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Juan Carlos não pensa deixar Abu Dhabi apesar da guerra: "Aqui estou muito seguro e bem cuidado"

Ex-monarca espanhol em exílio voluntário nos Emirados Árabes Unidos desde 2020 permanece no país do Golfo Pérsico, apesar da ameaça iraniana. Segurança e solidariedade motivam a decisão.

Mariana Carvalho
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Juan Carlos I não deve regressar a Espanha, apesar dos bombardeamentos iranianos nos Emirados Árabes Unidos, avançou, esta sexta-feira, o diário El Español. Num gesto de solidariedade para com Abu Dhabi, admite: “Aqui estou muito seguro e bem cuidado.”

O ex-monarca adiou a visita ao país de origem — por ocasião da regata anual de Sanxenxo, na província da Galiza, e para efetuar exames médicos —, prevista para quinta-feira, segundo o El Mundo. Uma opção, explicaram fontes próximas ao antigo Chefe de Estado espanhol, relacionada com preocupações relativas à segurança, dada a situação de guerra no Médio Oriente. O cancelamento da viagem foi também decidido após a divulgação de documentos confidenciais que esclareceram o envolvimento de Juan Carlos na tentativa de golpe de Estado frustrada em Espanha, em 1981.

A ofensiva dos EUA e Israel sobre o Irão, que retaliou com ataques em vários países do Golfo Pérsico, acelerou a mudança temporária já prevista, motivada por obras nas instalações, da casa do ex-Rei para um hotel de alta segurança no bairro financeiro de Abu Dhabi. O El Español avança que Juan Carlos terá abandonado a residência na ilha de Nurai, desprovida das infraestruturas de defesa necessárias, há aproximadamente duas semanas.

Na “maior operação de repatriamento da sua história”, o Ministério dos Negócios Estrangeiros espanhol estimou ter evacuado 7.000 cidadãos do Oriente Médio desde 28 de fevereiro, data em que estalou o conflito no Irão. O ministro José Manuel Albares afirmou que “qualquer espanhol, incluindo o Rei emérito, tem a atenção e o apoio da embaixada“.

O Rei emérito de Espanha reside nos Emirados Árabes Unidos desde agosto de 2020, altura em que comunicou ao filho, o Rei Felipe VI, o abandono do país, após a polémica investigação das suas finanças pessoais — da qual foi entretanto absolvido. Sob a proteção do líder Mohammed bin Zayed Al Nahyan, com quem mantém uma estreita amizade e que, segundo o ex-monarca, lhe providencia “tudo o que possa precisar”, habita numa mansão avaliada em mais de 11 milhões de euros na ilha particular de Nurai, apenas acessível de barco e avião.

Apesar dos escândalos que culminaram na sua abdicação em 2014, várias vozes da política espanhola pediram o regresso do ex-Rei, em exílio voluntário nos Emirados Árabes Unidos, entre as quais o líder da oposição, Alberto Núñez Feijóo. O presidente do Partido Popular admitiu no X que Juan Carlos deve “passar a última etapa da sua vida com dignidade e no seu país”, após evidências de que ignorava a preparação do golpe e teve um papel decisivo na manutenção da democracia. Em nome do governo, o Ministro da Presidência declarou que a “decisão depende exclusivamente dele”.