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Chega chama governador do Banco de Portugal ao Parlamento para explicar reforma "imoral" de Mário Centeno

O líder do Chega considera "imoral" a reforma de Mário Centeno e diz que o atual governador, Álvaro Santos Pereira, deve dar explicações no Parlamento sobre o acordo entre Centeno e o banco.

João Francisco Gomes
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O Chega vai chamar de urgência ao Parlamento o atual governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, para dar explicações sobre os contornos da saída do antigo governador, Mário Centeno, para a reforma.

O anúncio foi feito este domingo por André Ventura, líder do partido, que afirmou que os detalhes da reforma de Centeno, aos 59 anos de idade, causam “perplexidade”.

“Tem 59 anos, não 67 como é exigido à grande maioria da população portuguesa. Não está em nenhuma classe de desgaste rápido”, afirmou Ventura, sublinhando que Centeno chegou a um acordo para uma reforma antecipada “dop Banco de Portugal com benefícios absolutamente escandalosos”, particularmente no que toca à remuneração mensal, de 17 a 20 mil euros, que será “próxima do seu salário” atual.

A notícia da saída de Mário Centeno dos quadros do Banco de Portugal para a reforma foi noticiada esta semana. pelo jornal Eco que não avançou valores. Centeno, antigo ministro das Finanças de António Costa, cargo do qual saiu para assumir a liderança do Banco de Portugal, deixou de ser governador em 2025, passando a consultor, e já cumpria as condições para acesso à reforma antecipada enquanto quadro do banco central há cerca de 35 anos.

Deverá agora dedicar-se ao ensino universitário.

https://observador.pt/2026/03/13/mario-centeno-vai-passar-a-reforma-antigo-governador-assinou-acordo-para-abandonar-o-banco-de-portugal/

Trata-se, diz Ventura, de “uma imoralidade absoluta” que passa aos portugueses a mensagem de que há “prateleiras douradas” para onde “certos políticos” vão e onde ficam o resto da vida.

O líder do Chega diz que “não é aceitável” que alguém “com capacidade e ainda no uso das suas faculdades” se reforme com estes benefícios “num país onde se exige que as pessoas trabalhem até aos 67 anos”.

Sublinhando que o acordo é “provavelmente ilegal ou pelo menos altamente suspeito”, Ventura garantiu que a chamada de Álvaro Santos Pereira ao Parlamento não representa uma “perseguição a ninguém”, mas uma forma de obter explicações sobre um caso que, no entender do líder do Chega, demonstra a existência de “conluios entre política e dinheiro” que prejudicam os contribuintes.

Caso de Mafalda Livermore na Câmara de Lisboa: “O partido não protege ninguém”

Na conferência de imprensa em que fez este anúncio, André Ventura foi questionado pelos jornalistas sobre o caso de Mafalda Livermore, militante do Chega e namorada do vereador do Chega na câmara de Lisboa, Bruno Mascarenhas, que foi nomeada para o cargo de vogal do Conselho de Administração dos Serviços Sociais da Câmara Municipal de Lisboa — e que, entretanto, se sabe que é é proprietária de vários imóveis com habitações alegadamente clandestinas para arrendamento a imigrantes.

Ventura relativizou a polémica, que até já levou a própria deputada do Chega Rita Matias a pedir a demissão de Bruno Mascarenhas, garantindo que o Chega “atua mais rápido do que todos os outros partidos” em casos destes e que em breve haverá uma convenção autárquica, órgão onde esse assunto deverá ser debatido.

Uma vez que a própria Mafalda Livermore já saiu do cargo, Ventura deu a entender que o caso poderá estar já resolvido e que “o partido atuou imediatamente” perante a situação. “O partido não protege ninguém”, afirmou, insistindo que o caso será tratado “nos órgãos próprios”.