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(A) :: Ivanovic, a luz de mineiro que fugiu ao apagão em dia de blackout (a crónica do Arouca-Benfica)

Ivanovic, a luz de mineiro que fugiu ao apagão em dia de blackout (a crónica do Arouca-Benfica)

Num dia em que tudo começou mal e demorou a endireitar-se, o Benfica salvou a vitória em Arouca com um golo de Ivanovic nos descontos — sem Mourinho e sem que ninguém dos encarnados falasse (1-2).

Mariana Fernandes
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Foi um golo que valeu um ponto, que evitou uma derrota e que manteve um sonho, mas que também teve consequências. Leandro Barreiro empatou o clássico do último fim de semana entre Benfica e FC Porto e José Mourinho, junto do banco de suplentes, pontapeou uma bola, discutiu com Lucho González e acabou expulso. Só não imaginou, provavelmente, que iria despedir-se dos relvados durante algum tempo. 

Depois do cartão vermelho direto de domingo, o Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol decidiu punir o treinador do Benfica com um jogo de castigo, 11 dias de suspensão e ainda uma multa de 3.825 euros. Ou seja, afastou-o automaticamente do jogo deste sábado em Arouca e do do próximo sábado contra o V. Guimarães, deixando o adjunto João Tralhão à frente da equipa em campo. Os encarnados reagiram, recorreram, mas nada mudou — e José Mourinho nem sequer foi visto antes do apito inicial na Serra da Freita.

Ficha de jogo

Arouca-Benfica, 1-2

26.ª jornada da Primeira Liga

Estádio Municipal de Arouca, em Arouca

Árbitro: José Bessa (AF Porto)

Arouca: Arruabarrena, Diogo Monteiro (José Silva, 75′), Javi Sánchez (Boris Popovic, 79′), Jose Fontán, Bas Kuipers, Espen van Ee, Taichi Fukui, Hyunju Lee (Pablo Gozálbez, 70′), Nais Djouahra (Miguel Puche, 75′), Barbero (Dylan Nandín, 79′), Alfonso Trezza

Suplentes não utilizados: João Valido, Yellu Santiago, Brian Mansilla, Amadou Danté

Treinador: Vasco Seabra

Benfica: Trubin, Alexander Bah (Amar Dedic, 74′), António Silva (Ivanovic, 74′), Tomás Araújo, Samuel Dahl, Leandro Barreiro, Richard Ríos, Lukebakio (Prestianni, 74′), Rafa (Sudakov, 74′), Schjelderup (Anísio Cabral, 85′), Pavlidis

Suplentes não utilizados: Samuel Soares, Gonçalo Oliveira, Manu Silva, Miguel Figueiredo

Treinador: José Mourinho

Golos: Barbero (gp, 7′), Richard Ríos (50′), Ivanovic (90+6′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Javi Sánchez (22′), a Barbero (45+3′), a Hyunju Lee (48′), a Richard Ríos (59′), a António Silva (59′), a Pablo Gozálbez (77′), a Arruabarrena (80′), a Trubin (90+11′), a Prestianni (90+12′); cartão vermelho direto a Amar Dedic (90+9′), a Alfonso Trezza (90+9′)

“Trata-se de uma decisão manifestamente injusta, desproporcionada e persecutória, tomada ao arrepio do que efetivamente ocorreu no final da partida […] Perante a evidência dos factos, não se compreende a aplicação de um castigo que deturpa o contexto do sucedido, ignora as explicações prestadas, bem como aquilo que é visível nas imagens desse momento. Mais importante ainda: desvaloriza as provocações de Lucho González a José Mourinho após as expulsões, no túnel de acesso aos balneários”, pode ler-se no comunicado do clube, que instaurou depois um blackout que retirou o treinador ou qualquer outro elemento da equipa técnica da conferência de imprensa de antevisão, da flash interview e da conferência de imprensa.

Era neste contexto que o Benfica visitava o Arouca — e também com a possibilidade de pressionar Sporting e FC Porto, sendo que os leões nem sequer jogam este fim de semana devido à Liga dos Campeões e os dragões só entram em campo no domingo. Otamendi, Enzo Barrenechea e Fredrik Aursnes estavam lesionados e eram baixas, Lukebakio saltava para o onze em detrimento de Prestianni, Richard Ríos e Leandro Barreiro faziam dupla no meio-campo e Alexander Bah aparecia na direita da defesa ao invés de Amar Dedic. Do outro lado, num Arouca que vinha de duas derrotas consecutivas, Vasco Seabra tinha Barbero como referência ofensiva.

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O Benfica começou o jogo praticamente a perder. Ainda dentro dos dez minutos iniciais, António Silva tocou com a mão na bola dentro da grande área e José Bessa, depois de ser chamado ao ecrã do VAR, assinalou grande penalidade — que Barbero converteu (7′), colocando o Arouca em vantagem. Os arouquenses ainda deixaram a ideia de que não pretendiam afundar por completo e conseguiram pressionar alto durante os minutos que se seguiram ao golo, mas os encarnados não tardaram a assumir o natural ascendente.

Ainda assim, de forma totalmente inconsequente. O Benfica não conseguia propriamente criar verdadeiras oportunidades de golo, tinha muitas dificuldades para desequilibrar a partir dos corredores e a meia-distância não estava a sair bem pela faixa central, para além de que a armadilha do fora de jogo estava a travar muitas tentativas de jogadas. Os encarnados só ficaram realmente perto de empatar à passagem da meia-hora, quando Bah cabeceou ao lado quando estava completamente sozinho depois de um canto (32′), e o tempo ia passando sem alterações no marcador.

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Os últimos dez minutos da primeira parte voltaram a assistir a um maior equilíbrio, com o Benfica a perder capacidade para estar instalado no meio-campo contrário e o Arouca a aproveitar para soltar algumas transições rápidas ou recuperar bolas em zona adiantada. Barbero ficou muito perto de bisar nesta fase, ao atirar ao lado na sequência de um cruzamento de Diogo Monteiro na direita (38′), e os encarnados pareciam demasiado lentos e conformados para quem estava a perder.

Rafa ainda protagonizou um lance de perigo nos descontos, ao atirar à malha lateral depois de ser lançado em velocidade (45+4′), mas já nada mudou. Ao intervalo, o Benfica estava a perder com o Arouca e precisava de fazer muito mais para contrariar uma equipa de Vasco Seabra que tinha mais vontade do que talento — algo que ia bastando e sobrando para incomodar os encarnados.

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Nenhum dos treinadores fez alterações no arranque da segunda parte e o Arouca ficou muito perto de aumentar a vantagem logo nos instantes iniciais, com Hyunju Lee a obrigar Trubin a uma defesa depois de um cruzamento de Alfonso Trezza na direita (47′). O Benfica respondeu por intermédio de Lukebakio, que rematou cruzado para uma boa defesa de Arruabarrena (50′), e o empate apareceu logo a seguir: canto na esquerda e Richard Ríos, completamente sozinho e sem tirar os pés do chão, cabeceou para marcar (50′).

Os encarnados cresceram com o golo e tornaram-se mais intensos e assertivos, causando muitos calafrios à defesa dos arouquenses sempre que aceleravam nos corredores, com Pavlidis a ficar perto de marcar com um remate forte que passou ao lado (57′) e Schjelderup a atirar em jeito, mas também desenquadrado (58′). Ainda assim, o melhor período do Benfica não durou mais do que dez minutos, muito também pelo desgaste físico que ia aparecendo em alguns dos elementos do ataque, e Djouahra assustou Trubin com um pontapé que passou por cima na sequência de um cruzamento na direita (63′).

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Vasco Seabra lançou Pablo Gozálbez a 20 minutos do fim e procurou surfar a onda da melhor fase do Arouca na segunda parte, com Fukui a rematar duas vezes para Trubin defender (70′ e 71′) e o mesmo Gozálbez a atirar ao lado logo a seguir (71′). Prestianni, Ivanovic, Amar Dedic e Sudakov entraram de uma vez no Benfica, com Ríos a jogar adaptado a central devido à saída de António Silva por problemas musculares, e o tempo foi passando sem que os encarnados ficassem verdadeiramente perto da reviravolta — e, na verdade, com mais oportunidades dos arouquenses, que viram Dylan Nandín obrigar Trubin a uma boa defesa (82′) e cabecear ao lado (84′).

Anísio Cabral entrou e foi preciso esperar pelo último minuto do tempo de descontos para assistir à cambalhota no marcador, com Ivanovic a finalizar com um remate cruzado um passe de Prestianni, que aproveitou uma arrancada de Leandro Barreiro depois de uma recuperação em zona adiantada (90+6′). Amar Dedic e Alfonso Trezza ainda foram expulsos com cartão vermelho direto por terem discutido a agarrar nos colarinhos das camisolas um do outro e já nada mudou: o Benfica sofreu, mas venceu o Arouca, regressou aos triunfos no Campeonato e garantiu que não vai perder terreno para Sporting e FC Porto.

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