A segunda ronda do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 trouxe poucas novidades em relação à estreia na Austrália. Uma semana depois, a Mercedes estendeu o seu domínio no inicio da nova era do desporto motorizado e saiu da China com mais uma vitória e dois pódios no bolso. No sábado, George Russell até venceu a corrida sprint, mas foi Kimi Antonelli que levou a melhor na qualificação, tornando-se no piloto mais jovem de sempre a partir da pole position (aos 19 anos e 201 dias superou Sebastian Vettel). No Grande Prémio da China, o italiano bateu o companheiro de equipa em mais de cinco segundos e voltou a fazer história: aos 19 anos e 202 passou a ser o segundo mais novo de sempre a vencer na Fórmula 1, ficando apenas atrás de… Max Verstappen, que alcançou o primeiro triunfo aos 18 anos. Há 20 anos, desde Giancarlo Fisichella na Malásia, que Itália não triunfava no Mundial.
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A vitória de Antonelli e o segundo lugar de Russell voltaram a evidenciar o domínio dos Mercedes, que deixaram os Ferrari a mais de 25 segundos. Lewis Hamilton acabou por ser outro dos destaques do dia, já que o antigo campeão do mundo subiu pela primeira vez ao pódio ao serviço da scuderia. O britânico chegou a liderar na fase inicial da corrida, mas acabou por não ter andamento no seu monolugar para destronar os Mercedes. Ainda assim, foi suficiente para deixar o companheiro Charles Leclerc no quarto lugar. O quinto classificado, Oliver Bearman (Haas), terminou a 57,268 segundos, ao passo que Pierre Gasly (Alpine), no sexto lugar, foi o último a manter a diferença abaixo do minuto (59,647). Para além do britânico e do francês, só Liam Lawson (Racing Bulls) e Isack Hadjar (Red Bull) terminaram na mesma volta do vencedor.
Por outro lado, a prova de Shanghai arrancou com quatro monolugares a menos na linha da partida: Alex Albon (Williams), Gabriel Bortoleto (Audi), Lando Norris e Oscar Piastri (McLaren) tiveram problemas nos monolugares e não alinharam no arranque. Esta foi a primeira vez desde São Paulo-2022 que a construtora campeã do mundo teve duplo abandono, ao passo que o australiano ainda não completou nenhuma volta nesta edição da Fórmula 1. Por outro lado, Lance Stroll (Aston Martin), Fernando Alonso (Aston Martin) e Max Verstappen (Red Bull) não terminaram o Grande Prémio.
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Por outro lado, voltou a ficar latente as séries dificuldades que a Aston Martin continua a sentir no desenvolvimento do seu monolugar. As constantes vibrações do carros chegaram a ser de tal maneira fortes que, nas retas, Alonso teve de largar o volante. “Como disse na Austrália, nas partidas todos temos a mesma bateria, carregada, e o carro arranca bem. É uma questão de instinto e não o campeonato mundial de baterias que temos neste momento. Por isso, é mais divertido. Abandonei a corrida porque as vibrações do motor eram excessivas e diferentes do habitual. A partir da volta 20, já não sentia as mãos nem os pés e, uma vez que estávamos uma volta atrás do safety car, não fazia sentido continuar a perder sensibilidade nas mãos e nos pés. As vibrações estão sempre presentes. Podes conduzir, mas à medida que se fazem mais quilómetros, ao fim de meia hora ou 40 minutos, acaba por haver alguma perda de sensibilidade e é isso que nos acontece. Os meus planos estão definidos até ao Japão: voltar a casa, descansar, treinar intensamente e preparar-me bem para a corrida. Espero que na Honda tenham feito o trabalho de casa e que possamos ver algum progresso para a corrida”, partilhou o espanhol no final.
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Já Verstappen voltou a criticar os novos regulamentos da Fórmula 1, que considera serem responsáveis por uma corrida “terrível” e “artificial”. “É terrível. Se alguém gosta disso, realmente não sabe o que é uma corrida. Não tem graça nenhuma. É como jogar Mario Kart. Isto não é corrida. Dás um impulso para ultrapassar, depois ficas sem bateria na reta seguinte e eles ultrapassam-te de novo. Para mim é apenas uma piada. Apenas Kimi ou George conseguem vencer. Não é um vai e vem. Eles estão muito à frente do pelotão. A Ferrari por vezes tem essas bons arranques, em que se colocam na frente, mas depois de algumas voltas tudo se resolve. Como disse, isto não tem nada a ver com corrida. Diria o mesmo se estivesse a ganhar porque me importo com o produto da corrida. Não é uma questão de estar chateado com a minha posição, porque, na verdade, estou a lutar ainda mais agora e entendo melhor o que se precisa de fazer e do que se trata. Para mim, é uma piada”, começou por dizer o neerlandês, que confirmou o abandono por problemas no monolugar.
“Reformulação das regras? É preciso ter um pouco de cuidado com a forma como se diz essas coisas. Estamos a conversar sobre isso. Acho que eles entendem o nosso ponto de vista como pilotos. Acho que falo pela maioria. Alguns, claro, dirão que é ótimo porque estão a vencer as corridas, o que é compreensível. Quando tens vantagem, porque é que vais abrir mão dela? Nunca se sabe se vais voltar a ter um carro bom, mas se conversares com a maioria dos pilotos, vai ver que não é disto que gostamos. Não acho que seja isto que os verdadeiros fãs de Fórmula 1 gostam”, concluiu Verstappen.
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Desta forma, George Russell lidera o Mundial de pilotos com quatro pontos de vantagem para Kimi Antonelli (51-47) e 17 face a Charles Leclerc (34). Em termos de construtores, a Mercedes segue disparada com 98 pontos, contra os 67 da Ferrari e os 18 da McLaren. A Fórmula 1 cumpre agora um interregno de um fim de semana, regressando a 29 de março para o último Grande Prémio desta ronda asiática, o do Japão.