Gondomar assistiu a mais uma página de ouro do futsal nacional. Este domingo, Benfica e Eléctrico enfrentaram-se no jogo decisivo da Taça da Liga, numa final inédita e que derivou do histórico apuramento dos alentejanos para a partida decisiva. Numa final-eight que, nos quartos de final e nas meias-finais foi pautada pelo equilíbrio e pela decisão nos penáltis — “escaparam” apenas Rio Ave-Benfica (3-7) e o Sporting-Leões Porto Salvo (2-3), nos quartos de final —, as águias tiveram de suar para deixar pelo caminho a formação de Oeiras nas meias-finais, conseguindo triunfar no desempate (2-2, 4-3, g.p.). Desta forma, o campeão nacional chegou à final da competição dois anos depois e após uma semana em que foi eliminado da Liga dos Campeões.
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A grande surpresa da prova chegou de Ponte de Sor, no Alto Alentejo, com o Eléctrico a viajar até Gondomar para fazer história, chegando pela primeira vez a uma final. Ao longo da final-eight, o nome do capitão Diogo Basílio sobressaiu, com o guarda-redes a ter contribuído de forma decisiva para as vitórias frente a Torreense (0-0, 4-3, g.p.) e Fundão (4-4, 1-2, g.p.). Nesses dois jogos, Basílio evidenciou-se ao travar cinco grandes penalidades na decisão. Apesar da inexperiência e da hipotética desvantagem no capítulo do favoritismo, os alentejanos tinham uma palavra a dizer, até porque nos últimos anos têm sido uma das equipas que mais dificuldades cria a Sporting e Benfica — ganharam no João Rocha na fase regular deste Campeonato (2-4). Curiosamente, esta final aconteceu uma semana antes de novo encontro entre Benfica e Eléctrico, no Pavilhão da Luz, a contar para a segunda volta da Liga.
“No desporto, a equipa favorita é a equipa que tem alma e espírito, e que vai entrar em campo para fazer o seu melhor. Ninguém entra para perder um jogo e os resultados mostram o equilíbrio. Vai ser um jogo equilibrado amanhã [domingo] e a equipa que desejar e lutar muito vai conseguir. São duas equipas que chegam muito fortes à final. Espero que seja um belo dia para os benfiquistas. A pressão é um privilégio. Se tens pressão é porque vais jogar uma final, por exemplo. O Benfica sempre que entra numa competição almeja chegar às finais e quando conseguimos esse objetivo é muito gratificante. As horas que antecedem o jogo são momentos mágicos para nós”, perspetivou Cassiano Klein.
“Sabemos que já escrevemos história no futsal alentejano. Somos a primeira equipa a conseguir estar numa final. Antes disso, o Alentejo só tinha sido representado, há 27 anos, pelo Campomaiorense numa final da Taça de Portugal e, por isso, temos uma cidade de Ponte de Sor em êxtase com a nossa participação aqui. Queremos aproveitar esta participação para crescermos enquanto equipa e amanhã vamos competir para crescermos mais um pouquinho. Esperamos ter mais pessoas amanhã. Além do Alto Alentejo, gostava de ter a região toda do Alentejo muito bem representada. Estão todos os condimentos reunidos para termos um grande jogo de futsal”, explicou Tiago Rasquete, adjunto de Jorge Monteiro que, ao contrário do seu clube, disputou a final da Taça da Liga pela terceira vez nas últimas quatro edições, tendo perdido as duas anteriores ao serviço do Quinta dos Lombos.
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O Benfica entrou forte na final e marcou logo na primeira jogada, com Arthur a recuperar em zona subida e a servir Carlos Monteiro para o desvio certeiro (1′). Já depois de Higor e do internacional português terem acertado nos ferros, Raúl Moreira cobrou uma reposição lateral para Jacaré que, sozinho, fez o 2-0 (11′). Na parte final do primeiro tempo, Silvestre Ferreira conduziu uma transição rápida dos encarnados, que terminou com Higor a acertar no poste e Tchuda a faturar na recarga (17′). Na etapa complementar, Lúcio Rocha recuperou e colocou em Silvestre que, só teve de encostar para o 4-0 (27′). Na resposta, Thiaguinho apareceu na profundidade e cruzou Simi Saiotti, que se antecipou a Léo Gugiel e reduziu a desvantagem (29′).
Já com o Eléctrico em 5×4, com Henrique Vicente como guarda-redes avançado, as águias recuperaram a bola na sua defesa e, com a baliza deserta, Arthur não desperdiçou (36′). Pouco depois, Higor recuperou e colocou em Kutchy que, da mesma forma, fez o 6-1 (38′). A fechar ainda houve tempo para os encarnados abrirem o livro, com Silvestre a combinar com Lúcio para se isolar e, perante a saída de Miguel Simões, a fazer o chapéu para o sétimo golo (39′). Feitas as contas, o Benfica venceu o troféu pela quinta vez e está a um troféu de igualar o Sporting, que tem seis conquistas (7-1).