O 14.º dia da Guerra do Irão ficou marcado pelo ataque dos EUA à ilha Kharg, “a joia da coroa do Irão”, que é um dos mais importantes centros da indústria petrolífera do Irão. As ameaças de Donald Trump intensificaram-se, com o Presidente dos EUA crente de que o Irão está “prestes a render-se”. Nos últimos dias tem havido uma insistência de altos cargos norte-americanos para mostrar que o novo líder do Irão está fragilizado.
Esta sexta-feira houve ainda a queda de um avião de reabastecimento norte-americano no Iraque, que levou à morte de todos os tripulantes que iam a bordo. O Estreito de Ormuz continua no centro das preocupações. França e Itália a chegaram-se à frente para negociações, o Irão está a ponderar permitir a passagem de um número limitado de navios petroleiros e os EUA anunciam para “breve” a escolta de petroleiros.
No conflito registou-se ainda a morte de 12 médicos num ataque israelita a um centro de saúde no sul do Líbano, em Burj Qalaouiyah e o Ministério da Saúde libanês acusou Israel de matar pelo menos 773 pessoas desde dia 2 de março. A guerra no Irão deve também afetar um grande evento desportivo, com a Fórmula 1 prestes a cancelar os Grandes Prémios agendados para o Bahrein e Arábia Saudita.
Pode recordar os acontecimentos de quinta-feira aqui.
Estes foram os desenvolvimentos na guerra no Médio Oriente ao longo desta quinta-feira, dia 13 de março:
No Irão
- O Presidente dos EUA anunciou a concretização do que classificou como “um dos bombardeamentos mais poderosos na História do Médio Oriente”. O alvo foi a ilha Kharg, definida por Donald Trump como “a joia da coroa do Irão”. Trata-se de uma pequena ilha no norte do Golfo Pérsico que não tinha, até agora, sido atingida pelos ataques e é um dos mais importantes centros da indústria petrolífera do Irão, concentrando cerca de 90% de todas as exportações de crude iraniano.
- Vários protagonistas norte-americanos têm feito questão de destacar o facto de o novo líder do Irão, Mojtaba Khamenei, estar fragilizado. Donald Trump referiu que “está ferido, mas vivo de alguma forma”, o secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que “está ferido e provavelmente desfigurado” e J. D. Vance, vice-presidente dos EUA, disse que não se sabe “exatamente o quão grave é”, mas reiterou que está ferido.
- O principal programa de recompensas do Departamento de Estado dos EUA para a segurança nacional, o Rewards for Justice, está a oferecer até dez milhões de dólares por informações sobre os líderes da Guarda Revolucionária Islâmica. Em causa estão o novo Líder Supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, Ali Ashgar Hejazi, o secretário do Conselho de Defesa, o conselheiro de Khamenei, Yahya Rahim Safavi, um chefe de militar não identificado, Ali Larijani, Eskandar Momeni, Esmail Khatib e um comandante não especificado do grupo armado.
- Donald Trump garantiu ainda, numa videochamada com os países do G7, que o Irão está “prestes a render-se”.
- Durante esta sexta-feira, as Forças de Defesa de Israel garantiram ter atacado altos funcionários dos serviços secretos iranianos, estando agora o resultado desse ataque a ser avaliado. Nesse ataque terá sido atingida uma instalação da diretoria de inteligência de Khatam al-Anbiya, o comando de emergência.
- Dois dos maiores países europeus, França e Itália, iniciaram negociações com o Irão por causa do Estreito de Ormuz.
- O Irão poderá permitir a passagem de um número limitado de navios petroleiros no estreito de Ormuz, desde que o petróleo seja negociado em yuans, a moeda chinesa.
- Ainda sobre o estreito de Ormuz, Donald Trump insistiu que os EUA vão começar a escoltar os navios petroleiros no Estreito de Ormuz, não deu nenhum prazo, usou apenas a expressão “em breve”.
No Israel e Líbano
- Morreram todos os seis tripulantes do avião norte-americano que caiu no Iraque.
- Um ataque israelita a um centro de saúde no sul do Líbano, em Burj Qalaouiyah, matou pelo menos doze médicos, paramédicos e enfermeiros. O número de vítimas ainda pode vir a aumentar, uma vez que as equipas de buscas ainda estão à procura de desaparecidos nos escombros.
- O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu a Israel e ao movimento pró-iraniano Hezbollah para “pararem a guerra” no Líbano, onde o exército israelita está a intensificar os ataques.
- Um ataque com um rocket do grupo Hezbollah, aliado do Irão, provocou dois feridos na zona da Galileia Ocidental, no norte de Israel. Já as Forças de Defesa de Israel (IDF) bombardearam uma ponte sobre o Litani River, alegando que a estrutura estava a ser usada pelo Hezbollah para deslocar combatentes entre o norte e o sul do Líbano.
- O quartel-general de um batalhão nepalês da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) foi esta noite atingido por projéteis israelitas, em Mays al-Jabal, no sul do Líbano, noticiou a Al Jazeera. Os projéteis terão atingido o exterior das instalações e os soldados nepaleses terão escapado sem ferimentos.
- O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, ameaçou ampliar os ataques contra infraestruturas nacionais do Líbano que, segundo Israel, estão a ser utilizadas pelo grupo Hezbollah.
- O secretário-geral das Nações Unidas, o ex-primeiro-ministro português António Guterres, aterrou em Beirute na sexta-feira para uma visita que descreveu como um gesto de “solidariedade” para com o povo libanês.
- O Presidente libanês, durante o encontro com Guterres, disse não ter recebido resposta de Israel sobre negociações para um cessar-fogo na guerra com o grupo xiita Hezbollah, após ter manifestado a sua “disposição para negociar”.
- O Ministério da Saúde libanês acusou Israel de matar pelo menos 773 pessoas desde dia 2 de março.
- A Organização das Nações Unidas (ONU) lançou um apelo urgente para a angariação de 308 milhões de dólares (cerca de 270 milhões de euros) para ajudar Beirute a realojar um sétimo da sua população, que ficou desalojada desde o início da escalada do conflito armado no Médio Oriente.
No Golfo
- Cinco aviões de reabastecimento da Força Aérea dos Estados Unidos da América (EUA) na Base Aérea Prince Sultan, na Arábia Saudita, ficaram danificados depois de serem atingidos por mísseis lançados pelo Irão. Aparelhos não ficaram totalmente destruídos e já se encontram em reparação. Não há mortes a registar.
- O Ministério da Defesa do Catar afirmou ter intercetado mísseis em Doha. Foram evacuadas “diversas áreas” como medida de precaução.
- Os residentes do Dubai receberem um alerta de perigo de míssil, através dos seus telemóveis. A mensagem dizia que, “devido à atual situação, de potencial ameaça de mísseis, devem procurar um lugar seguro nos edifícios seguros mais próximos, afastar-se de janelas, portas e áreas descampadas”.
Resto do mundo
- As defesas aéreas da NATO abateram um míssil iraniano sobre o espaço aéreo da Turquia, no terceiro incidente do género no espaço de pouco mais de uma semana.
- Na sequência do míssil que foi abatido, o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, reiterou que se recusa a permitir que a Turquia seja arrastada para uma guerra por “provocações”.
- Morreu o primeiro soldado francês na guerra do Médio Oriente. Aconteceu “durante um ataque” na região de Erbil, no Curdistão iraquiano, e o anúncio foi feito pelo Presidente da França, Emmanuel Macron.
- O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, poderá viajar à China com o Presidente dos EUA, Donald Trump, durante uma prevista visita a Pequim, apesar de estar sancionado pelo Governo chinês, avançou um jornal de Hong Kong.
- António Costa, presidente do Conselho Europeu, considerou “muito preocupante” o levantamento temporário de sanções dos EUA ao petróleo russo já em trânsito, sublinhando ser uma decisão que afeta a segurança europeia.
- O ministro da Defesa do Reino Unido, John Healey, afirmou que a “mão escondida” do Presidente russo, Vladimir Putin, está por detrás de alguns dos ataques iranianos no Médio Oriente. “Acho que ninguém ficará surpreendido ao pensar que a mão escondida de Putin está por detrás de algumas das táticas iranianas e possivelmente também de algumas das capacidades” militares ao dispor do Irão, afirmou.
- O Ministério da Defesa britânico revelou que uma unidade britânica de combate a aeronaves não tripuladas abateu “vários drones durante a noite” no Iraque. Durante a noite de quinta para sexta-feira, caças britânicos realizaram operações de defesa aérea pela primeira vez sobre Bahrein.
- Itália está a preparar-se para retirar as suas forças militares de Erbil, no Iraque, depois de um ataque a uma base militar italiana na região, avançou o ministro da Defesa de Itália, Guido Crosetto.
- O Pentágono vai enviar para o Médio Oriente a Unidade de Expedicionária de Fuzileiros Navais, noticia a CNN. Trata-se de uma unidade de resposta rápida composta por cerca de 2500 fuzileiros navais e marinheiros, de acordo com a emissora, que cita três autoridades familiarizadas com o assunto.
- A Fórmula 1 está prestes a cancelar os Grandes Prémios agendados para o Bahrein e Arábia Saudita, noticia a Sky News. As corridas estavam previstas para os dias 10, 11 e 12 de abril, no Bahrein, e para os dias 17, 18 e 19 de abril, na cidade saudita de Jeddah.
- O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, expressou solidariedade para com o Iraque durante uma conversa com o homólogo iraquiano, na sequência dos ataques de Teerão que visaram o país.