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Os segredos são cada vez menos, mas o domínio continua a ser verde: Sporting vence Benfica na negra e reconquista Taça de Portugal

Numa grande final que foi bastante intensa, equilibrada, decidida nos detalhes e durou mais de três horas, o Sporting levou a melhor numa super negra, que teve oito match points (2-3).

Tiago Gama Alexandre
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Dois meses depois, chegou o momento de mais um escaldante dérbi de Lisboa. Agora em Albufeira, que é Cidade Europeia do Desporto em 2026, a 62.ª edição da Taça de Portugal de voleibol terminou com um confronto entre os suspeitos do costume: Benfica e Sporting. Este foi o quarto encontro da temporada entre águias e leões, sendo que os verde e brancos levaram a melhor em todos eles, tendo conquistado a Supertaça (3-1) e o primeiro lugar na fase regular do Campeonato Nacional (3-0 fora e 3-1 em casa). Para além disso, o campeão nacional vinha numa série de seis vitórias seguidas em dérbis, pelo que o historial recente jogava a seu favor. Os vermelho e brancos, por seu turno, procuravam revalidar a conquista de um troféu que levantaram três vezes nos últimos cinco anos.

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“É um jogo que tem muito poder de serviço e de ataque dos dois lados e poucas dificuldades físicas no bloqueio. A questão de servir com regularidade, mas com agressividade, pode ser um fator de desequilíbrio. É isso que vamos procurar. Vamos tentar ter uma boa sequência coletiva no serviço e tentar fazer com que a receção do Sporting tenha dificuldades. As finais entre o Benfica e o Sporting são sempre jogos abertos. As duas equipas têm condição de vencer. Entram a saber disso e a saber da responsabilidade que têm. Espero que a equipa esteja bem e que consiga desempenhar o que tem feito durante os treinos para estarmos fortes dentro da quadra”, perspetivou Marcel Matz depois de ter batido o V. Guimarães nas meias-finais (3-1).

“Já nos conhecemos e não há segredos. Aquilo que eu mais vejo é a minha equipa, o que estamos a fazer e o que estamos a colocar em campo. Os nossos melhores argumentos têm de aparecer independentemente de históricos recentes. Um dérbi é sempre de resultado incerto até final. Falamos de uma final de uma Taça de Portugal, o segundo troféu que queremos conquistar esta época. O Benfica tem muitas armas e tem uma profundidade de plantel também muito elevada. É candidato ao título, tanto como nós, e a todos os troféus, tal como nós. Mas nós vamos querer ganhar e, para isso, temos de estar ao nosso melhor nível”, explicou João Coelho, que superou o Académico de Espinho antes da final (3-1).

O dérbi começou a todo o gás e só 38.º ponto se vislumbrou a primeira vantagem de dois pontos, no caso a favor do Sporting, que aproveitou as falhas do Benfica no serviço para se distanciar na fase final do primeiro set (19-22). Já depois de Matz ter pedido uma pausa técnica, Murad Khan reduziu junto à rede e um remate colocado de Lucas França colocou a diferença em apenas um ponto (21-22). Contudo, Lourenço Martins respondeu da mesma forma de seguida, falhando depois o seu serviço (22-23). Os dois set points apareceram com um tiro de Jonas Aguenier contra o bloco, com Tiago Pereira a fechar as contas com um serviço colocado, ao qual Nivaldo Díaz não conseguiu corresponder (22-25).

No segundo parcial os papéis inverteram-se, com as águias a chegarem ao 9-4 depois do empate a duas bolas. A partir daí, os leões equilibraram e, depois de os encarnados terem tido três pontos de avanço, fizeram o 21-20 numa altura em que o bloco continuava em grande plano. Nessa fase, o treinador benfiquista voltou a parar o jogo e, no recomeço, Edson Valencia atirou contra o bloco, completando a reviravolta no ponto seguinte, depois de mais um grande bloco de Lourenço Martins (21-22). Com Jan Galabov a servir, Valencia somou mais um ataque bem sucedido junto à rede, mas o ponto acabou por ser revertido por conta de um toque na rede (22-22). Ainda assim, Lourenço respondeu de pronto, com dois pontos junto à rede. Novamente com duas bolas de set, o Sporting acabou por vacilar, com Nivaldo a rematar junto à rede e Valencia a atirar contra a tela (24-24).

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Contudo, o cubano desperdiçou a reviravolta com um serviço para fora, mas França anulou o terceiro set point em zona central (25-25). Com Pablo Natan a sair do banco para servir, o jogo continuou empatado, com o zona 4 a atirar contra a rede depois de França ter dado o primeiro ponto de set ao Benfica. Seguiu-se um serviço falhado de Lourenço e, com Felipe Banderó a servir, Valencia atirou contra a rede (28-26). O terceiro set acabou por começar com pouca história, com o Sporting a conseguir duas vezes uma vantagem de oito pontos (10-18 e 13-21). Na parte final, Francisco Pombeiro relançou os encarnados com dois ases seguidos e levou Coelho a parar o jogo (16-21). Na mudança do serviço, Natan somou mais um ás e o treinador sportinguista pediu mais um timeout, mas o brasileiro ainda marcou mais um ponto antes de atirar para fora (20-23). Com o Benfica por cima, Pombeiro abriu o jogo para mais um grande ataque à linha de Murad, com Valencia a fazer o 21-24. No serviço, Galabov falhou o primeiro ponto de set e, no serviço de Khan, França anulou nova bola decisiva. Contudo, no último set point, Lourenço atacou junto à rede para dentro (23-25).

No quarto parcial, as águias voltaram a entrar forte e na, fase inicial, nunca estiveram em desvantagem, chegando a meio com cinco pontos de avanço (16-11). Depois de João Coelho ter parado o jogo, o Benfica continuou por cima e manteve a tendência à entrada para a reta final (20-15), mas Edson Valencia voltou ao serviço para relançar a partida com dois ases (21-19), levando Marcel Matz a parar o jogo. A paragem acabou por fazer aos encarnados, com Japa a atirar contra o bloco, antes de Aguenier responder junto à rede (23-20). De seguida, Jan Galabov atirou contra a rede, Mads Kyed anulou a primeira de quatro bolas de set e, no side out, Japa levou a decisão para a negra (25-21).

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No último set, a toada do equilíbrio prosseguiu, destoando com Felipe Banderó a dar a primeira vantagem de dois ao Benfica, depois de Japa ter voltado a aproveitar o espaço entre o bloco e a rede (3-1). Pouco depois, Tiago Violas esperou pelo ataque sportinguista para fazer o 5-2, que levou João Coelho a parar o jogo, não conseguindo quebrar o ímpeto do adversário, com Sergey Grankin a acertar na rede (6-2). Jonas Aguenier ainda respondeu, mas Nivaldo Díaz concluiu da melhor forma mais um jogada encarnada, com a troca de campo a aparecer depois de Felipe Banderó ter feito o oitavo ponto (8-3). A mudança acabou por fazer ao Sporting, que diminuiu a desvantagem para os dois pontos com Kelton Tavares em grande plano (8-6). Ainda assim, Nivaldo surpreendeu com um remate na diagonal, antes de Violas servir contra a rede (9-7). Na resposta, Banderó enfrentou o bloco de Valencia e fez o 10-7 com uma bola na linha.

Kelton continuou a assumir as despesas da turma de Alvalade no plano ofensivo, mas um bloco para fora de Jan Galabov voltou a colocar a distância nos três pontos (11-8). No serviço de Pablo Natan, Banderó atacou contra o bloco de Tavares, redimindo-se no ataque seguinte e antes de acertar na rede no serviço (12-10). No serviço, Edson Valencia começou com ás, obrigando Marcel Matz a parar o jogo. No segundo serviço, o venezuelano atirou para fora e, na resposta, Jan Pokersnik atacou com sucesso depois de ter feito a receção e voltou a empatar o jogo com um ataque junto à rede (13-13). Depois de Matz ter pedido novo timeout, Galabov impediu o ataque de Banderó e deu ao Sporting a primeira bola de encontro, que acabou por ser desperdiçada com um bloco para fora (14-14). Coelho parou o jogo e, no reatamento, França serviu para fora, Murad Khan salvou novo match point, Kelton recolocou os leões na frente e Grankin atirou para a rede (16-16). O Benfica voltou à frente com Nivaldo a finalizar em zona 6, mas Valencia empatou novamente (18-18).

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Já para lá dos 20 pontos, Kelton Tavares voltou a aparecer para dar aos leões a quinta bola de Taça, que acabou por ser decisiva, com o português a fechar as contas no bloco (21-23). Feitas as contas, o Sporting aumentou para sete as vitórias seguidas frente ao rival, conquistando o seu segundo troféu da temporada. Em termos globais, esta é a quinta Taça de Portugal vencida pela equipa de Alvalade.