Donald Trump disse, ao 15.º dia de guerra com o Irão, que o país do Médio Oriente “quer chegar a um acordo” mas os EUA não vão aceitar porque as cedências oferecidas pelo Irão “ainda não são suficientes”.
Após o Secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, ter declarado na sexta-feira que o novo líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, estaria “ferido” e “provavelmente desfigurado”, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano veio refutar essa ideia. Porém, Trump insistiu neste tema dizendo que não sabe se o novo líder supremo iraniano “sequer está vivo”, confirmando os “rumores” de que poderá não estar mas desvalorizando esse tema.
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No Irão
- A morte do brigadeiro-general Abdullah Jalali Nasab, um comandante iraniano de topo com responsabilidades nos serviços secretos do Comando de Emergência Khatam al-Anbiya, foi anunciada no sábado pelas Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês). E foi, também, confirmada por Teerão.
- Um ataque dos Estados Unidos e de Israel na cidade de Isfahan, no centro do Irão, terá feito 15 mortos, avançou a agência iraniana Fars ao final da tarde.
- O governo iraniano revelou que 36.489 habitações e 6.179 estabelecimentos comerciais foram atingidos na sequência de ataques de EUA e Israel desde o início da guerra no Médio Oriente.
- Dois altos responsáveis dos serviços de informações do Irão foram mortos num ataque aéreo israelita em Teerão na sexta-feira, anunciaram as Forças de Defesa de Israel, citados pelo Times of Israel.
- “Não sei se ele ainda está vivo. Até agora, ninguém conseguiu mostrá-lo”, declarou Donald Trump acerca do novo líder supremo iraniano. “Ouvi dizer que ele não está vivo e, se estiver, deveria fazer algo muito inteligente pelo seu país: render-se”, continuou, assumindo ter ficado “surpreendido” com os ataques iranianos a outros países do Médio Oriente. A esse respeito, Trump abordou os recentes ataques norte-americanos à Ilha de Kharg para garantir que “destruíram completamente” a maior parte do território. “Podemos atacá-la mais algumas vezes, só por diversão”, atirou.
- O Presidente norte-americano voltou, também, ao tema da segurança da circulação do petróleo no Estreito de Ormuz para reforçar a necessidade de envolvimento de outros países além dos EUA na pacificação daquela região. “Os países do mundo que recebem petróleo através do Estreito de Ormuz têm de cuidar dessa passagem, e nós vamos ajudar — muito!”, afirmou.
- Já nas últimas horas, a Guarda Revolucionária iraniana prometeu “caçar e matar” o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.
Em Israel e no Líbano
- Pelo menos cinco pessoas, entre as quais uma criança, morreram na sequência de ataques israelitas no sul do Líbano, adiantou no sábado à noite a estação Al Jazeera.
- O diretor da Organização Mundial de Saúde (OMS) confirmou a morte de 12 profissionais de saúde num ataque a um centro de saúde no Líbano.
- Os ataques aéreos israelitas ao Líbano mataram pelo menos 826 pessoas, incluindo 106 crianças, e feriram 2.009, desde o início da guerra, em 2 de março, anunciou o Ministério da Saúde libanês.
- Israel e Líbano deverão iniciar conversações diretas nos próximos dias, noticiou o jornal Haaretz, que citava duas fontes próximas do assunto. Os EUA também estarão nestas negociações, representados por Jared Kushner, genro do Presidente dos EUA
- O ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Hakan Fidan, disse temer que o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, possa estar a cometer “um novo genocídio” ao atacar o Líbano, a pretexto de combater o Hezbollah.
- Já este domingo, Israel anunciou o lançamento de uma nova ofensiva no oeste do Irão e a Guarda Revolucionária iraniana reivindicou ataques com mísseis contra uma base aérea norte-americana e alvos israelitas, ao 16.º dia de guerra. O exército israelita lançou “uma vaga de ataques contra infraestruturas do regime terrorista iraniano no oeste do Irão”, disseram os militares num comunicado citado pela agência francesa AFP.
- Também este domingo, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita relataram ter intercetado vários ataques lançados a partir do Irão.
No Golfo
- Um drone atingiu a refinaria de Lanaz, na região de Erbil, no norte do Iraque, e fez deflagrar um incêndio que obrigou à suspensão das operações naquelas instalações petrolíferas.
- A embaixada dos EUA em Bagdade avisou os cidadãos norte-americanos que deviam “abandonar o Iraque imediatamente”, face à possível ocorrência de ataques iranianos ou de forças ligadas ao regime de Teerão.
- A base aérea Ahmed Al-Jaber, próxima das instalações norte-americanas em Arifjan, no Kuwait, foi alvo de um ataque com dois drones este sábado, causando alguns feridos entre pessoal kuwaitiano de apoio às infraestruturas.
- As defesas aéreas de Qatar e Arábia Saudita intercetaram drones este sábado, que teriam o Irão como origem.
- O Aeroporto Internacional do Kuwait foi este sábado atacado com drones, avançou a estação Al Jazeera, detalhando que não se registaram mortos ou feridos entre os passageiros ou trabalhadores daquela infraestrutura.
- Um ataque de drones atingiu o porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, obrigando a suspender as operações de carga para combater um incêndio.
- O movimento palestiniano do Hamas apelou este sábado ao Irão para não visar outros países vizinhos na resposta aos ataques de EUA e Israel no âmbito do conflito que decorre há cerca de duas semanas no Médio Oriente.
- O Mundial de Fórmula 1 não vai contar com as corridas do Bahrein e da Arábia Saudita em abril, confirmou este sábado a organização numa publicação na rede social X.
No resto do mundo
- O gabinete do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, terá contactado o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, para pedir uma conversa telefónica, segundo adiantou uma fonte oficial ao jornal Times of Israel, mas sem esclarecer as razões. Todavia, de acordo com o site Ynet, o líder do governo israelita quer abordar a cooperação com a Ucrânia para agilizar o combate aos drones iranianos, aos quais as forças ucranianas estão habituadas a travar, tendo em conta que o Irão se tornou um dos principais fornecedores de drones Shahed para a Rússia.
- A empresa de energia ucraniana Ukrenergo anunciou restrições ao consumo de energia no país, após o ataque russo contra a Ucrânia ocorrido na noite desta sexta-feira para sábado.
- “Em algumas regiões da Ucrânia, a partir das 8h00 (6h00 TMG), foram implementadas restrições para a indústria e cortes por horas para todos os consumidores”, avisa a empresa através da sua conta na rede social do Facebook e citado pela agencia Efe.
- A Rússia efetuou este sábado um novo ataque em grande escala contra a Ucrânia que causou pelo menos quatro mortos e 15 feridos na área de Kiev, denunciou o Presidente Volodymyr Zelensky.
- Já neste domingo, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou os aliados europeus de chantagem por pressionarem Kiev a reparar o oleoduto Druzhba, que transporta petróleo russo, numa disputa que envolve a Hungria.
- Por outro lado, as autoridades da região de Krasnodar, no sul da Rússia, anunciaram que drones ucranianos voltaram a atacar, pela segunda vez numa semana, a refinaria de Tikhoretsk-Nafta, uma das maiores da Rússia.