Houve um tempo em que o cinema americano e a América eram mais ou menos a mesma coisa. A mesma ideia: a crença no sonho, na superação, um certo idealismo, uma certa ingenuidade, muito engenho, muito trabalho, muito dinheiro, muita ambição, um certo exagero, muito gosto para o épico, muita pipoca, muito saber fazer negócio, mas, no fim, muito satisfatório e algumas obras de arte. Hoje, não. Hoje, o cinema americano é uma coisa e a América o seu próprio filme. A correr diariamente em cartaz na sala oval, encenada para as câmaras, e nos trailers de filmes de guerra com que o governo americano se vê a ele mesmo e ao mundo. A realidade, lamentavelmente, é um pouco maior do que um épico de duas horas ou três – e o horror não passa com o último fade out.
Eis-nos, pois, aqui, apresentando-nos ao serviço, uma vez mais. A uns dá-lhes para o padel, a outros para as maratonas – nós provamos à família que continuamos aqui para as curvas aguentando como uns valentes 24 entregas de estatuetas e outros tantos discursos, meia dúzia de atuações musicais e mais umas quantas de Mário Augusto nos intervalos. No fim, vão todos para o baile do governador e ainda para aqui ficamos a rever notas e teclar a crónica final. Sempre no nosso melhor fato de treino. Preparados para começar a semana com o jet lag de um neozelandês acabado de aterrar na Portela. Em nome do amor a uma arte que não sabemos quanto mais tempo durará na forma, ou pelo menos, na dimensão com que até hoje a conhecemos, mas que nunca deixará de nos assombrar.
É o cinema que celebramos hoje, outra vez. O cinema americano que é cada vez menos o cinema americano ou, por outra, o cinema americano que continuou no seu caminho e por isso se tornou cada vez mais universal, ao invés da América, que decidiu, alegadamente, regressar a uma pré-história mitológica em que teria sido virginal e incorrupta pelo outro. Hoje, celebramos outra vez o cinema, que é uma arte do outro, porque, ao contrário da literatura, da pintura, da escultura ou mesmo da música, impossível de fazer só. Arte do outro porque é sempre olhar e o olhar necessariamente para fora. Do outro porque só sustentável por e para plateias de múltiplos outros. Do outro que a renova com a sua cultura, a sua visão, o seu lugar no mundo.
Nesta 98.ª cerimónia de entrega dos prémios da Academia de Artes e Ciências do Cinema, celebramos, antes mesmo de ela começar, que alguns dos melhores filmes do ano, senão mesmo os melhores, uma vez mais se encontrem na categoria de Melhor Filme Internacional. Que esses filmes “do mundo” fiquem cada vez menos fechados nessa quota e transbordem em nomeações para outras categorias (o norueguês Valor Sentimental está nomeado para nove Óscares, o franco-espanhol Sirat para dois, o iraniano Foi Só um Acidente para outros dois, o brasileiro O Agente Secreto para quatro). Que, entre os 10 nomeados a melhor filme do ano, metade sejam dirigidos por realizadores não-americanos, mesmo que já ao serviço da máquina hollywoodesca – talento recrutado ao México, à Grécia, à China.

Celebramos a consolidação do prestígio do cinema brasileiro e, a reboque dele, da língua portuguesa. A consagração de Ethan Hawke, figura marcante do cinema independente americano dos últimos 30 anos, numa nomeação a melhor ator. Mais um show de representação de Sean Penn. A venerável carreira de Stellan Skarsgård. As nomeadas a Melhor Atriz Secundária, qual delas a presença mais poderosa no ecrã. A inclusão entre os nomeados a melhor filme, sem complexos, de um grande filme de ação como F1. O regresso contínuo da nossa cultura a Shakespeare. O reconhecimento do talento esmagador, filme após filme, de dois enfants terribles: Paul Thomas Anderson e Josh Safdie. O fixar de novo no mapa da atenção do grande público da cinematografia escandinava. A liberdade criativa de tantos dos nomeados – talvez não haja nenhuma obra-prima entre os nomeados deste ano, mas Pecadores, Hamnet, Valor Sentimental, Batalha Atrás de Batalha, O Agente Secreto – nenhum destes filmes é um filme banal. Nenhum destes filmes é só mais um filme.
E celebramos, é claro, a segunda vez de Conan O’Brien como anfitrião. Porque é uma das duas ou três pessoas mais engraçadas do mundo. Porque prova que nunca é tarde para renascer. Porque é talvez o melhor Billy Crystal depois de Billy Crystal. Porque podia apresentar isto para sempre – e até por uma única razão levemente cínica: porque não faz humor político.
E agora sim, estamos prontos para começar. Com uma só irritação: a ordem. Afinal, quem é que define a ordem de entrega destes prémios e por que raio é que insiste em mudá-la ano após ano? Não há respeito pelos obsessivos-compulsivos? Pelos maluquinhos da organização? Porque é que o Óscar de Melhor Longa de Animação é entregue antes do da Melhor Curta? E depois nos Documentários já é ao contrário, Melhor Curta e depois Longa? Porque é que despacham o Óscar para Melhor Banda Sonora ali a meio e guardam a Melhor Canção para o fim, como se fosse uma coisa mais do que o Argumento, a Fotografia, o Som ou a Montagem? E porquê este Óscar novo para o Casting? Não seria melhor dizer simplesmente para o Cast? O Ensemble, como há tanto existe noutros prémios? Para o elenco, o conjunto? Enfim. Temos o comando, o portátil e o chá. Podes vir, Mário Augusto. Estamos prontos.
23h00: Abertura. Conan tem a maquilhagem de Amy Madigan em Hora do Desaparecimento e vai atravessando os filmes nomeados perseguido por um grupo de crianças em fúria, mas não conseguimos perceber bem porque acabamos de descobrir que, este ano, a cerimónia vai ter tradução simultânea para português, mas que se pode optar por aceder à transmissão com o som original. Passamos o resto do número a tentar descobrir no comando da box como é que se faz isso.
23h05: Finalmente descobrimos, ainda a tempo de ouvir o monólogo de abertura. Não terá a mesma graça, mas será mais inteligível. Teremos de ficar só pelas piadas de Conan: os Óscares alternativos que estarão a decorrer ali ao lado, apresentados por Kid Rock; a saudação a Ted Sarandos, patrão da Netflix, pela primeira vez numa sala de cinema; os ingleses que, pela primeira vez em muitos anos, não têm nomeados a melhores atores – mas, ao menos, já começaram a prender os seus pedófilos (afinal, Conan faz política).
23h09: Conan diz que F1 correu tão bem que estão a pensar numa sequela: “Caps Lock”. Nós e mais três nerds na sala rimos muito.
23h14: Conan pede um minuto para um momento sério que costuma ser particularmente difícil para ele próprio, mas consegue. E a nossa introdução ecoa acidentalmente aqui: fala dos 31 países de 6 continentes representados nos nomeados desta noite, no facto de cada filme ser o resultado do trabalho coletivo de milhares de falantes de diferentes línguas. Celebramos, por isso, não porque tudo esteja bem, mas porque trabalhamos para que melhore.
23h17: O monólogo, longo, ainda não que o sintamos, termina com o elogio da elegância dos vencedores, que sempre partilham com outros o mérito do prémio, e o que Conan faria se ganhasse: toda uma coroação, com direito a papa, canto kírico e a estatueta entregue por uma águia (periclitante).

23h19: O primeiro Óscar e o segundo – e necessariamente último – grande momento para Amy Madigan, que é a estrela inesperada dos primeiros 20 minutos de cerimónia. É ela a Melhor Actriz Secundária por Weapons/Hora do Desaparecimento. O BAFTA tinha ido para Wunmi Mosaku, de Pecadores, e o Globo de Ouro para Teyana Taylor, de “Batalha Atrás de Batalha”, mas a escolha dos pares atores já tinha ido para ela. Conta que pensou o discurso ontem, enquanto depilava as pernas, e concluiu que, apesar dos avisos, ia mesmo agradecer a uma longa lista de nomes que ninguém conhecia porque era a única coisa que fazia sentido. O último nome, porém, era bem conhecido: o do marido, Ed Harris.
23h29: Will Arnett e Channing Tatum entregam o Óscar de Melhor Filme de Animação para o esperado Guerreiras do K-pop, que já tinha ganho também o Globo de Ouro e o prémio dos produtores, aka, tipos que mandam nisto. É curioso notar o suave colapso do velho domínio da Disney nesta categoria – cortesia da democratização tecnológica. As vencedoras dedicam o filme aos coreanos e pedem desculpa às pessoas parecidas com elas terem demorado tanto tempo a chegar ali.
23h34: Arnett diz que ali se celebram pessoas e não a IA. Que a arte é mais do que um prompt. Verdade, mas é estranho quando temos de o dizer. Depois, o Óscar de Melhor Curta de Animação, também conhecido como: aquele-que-mais-possivelmente-um-dia-será-levantado-por-um-português, vai para The Girl Who Cried Pearls, do Canadá.
23h37: As honras de primeira actuação musical ficam para o fabuloso Miles Caton, de Sinners, que tem 21 anos e a voz de alguém que tem 200 e que não duvidamos possa invocar espíritos vindos sabe-se lá de que profundezas. É acompanhado em I Lied to You por uma quantidade de músicos e performers que inclui Raphael Saadiq e Buddy Guy, entre muitos outros.
23h48: Regresso à cerimónia com uma paródia aos “verticais”, os filmes pensados para smartphones. Nas novas versões, Os 12 em Fúria, por exemplo, tiveram de passar a apenas dois.
23h49: A bela Anne Hathaway e a especialista Anna Wintour entregam os Óscares de Melhor Guarda-Roupa e Maquilhagem e Cabelos ao monstro Frankenstein, já consagrado em ambas também nos BAFTA e, de resto, o único para o qual o nosso fato de treino não perderia.
23h59: Uma guarda de honra composta por atores dos cinco filmes nomeados vem apresentar a nova categoria. Sim, fica claro que é mesmo só um prémio para diretores de casting e não para elencos. Mas sim, também fica claro na sala o apreço que o meio tem por aqueles profissionais. Cassandra Kulukundis fica assim na História como a primeira vencedora deste Óscar, que é também o primeiro, imagina-se que de muitos, para Batalha Atrás de Batalha.

00h15: Se escolheu a Melhor Curta-Metragem como bom momento para ir à casa de banho ou a matar o ratito que já se instala à cozinha, acabou de perder alguns dos momentos mais insólitos da cerimónia: o primeiro empate em 14 anos e apenas o terceiro da história dos Óscares (vitória ex-aequo para The Singers e Two People Exchanging Saliva, uma falha de luz no momento em que uma das equipas se preparava para agradecer e o bruá na sala quando um dos premiados por uma “simples” curta teve a lata de mandar a boca ao grande Chalamet sobre precisarmos de todas as artes para tentar fazer do mundo um lugar mais humano, até da ópera e do ballet.
00h19: Kieran Culkin vem entregar – e levar com ele – o esperado Óscar de Melhor Ator Secundário para Sean Penn, que “não pôde – ou não quis –“, explicita Culkin, “estar presente”. Seanpennzices. É o segundo para Batalha Atrás de Batalha, numa muito bem frequentada categoria com, por exemplo, Delroy Lindo e Stellan Skarsgård.
00h27: Os super-heróis Robert Downey Jr. e Chris Evans vêm entregar os Óscares de Argumento. No primeiro, a piada passa super-heroicamente ao lado; no segundo, a sunga de Magic Mike e a intervenção de Channing Tatum da plateia ganham todas as gargalhadas. Como previsto pelos BAFTA, Globos de Ouro e Guilda dos Argumentistas, as estatuetas vão para Batalha Atrás de Batalha e Sinners, os grandes rivais desta noite e aqui, respetivamente, Melhor Argumento Adaptado e Melhor Argumento Original. São os primeiros para Paul Thomas Anderson e Ryan Coogler, um após 14 nomeações, o outro depois de cinco. Ambos há muito mereciam. E ambos são festejados pelo Dolby Theatre de pé.
00h43: O In Memoriam deste ano torna-se, inesperadamente, o coração da cerimónia. Puxado para muito mais cedo do que o habitual, prolonga-se por um número complexo, que três apresentadores de peso que discursam na primeira pessoa: Billy Crystal acerca de Rob e Michelle Reiner, Rachel McAdams sobre Diane Ladd, Catherine O’Hara e Diane Keaton, e finalmente, Barbra Streisand com a elegia de Robert Redford. Recorda-se ainda, entre outros: Isiah Whitlock Jr., Terence Stamp, Lee Tamahori, Tom Stoppard, Claudia Cardinale, Béla Tarr, Udo Kier (que ainda surge num dos filmes nomeados este ano, O Agente Secreto), o diretor de fotografia português Eduardo Serra, Giorgio Armani, Frederick Wiseman, Michael Madsen, Val Kilmer ou Robert Duvall. Foi, de facto, um ano tremendo para o cinema e é notável que, numa cerimónia sempre tão preocupada em agradar às audiências, se demore, sem pudor, num elogio fúnebre que se prolonga pelo menos por 13 minutos, até às 00h56, hora a que também a box da TV na sala deste vosso (e a internet no geral) decide juntar-se à homenagem e pifar até à 01h07.
01h07: Eis que a box volta a ligar-se a tempo do Óscar de Melhores Efeitos Especiais (ah, a ironia), a categoria reservada anualmente para Avatar. Descobrimos depois que, naquele ínterim, Frankenstein tinha ficado com mais o de Design de Produção.
01h13: Jimmy Kimmel, antecessor de O’Brien enquanto anfitrião dos Óscares, regressa pontualmente ao palco do Dolby Theatre para anunciar os vencedores das categorias documentais. Lembra, sem nomear, a tentativa de censura de que foi alvo pela administração Trump, e chama a equipa de All the Empty Rooms para receber o Óscar de Melhor Curta Documental. Em palco, estão pais de crianças assassinadas em tiroteios nas escolas que lembram que talvez a América pudesse ser diferente se vissem os quartos vazios, parados no tempo, dos seus filhos perdidos. Depois, e antes de chamar mais um vencedor anunciado, Kimmel diz, outra vez sem precisar de usar um único nome próprio: “Ui, ele vai ficar tão chateado… A mulher não foi nomeada para isto…” Em palco, já com o Óscar de Melhor Documentário na mão, a equipa de Mr. Nobody Against Putin avisou para como se perde um país: por pequenos atos. Pequenas omissões. Quando matam concidadãos nossos na rua e não dizemos nada. Quando oligarcas tomam conta dos media e não fazemos nada.

01h28: O elenco de Bridesmaids vem assinalar os 15 anos do filme e entregar o Óscar de Melhor Banda Sonora a Pecadores. Aos 41 anos, é o terceiro para Ludwig Göransson, que já antes ganhou por Black Panther e Oppenheimer. Göransson, um sueco que fez a banda sonora para um filme musical acerca do blues e da sua relação visceral, sanguínea, telúrica, com os africanos que o trouxeram do Mali ou do Senegal para os campos de algodão da América. Se não é isto que celebramos – o cinema, a América, a civilização, a cultura. Depois, Maya Rudolph, Kristen Wig, Rose Byrne e companhia entregam ainda o Óscar de Melhor Som ao supersónico F1, que assim já não vai daqui de rodas a abanar.
01h37: Aquele momento chato em que um senhor de idade costumava vir falar em nome da Academia, falar da construção do museu e atribuir uns prémios honorários, é agora uma curta intervenção de Lynette Howell Taylor, a nova Presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, aliás, uma jovem quarentona, produtora originária de Liverpool, Inglaterra. Refere os prémios às categorias técnicas, atribuídos em cerimónia anterior, e agradece aos contadores de histórias. Em frente, antes que a Vodafone FM se me apague outra vez.
01h45: Melhor Montagem e quarto Óscar para Batalha Atrás de Batalha. Os BAFTA são o polvo Paulo destes Óscares.
01h49: uma Demi Moore mais magra do que a estatueta entrega o Óscar de Melhor Fotografia a Autumn Cheyenne Durald Arkapaw, por Pecadores (e lá se vai a promoção a polvo adivinho dos BAFTA, que tinham dado este a Batalha Atrás de Batalha). É a primeira mulher a ganhar nesta categoria, tipicamente técnica e masculina. Pede a todas mulheres da sala que se levantem. É um discurso forte, de alguém que tem ascendência filipina, africana e, imagine-se, até nativa americana.
02h02: Javier Bardem e Priyanka Chopra Jonas, que, para nossa grande perda, não fazíamos ideia de quem era até hoje, anunciam o Óscar de Melhor Filme Internacional para Valor Sentimental. É uma pena por O Agente Secreto – e, na verdade, por todos os outros nomeados – mas as nove nomeações do filme de Joachim Trier prenunciavam qualquer coisa. O realizador é mais um a falar da importância da equipa, dos mil e tal nomes que tem na ficha técnica, mostrando uma necessidade tão bela como aflitiva de defender a não-substituição do humano. Cita também James Baldwin, para condenar os políticos que atuam de forma irresponsável sobre as nossas crianças.
02h06: Há 40 anos, Lionel Richie ganhou o Óscar de Melhor Canção por Say You, Say Me, do filme White Nights. Agora, vem entregá-lo a Golden, das favoritas Guerreiras da K-Pop. É a consagração do fenómeno K-pop, assunto acerca do qual este escriba não é capaz de alinhar mais qualquer palavra. Nem ele nem o rapaz que ia agradecer o prémio, a quem cortaram o pio e tiraram a luz, porque já tinha falado a vocalista e bem-bom.
02h15: Naquele absurdo da desordem final que é atribuir-se o Óscar de Melhor Realização antes dos de Ator e Atriz Principal, esvaziando o suspense para o Melhor Filme e como se o autor fosse menos importante que qualquer outro interveniente na obra, Paul Thomas Anderson vem receber o Óscar das mãos de Robert Pattinson e Zendaya. Diz, com graça, que fazem um tipo trabalhar muito por uma estatueta daquelas. Ele que a podia ter ganho por praticamente todos os filmes que fez. Elogia, sentidamente, os concorrentes e o melhor que tem o cinema: estar entre pessoas.

02h18: Conan anuncia o homem que salvou os Óscares do ano passado de serem breves e entra Adrien Brody. Vestido como uma apresentadora do Festival RTP da Canção em 1986, ou Luís de Matos com um twist, anuncia que o Melhor Ator é Michael B. Jordan. Cannes, os Globos de Ouro e os críticos tinham distinguido Wagner Moura e Timothée Chalamet, mas os pares atores já tinham escolhido o duplo protagonista de Pecadores, pelos papéis dos irmãos Smoke e Stack. Agradece a Deus, à mãe na plateia, ao pai que veio de propósito do Gana, aos grandes actores afroamericanos antes dele – Sidney Poitier, Denze Washington, Jamie Foxx, Forest Whitaker e, sim, Will “há quanto tempo não ouviam falar dele” Smith. Não é um grande discurso, mas é o bastante.
02h27: Mikey Madison vem entregar o Óscar de Melhor Atriz a Jessie Buckley, depois de BAFTA, Globos de Ouro e Ators Awards já todos terem dito o mesmo. É o primeiro e único Óscar para Hamnet, que estava nomeado para oito. Mas é o suficiente para “ser” e “não ser”.
02h33: Nicole Kidman e um senhor que demoramos um pouco a perceber que é Ewan McGregor vêm lembrar-nos que Moulin Rouge foi há 25 anos e que, qualquer dia, temos de começar os exames à próstata. Fora isso, confirma-se que Kidman tem os melhores cirurgiões e o melhor pacto com o Diabo de toda a Hollywood. Depois de recriarem um pouco do musical onde não pareciam ter tanta diferença de altura, declaram Batalha Atrás de Batalha oficialmente o melhor filme do ano. Foram seis estatuetas: Melhor Filme, Realização, Argumento Adaptado, Montagem, Casting e Ator Secundário. Mas Pecadores, se ignorarmos que tinha um recorde absurdo de 16 nomeações, também não se saiu nada mal: quatro Óscares por Melhor Ator Principal, Argumento Original, Fotografia e Banda Sonora. Nem Frankenstein, que varreu os três “plásticos”: Guarda-Roupa, Design de Produção e Maquilhagem e Cabelos. Hamnet, Valor Sentimental e F1 tiveram de se contentar com um cada um, ainda assim bem melhor que O Agente Secreto, ou sobretudo Marty Supreme, que entrou com nove nomeações e saiu com bola (perdoem a piadinha fácil, derivada do adiantado da hora). Em palco, PT Anderson relembra os Óscares de 1976, com Voando sobre um Ninho de Cucos, Tubarão, Um Dia de Cão, Nashville e Barry Lyndon. Nenhum era o melhor, diz ele; eram todos. Só dependia do dia e da disposição em que os víssemos. Assim é este ano, subentende-se – e saúde-se o desportivismo. Batalha atrás de batalha, as boas maneiras ainda hão-de voltar a ganhar.
02h41: Depois de um nada habitual sketch de fecho que, justamente, propõe Conan O’Brien a anfitrião vitalício e replica a cena final do desaparecido Sean Penn no filme canonizado do ano, a cerimónia termina, irrepreensivelmente à hora marcada. Um Óscar também para isso, que a pontualidade já merece.