Ayman Mohamad Ghazali nasceu no Líbano mas chegou aos Estados Unidos em 2011, com um visto para familiares de cidadãos norte-americanos. Foi morto esta quinta-feira, aos 41 anos, depois de ter atacado com o seu carro numa sinagoga e escola judaica numa das maiores comunidades judias dos Estados Unidos, perto de Detroit no estado do Michigan.
O atirador vivia sozinho em Dearborn Heights, a pouco menos de 30 quilómetros a norte de West Bloomfield, onde ficava o complexo de Temple Israel que atacou. Ghazali conseguiu o visto para entrar nos EUA através da mulher, cidadã norte-americana, e acabou por obter a cidadania norte-americana em 2016, detalhou o Departamento de Segurança Nacional. O casal teve filhos, mas acabou por se divorciar e os filhos ficaram a viver com a mãe nos Estados Unidos, partilhou um membro da comunidade de libanesa que conhecia Ayman com a CBS News.
No passado dia 5 de março, um ataque israelita matou quatro pessoas na sua cidade natal de Ayman, Mashgharah, no leste do Líbano. As quatro vítimas mortais seriam familiares de Ayman, segundo detalhou um responsável local libanês à Associated Press.
Kassim Ghazali, treinador de futebol e personal trainer, e Ibrahim Ghazali, condutor de autocarros escolares na localidade, eram irmãos de Ayman. Ali, de 7 anos, e Fatima, de 4 anos, eram filhos de Ibrahim e sobrinhos de Ayman. Os quatro foram mortos quando a família estava reunida para assinalar o Iftar, a refeição utilizada para quebrar o jejum durante o mês religioso do Ramadão.
Na mesma casa estava também a cunhada de Ayman — mulher de Ibrahim — e os pais que ficaram feridos e continuam internados no hospital, segundo relatou o presidente da câmara de Mashgharah à NPR. O pai de Ayman tinha regressado recentemente ao Líbano, depois de ter vivido nos Estados Unidos.
A morte dos irmãos e dos sobrinhos terá sido um ponto de viragem para Ayman. Deixou de aparecer no trabalho num restaurante em Dearborn Heights e isolou-se em casa, relatou o membro da sua comunidade. Na véspera de entrar com o carro na sinagoga de Temple Israel, Ayman terá telefonado à ex-mulher, pedindo-lhe que tomasse conta dos seus filhos. A mulher telefonou por sua vez às autoridades e a familiares que viviam próximo de Ayman para confirmar se estava bem.