O dragão passou pela semana de alto risco com distinção. E de que maneira. Depois de ter perdido em Alvalade na primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal (0-1), o FC Porto engatilhou para dois resultados positivos que podem ter impacto no desfecho da temporada. O primeiro aconteceu no Estádio da Luz e até pode ter um sabor bastante amargo para as hostes portistas, já que os azuis e brancos chegaram ao intervalo com dois golos de vantagem face ao rival Benfica e acabaram por sofrer o empate em cima do minuto 90 (2-2). Ainda assim, as contas do Campeonato Nacional mantiveram-se tal e qual como estavam, com o FC Porto a partir para as últimas nove jornadas com quatro pontos de avanço face ao Sporting — que adiou o jogo deste fim de semana — e sete face aos encarnados — que entretanto venceram em Arouca (1-2) e igualaram os leões.
https://observador.pt/2026/03/12/o-pulmao-de-zaidu-nunca-desilude-quando-e-preciso-respirar-fundo-a-cronica-do-estugarda-fc-porto/
Poucos dias depois do clássico da Luz, o FC Porto virou a bitola para outra frente, no caso os oitavos de final da Liga Europa. Na primeira mão, os dragões tiveram pela frente uma difícil deslocação à Alemanha, para enfrentarem um Estugarda que vivia um momento positivo em termos de resultados. Apesar da rotação de Francesco Farioli, os portistas deram uma boa resposta e regressaram à cidade do Porto com a vitória no bolso, fruto dos golos de Terem Moffi e Rodrigo Mora, e o apuramento bem encaminhado (1-2). Com a eliminatória europeia em stand by, os dragões tinham pela frente a receção ao Moreirense, uma das equipas sensação desta Primeira Liga. Sem Alberto Costa, que cumpriu suspensão por ter chegado ao cinco amarelos na Luz, o treinador italiano estava obrigado a mexer no seu onze base, perspetivando-se o regresso de Zaidu Sanusi, que foi titular na Alemanha e deu uma boa resposta, com Martim Fernandes a regressar ao “seu” lugar.
Ficha de jogo
FC Porto-Moreirense, 3-0
26.ª jornada da Primeira Liga 2025/26
Estádio do Dragão, no Porto
Árbitro: Carlos Macedo (AF Braga)
FC Porto: Diogo Costa; Martim Fernandes, Jan Bednarek, Jakub Kiwior, Zaidu Sanusi (Pablo Rosario, 66’); Alan Varela, Victor Froholdt, Gabri Veiga (Rodrigo Mora, 66’); Pepê (William Gomes, 72’), Oskar Pietuszewski (Borja Sainz, 55’) e Deniz Gül (Terem Moffi, 55’)
Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos; Dominik Prpic, Seko Fofana e Francisco Moura
Treinador: Francesco Farioli
Moreirense: André Ferreira; Diogo Travassos, Gilberto Batista, Maracás, Francisco Domingues; Mateja Stjepanovic, Rodri Alonso (Miguel Silva, 87’), Afonso Assis (Jimi Gower, 66’); Kiko Bondoso (Kevyn Souza, 87’), Landerson (Nile John, 73’) e Alan
Suplentes não utilizados: Mika, Caio Secco e Luís Hemir
Treinador: Vasco Botelho da Costa
Golos: Veiga (14’), Pietruszewski (25’) e William (81’)
Ação disciplinar: Zaidu (58’) e Miguel (90+4’)
“É bom estar de volta depois de três jogos fora. A prioridade agora é o jogo de amanhã [domingo], contra uma equipa que tem sido uma das maiores surpresas da Primeira Liga. O facto de estarmos confortáveis não nos pode fazer relaxar, pelo contrário, temos de estar conectados. Sabemos das dificuldades deste jogo. Na primeira volta tivemos o controlo, mas foi difícil desbloquear. Espero outro jogo competitivo frente a uma equipa que está a competir muito bem na Liga. O foco tem de estar no nosso desejo de fazer tudo para vencer perante um adversário que está a fazer um bom trabalho. Do nosso lado, a equipa está num excelente momento. Todos estão prontos para jogar e num modo competitivo. Chegar a meio de março com a bateria cheia é difícil. Isso diz muito do trabalho que a equipa tem feito. Tentamos gerir a qualidade e a energia do grupo. Ganhámos a possibilidade de estar em três competições em março”, antecipou Farioli, que deixou ainda uma farpa ao adiamento do Sporting, que apelidou de “tratamento muito particular”.
Os cónegos chegaram ao Dragão a precisarem da vitória para continuarem na luta pelos lugares europeus, numa altura em que atravessavam uma fase negativa, com apenas uma vitória e dois empates nos últimos seis jogos. Sem o lesionado Dinis Pinto e o castigado Leandro Santos, Vasco Botelho da Costa estava obrigado a mexer na defesa. “Aquilo que tira pressão é o enorme mérito daquilo que já conquistámos até aqui. Independentemente de tudo, seria sempre um jogo onde não é difícil motivar os jogadores e onde há muita vontade de marcar presença em grandes palcos. Olhamos para este jogo com a máxima seriedade e a tentar fazer o melhor possível para dar a melhor imagem possível. A dimensão mental e a dimensão física é onde a equipa do FC Porto é extraordinária, de um nível estratosférico, do melhor que já vi desde que me lembro de ver futebol”, elogiou o treinador de 37 anos.
https://twitter.com/FCPorto/status/2033236834495402407?s=20
Sem Thiago Silva, que perdeu a mãe durante o fim de semana, Francesco Farioli fez oito alterações no seu onze em relação ao jogo de Estugarda, com apenas Diogo Costa, Jan Bednarek e Zaidu Sanusi a manterem a titularidade. Assim, confirmou-se a titularidade do nigeriano no lado esquerdo da defesa, o que fez com que Martim Fernandes voltasse mesmo à direita. No ataque, Deniz Gül ganhou o lugar a Terem Moffi, ao passo que Pepê foi opção em detrimento de William Gomes, que cumpriu este domingo o seu 20.º aniversário. Em relação ao Moreirense, que chegou ao Estádio do Dragão com muitas baixas e apenas sete jogadores no banco — dois deles guarda-redes —, Vasco Botelho da Costa fez apenas duas alterações, com Leandro Santos e Luís Hemir a saírem e Afonso Assis e Landerson a entrarem. Desta forma, Diogo Travassos baixou para lateral e Rodri Alonso juntou-se a Alan no 4x4x2 sem bola da sua equipa.
Como seria de esperar, o FC Porto teve uma autoritária e pressionante, instalando-se de imediato no meio-campo do Moreirense, que consentiu a posse de bola e optou por manter uma postura organizada e compacta, talhada para o contra-ataque. Apesar de pouco terem criado até esse momento, os dragões inauguraram o marcador nos primeiros remates que fizeram à baliza minhota, numa jogada que começou num mau passe de Afonso Assis. Deniz Gül recuperou e abriu na meia-esquerda em Oskar Pietuszewski que, de primeira, rematou para defesa incompleta de André Ferreira, com Gabri Veiga a completar para dentro na recarga (14′). Pouco depois, Pepê ganhou a Landerson e lançou-se no ataque, abrindo em Victor Froholdt que, já dentro da área, cruzou para o lado oposto, com Pietuszewski a receber dentro da área e a desferir um remate em arco, ao poste mais distante, para o 2-0 (25′).
O polaco continuou a ser o elemento mais preponderante de um dragão que continuou focado no momento ofensivo e, depois de um cruzamento para Veiga que Ferreira travar, desferiu um remate forte, à entrada da área, que saiu por cima (30′). Pouco depois, Alan Varela ganhou a bola em zona subida e entregou no menino de 17 anos que, completamente sozinho no centro da área, atirou por cima (34′). No último lance da primeira parte, Pepê encontrou Gül dentro da área, o turco isolou-se e atirou para defesa apertada de André Ferreira, Gilberto Batista aliviou de cabeça para a entrada da área, onde o médio espanhol apareceu a rematar de primeira para fora (42′). Assim, o FC Porto recolheu ao balneário confortavelmente na frente, depois de um primeiro tempo em que o Moreirense não fez qualquer remate (2-0).
Sem alterações ao intervalo, os cónegos entraram em campo com uma postura mais ofensiva e, na primeira oportunidade de golo, colocou Diogo Costa em sentido, com Landerson a combinar com Mateja Stjepanovic e a enquadrar-se, rematando, já dentro da área, ao poste direito da baliza portista (53′). Pouco depois, Oskar Pietuszewski saiu com problemas físicos, juntamente com Deniz Gül, com Francesco Farioli a lançar Borja Sainz e Terem Moffi. O Moreirense continuou mais perigoso e, depois de um trabalho de Rodri Alonso, Alan recebeu à entrada da área, enquadrou-se e atirou para defesa a dois tempos do guarda-redes (64′). Vasco Botelho da Costa mexeu pela primeira vez para lançar Jimi Gower no lugar de Afonso Assis, ao passo que Francesco Farioli continuou a gerir, lançando Pablo Rosario, que foi para o lado direito da defesa, no lugar de Zaidu Sanusi e Rodrigo Mora no de Gabri Veiga.
Apesar da gestão e do ritmo mais baixo, o FC Porto voltou a criar perigo num lance em transição, que começou num canto ofensivo dos cónegos e terminou com Mora a servir Moffi com um grande passe, mas o remate do avançado foi parado por André Ferreira (69′). Já com William Gomes no lugar de Pepê e Nile John no de Landerson, Jan Bednarek recuperou a bola em zona subida e tocou para Victor Froholdt, o médio deixou à entrada para William que, bem ao seu estilo, puxou para dentro e colocou a bola no ângulo superior do poste mais distante com um grande remate (81′). Para os últimos minutos, Miguel Silva (saiu Rodri) e Kevyn Souza (Kiko Bondoso) ainda saíram do banco minhoto, mas o resultado manteve-se inalterado (3-0).