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Japão liberta reservas estratégicas de petróleo e não prevê operação no estreito de Ormuz

O Japão, muito dependente do petróleo da região em guerra, confirmou esta segunda-feira que iria recorrer às suas reservas estratégicas, um volume correspondente a 15 dias de consumo.

Agência Lusa
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O Japão vai libertar as reservas estratégicas de petróleo, dando início a uma operação global coordenada pela Agência Internacional de Energia, mas não considera enviar navios de guerra para o Estreito de Ormuz, como pediu Donald Trump.

Os 32 países membros da Agência Internacional de Energia (AIE) decidiram na quarta-feira a libertação de 400 milhões de barris de petróleo para amortecer a subida vertiginosa dos preços provocada pela guerra no Irão.

Trata-se do maior desbloqueio de reservas alguma vez decidido pela instituição, criada há mais de 50 anos.

A agência tinha dito no domingo que as reservas dos países da Ásia e da Oceânia seriam descongeladas “de imediato” enquanto as das Américas e da Europa sê-lo-iam “no final de março”.

O Japão, muito dependente do petróleo da região em guerra, confirmou esta segunda-feira que iria recorrer — a partir de esta segunda-feira — às suas reservas estratégicas.

O Governo reduziu o nível das reservas privadas obrigatórias de petróleo bruto e produtos petrolíferos, o que implica a libertação de um volume correspondente a 15 dias de consumo nacional.

Na semana passada, a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, manifestou a intenção de libertar também stock proveniente das reservas do Estado, representando um mês de consumo. Tal poderá ocorrer no final de março.

Em dezembro, as reservas estratégicas de petróleo do Japão, estatais e privadas, ascendiam a mais de 400 milhões de barris, representando 254 dias de consumo nacional.

“As importações de petróleo bruto para o Japão deverão registar uma queda significativa a partir do final de março, enquanto persiste uma situação em que os petroleiros se encontram, na prática, impossibilitados de atravessar o Estreito de Ormuz”, referiu esta segunda-feira o porta-voz do Governo japonês, Minoru Kihara.

Cerca de 95% das importações de crude do Japão provém do Médio Oriente e 70% transitava pelo Estreito de Ormuz antes do conflito.

“Para garantir que nenhuma perturbação venha a comprometer o abastecimento de produtos petrolíferos, como a gasolina, decidimos que o Japão tomaria a iniciativa de recorrer às reservas estratégicas nacionais, em coordenação com as nações do G7 e a AIE”, acrescentou Kihara.

No total, a AIE regista compromissos “nesta fase” relativos a 172,2 milhões de barris provenientes das reservas norte-americanas, cerca de 110 milhões da Ásia-Oceânia (dos quais 66,8 milhões provenientes de reservas estatais e 41,8 milhões de reservas industriais) e um número semelhante da Europa (entre os quais, um terço proveniente de reservas estatais).

A guerra “está a provocar a maior perturbação no abastecimento de petróleo da história do mercado mundial do petróleo”, sublinhou a AIE no domingo.

De acordo com a agência internacional, “esta ação coletiva de emergência constitui um amortecedor importante e bem-vindo”. “No entanto, o fator mais importante para um regresso à estabilidade dos fluxos é a retoma (…) da navegação através do Estreito de Ormuz”, por onde transita habitualmente 20% do petróleo bruto mundial, continuou.

O preço do petróleo disparou desde o início da ofensiva israelo-americana contra o Irão, a 28 de fevereiro, que provocou a quase paralisia do estreito.

O Japão indicou também esta segunda-feira que “não prevê” uma operação de segurança marítima, numa reação ao apelo do Presidente norte-americano, Donald Trump, que no domingo pressionou países aliados, entre os quais os membros da Aliança AtLantica, mas tamém a China, a juntarem esforços para garantir a segurança do Estreito de Ormuz.

“Na situação atual no Irão, não tencionamos ordenar uma operação de segurança marítima”, declarou no Parlamento nipónico o ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi.

A própria Sanae Takaichi considerou esta segunda-feira que qualquer operação de segurança marítima seria “extremamente difícil do ponto de vista jurídico”.

O envio das Forças de Autodefesa para o estrangeiro é politicamente sensível num Japão oficialmente pacifista, cuja Constituição de 1947, adotada sob a égide dos Estados Unidos, implica a renúncia à guerra.