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(A) :: Adiós Espanha!

Adiós Espanha!

Nova guerra civil assola Espanha: do Estado contra a iniciativa privada, do senso comum contra o apoio à teocracia iraniana, da honestidade contra a corrupção do PSOE, da liberdade contra a censura.

Paulo Ferreira
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O cristianismo floresceu pela primeira vez na atual Espanha sob a égide dos Visigodos, que, rejeitando a heresia ariana, abraçaram os caminhos de Cristo, criando uma forma elevada de civilização até à chegada dos árabes, que trouxeram destruição sobre os habitantes originais. A conquista da Península Ibérica, iniciada pelo berbere africano Tarik, que chegou de Marrocos (a montanha de onde suas forças lançaram os primeiros ataques foi renomeada Djebel-al-Tarik, ou Gibraltar Espanhol), avançou até mesmo para a França. Contudo, apesar dos ataques que infligiram a populações e comunidades inteiras, os árabes não conseguiram destruir a vontade de luta dos castelhanos, que, sob cerco por um inimigo maior, começaram a sua reconquista pela faixa mais setentrional da Espanha, abrangendo apenas 40 milhas, entre o cume das Montanhas Asturianas e a Baía de Biscaia.

A Caverna de Covadonga, o refúgio de Pelágio, que derrotou os árabes pela primeira vez, serviu como ponto de partida para a árdua recuperação da Espanha, que levou 780 anos e expulsar os mouros – as forças combinadas de árabes muçulmanos e berberes -, apesar da tendência dos espanhóis para a dissidência e a anarquia (nomeadamente o reino de Leão separando-se de Castela e tornando-se Portucale). O Islão, como um todo, é incompatível com o impulso libertário dos espanhóis, pois naturalmente tende para o fatalismo (Kismet) e nega o livre-arbítrio do homem, sendo conduzido pela vontade divina e pela predestinação total(itarista).

A ameaça islâmica dissipou-se, substituída por um novo perigo: o centralismo político. O século XIX foi marcado pelo caos devido às invasões napoleónicas, seguidas pelas perseguições respetivas entre absolutistas e liberais, e liberais e absolutistas durante o reinado de Fernando VII, seguido pelo reinado de Isabel II, que incluiu 41 governos e 2 guerras civis entre 1833 e 1868, antes de ser deposta do trono, 2 regências e 3 novas constituições, gerando a 1ª República Espanhola – saudada pelos internacionalistas –, 15 golpes de estado lançados pelos militares, assassinatos políticos, conflitos com os Estados Unidos, revoltas em Cuba e a perda de terras coloniais como as Filipinas, Puerto Rico e Cuba, e 27 novos governos entre os reinados de Isabel II e Afonso XIII.

A 2.ª República caótica e o assassinato de José Calvo Sotelo levaram à eclosão de outra guerra civil, mais violenta do que as anteriores, com intervenção internacional da Alemanha nazi, Itália fascista e União Soviética. A ascensão e triunfo de Franco induziu o enfraquecimento dos grupos autónomos – que será abordado – e a ascensão do estado total e providencial (na época do Franco, era muito difícil despedir empregados ineficientes devido a rígidos estatutos laborais, o que impunha um grande fardo empreendedor sobre o “material morto” que carregava. Os socialistas continuaram o legado dele).

Hoje, uma nova guerra civil assola a Espanha: uma guerra económica travada pelo Estado contra a iniciativa privada, aumentando os impostos e endividando o país; o senso comum contra a loucura ao apoiar a teocracia iraniana e condenar o Israel democrático e, mais uma vez, os socialistas ecoam subconscientemente Franco, já que ele foi o primeiro líder espanhol apoiar a causa palestiniana e foi-lhe concedido o título honorífico de haji  por servir os interesses do mundo muçulmano; honestidade contra corrupção com o PSOE a manipular as eleições internas; liberdade contra servidão ao instituir a censura através da Huella del Odio y la Polarización (Pegada do Ódio e da Polarização). A decadência da Espanha está perto de se completar e a esquerda permanece em silêncio sobre todos os escândalos em torno do governo de Sánchez.

O maior erro das personalidades socialistas é a suposição de virtude numa ideologia tão moralmente corrupta e destrutiva como o socialismo. Este é o argumento da Nova Esquerda não contaminada pela nostalgia soviética: não é a ideia que está errada, são as pessoas que distorcem os ideais – neste caso – do PSOE. Mas não há salvação para uma ideologia construída sobre inveja e ódio. Ou ela desmorona devido às suas ineficiências e contradições, ou se lança em direção ao poder total, abandonando a sua pele “moderada”. Como vemos com este terceiro governo do Pedro Sanchez, composto de socialistas e comunistas, coligados por nacionalistas independentistas desde a Catalunha, Galícia e mais perigosamente, os bascos, o país inteiro é um barril de pólvora pronto para ser incendiado.

Um provérbio sobre os bascos é frequentemente lançado à volta da fogueira: “São um povo abençoado, se não forem incomodados”, pois, uma vez que veem sangue, perdem toda a razão. Durante a Guerra Civil Espanhola, em troca da promessa de uma autonomia abrangente, os nacionalistas bascos colaboraram criminosamente com os republicanos, massacrando padres e freiras para proteger os seus fueros ou costumes e privilégios. Os galegos, que de muitas formas se assemelham aos portugueses, também exigem a sua própria liberdade. Isto só realça as falhas graves do centralismo castelhano imposto ao país, e a disposição de Sánchez em colaborar com esses nacionalistas – por norma, esquerdistas – para manter o seu lugar como primeiro-ministro.

O resultado é uma balcanização de Espanha que, embora no papel pareça mais promissora, acaba por engendrar a divisão da sua parte da Península Ibérica em facões separatistas, elevando as tensões linguísticas e étnicas a um nível perigoso, permitindo ao mesmo tempo a entrada de imigrantes ilegais no país e criando uma classe de subsídio-dependentes ao regularizar 1,35 milhões de migrantes. Se há uma coisa que une marxistas, tradicionalistas e islamistas, é o ódio à liberdade que os espanhóis guardam no coração há séculos. A ameaça marxista-islamista, pronta para engolir a Espanha em fogo infernal, não deve ser ignorada pelos portugueses. Mas acima de tudo, os Espanhóis não podem esquecer das suas raízes.