A Inspeção-Geral da Educação e Ciência (IGEC) arquivou o processo que tinha aberto em setembro à Academia Contemporânea do Espetáculo (ACE), no Porto, a escola artística fundada e dirigida por António Capelo, meio ano depois de ex-alunos denunciarem o ator de 69 anos por assédio sexual e moral.
“As averiguações foram arquivadas por despacho da Subinspetora-Geral da Inspeção Geral Educação e Ciência (IGEC), de 29.12.2025, tendo em conta que ‘não foram recolhidos quaisquer indícios dos factos que vieram a público e que estão na base da presente averiguação. (…) e os alegados docentes envolvidos nos factos denunciados atualmente não exercem funções na escola e contra os mesmos não há notícia de ter sido instaurado qualquer procedimento de natureza criminal”, diz o gabinete do ministro da Educação, Ciência e Inovação, que tutela a IGEC. Numa nota enviada a este jornal, o gabinete de Fernando Alexandre diz ainda que o relatório final da IGEC foi remetido para o Ministério Público.
A Inspeção-Geral de Educação abriu um processo após uma denúncia apresentada no dia 8 de setembro de 2025, na sequência de uma série de denúncias de assédio sexual e moral, a maioria das quais lançadas nas redes sociais, visando António Capelo, fundador e ex-director e professor desta escola profissional sediada no Porto. Uma reportagem de investigação do Observador deu conta de relatos que descrevem alegado assédio sexual de António Capelo sobre alunos, alguns menores, ao longo de décadas.
https://observador.pt/especiais/o-segredo-mais-mal-guardado-do-porto-relatos-descrevem-assedio-sexual-de-antonio-capelo-sobre-alunos-alguns-menores-ao-longo-de-decadas/
Perante denúncias de assédio contra António Capelo, que negou sempre as acusações, o ator cessou o vínculo à ACE e a direção da escola, constituída por Pedro Aparício e Glória Cheio, acabou por se demitir.
Meio ano depois, ACE Porto tem nova direção
A direção cessante manteve-se em funções de gestão corrente durante cinco meses, até 12 de fevereiro, quando a Academia Contemporânea do Espetáculo elegeu, por fim, uma nova direção da cooperativa.
A informação sobre a composição da nova direção da ACE — que ainda não consta no site da instituição de ensino — chega agora. Trata-se de Inês Barbedo Maia, Lola Sousa e Liliana Moreira, como confirmam ao Observador, por e-mail, esta sexta-feira à noite.
Nesse mesmo e-mail, a nova equipa afirma assumir funções “com entusiasmo e sentido de responsabilidade”, com o objetivo de “reforçar a excelência do ensino artístico” e de “fortalecer o bom nome da escola”, procurando recuperar a confiança de parceiros, público e potenciais estudantes.
Entre as prioridades da nova direção está a implementação de “códigos de conduta e procedimentos”, através de debate e ações de formação, bem como a criação de “mecanismos e intervenções preventivas que garantam a segurança de toda a comunidade educativa”. A nova direção sublinha ainda a importância de “valorizar docentes, funcionários e alunos” e de “restaurar o bom ambiente de trabalho”, além de promover novas parcerias e retomar o contacto com antigos alunos.