.
  • Drones iranianos atingiram o aeroporto do Kuwait, danificando o seu sistema de radar, bem como as bases Ali al-Salem e Ahmad al-Jaber. Nesta última, três soldados ficaram feridos.
  • Quatro drones foram intercetados no centro de Riade, na Arábia Saudita. Outros drones foram intercetados em diferentes áreas do país.
  • O Bahrain deteve cinco pessoas suspeitas de espionagem a favor do Irão.
  • O ministro dos Negócios Estrangeiros do Egipto, Badr Abdelatty, começou uma “tour solidária” pelos países do Golfo.

No resto do mundo

  • Surgiram sinais de que os Houthis estarão a ponderar envolver-se no conflito. Um responsável do grupo declarou que a decisão já está tomada.
  • A Jordânia intercetou 79 de 85 mísseis e drones disparados contra o país. Ao todo, 14 pessoas ficaram feridas.
  • As milícias iraquianas pró-Irão fizeram mais ataques no Iraque, atingindo o complexo da embaixada norte-americana e danificando o seu sistema de defesa aérea.
  • O aeroporto de Bagdade também foi atingido por cinco mísseis. Cinco pessoas ficaram feridas. O conselheiro de segurança iraquiano Qassem al-Araji avisou que o aeroporto fica muito próximo da prisão Al-Karkh, onde estão detidos membros do Estado Islâmico.
  • Um drone atingiu a refinaria de Lanaz, perto de Erbil. O Irão negou ser responsável.
  • Instalações das milícias iraquianas foram atingidas por EUA e Israel, nomeadamente em nas províncias da Babilónia e de Kirkuk.
  • O Governo iraquiano avisou as autoridades curdas do país de que não devem permitir que grupos curdos iraquianos se envolvam no conflito.
  • O Presidente norte-americano disse que o Irão “quer fazer um acordo”, mas que os EUA ainda não estão preparados porque “os termos ainda não são bons o suficiente”. Donald Trump reforçou ainda que mais países deverão envolver-se na escolta a navios no Estreito de Ormuz e que pode voltar a atacar a ilha de Kharg “só pela diversão”.
  • O secretário da Energia norte-americano, Chris Wright, disse esperar que a guerra termine “nas próximas semanas”.
  • O comentador Tucker Carlson, próximo do universo MAGA, declarou que vários apoiantes de Trump se sentem “de coração partido” e “traídos” por este conflito. Uma sondagem foi divulgada, dando conta de que 53% dos norte-americanos estarão contra esta guerra.
  • A administração Trump ameaçou revogar licenças de transmissão de alguns media pela sua cobertura do conflito, acusando-os de “distorções”.
  • O Ministério da Defesa do Reino Unido confirmou ter enviado aviões de combate para o Médio Oriente, para apoiar aliados.
  • Um dirigente do Partido Liberal Democrático — partido que está no poder no Japão — disse que o envio de navios japoneses para fazer escolta no Estreito de Ormuz tem “uma fasquia muito alta”, dando a entender que o país não quer participar nesse esforço.
  • Já a Coreia do Sul disse estar a ponderar a hipótese de enviar navios de guerra para o Estreito de Ormuz.
  • A Agência Internacional de Energia anunciou que as reservas de petróleo de emergência começarão a ser libertadas.