Miguel Loureiro, diretor artístico do Teatro Municipal São Luiz, vai acumular as funções como diretor artístico do Teatro do Bairro Alto (TBA), enquanto o Museu do Aljube vai ser dirigido por Anabela Valente, anunciou esta sexta-feira a empresa municipal de cultura da Câmara de Lisboa, antiga EGEAC.
É o desfecho de uma semana conturbada nos equipamentos municipais geridos pela Câmara de Lisboa. Terça-feira, Francisco Frazão revelou ao jornal Público que não seria reconduzido no cargo de diretor artístico do TBA, um dos teatros municipais sob a tutela da Câmara de Lisboa, por decisão da Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural. Quinta-feira foi a antiga deputada comunista Rita Rato a anunciar que tinha sido afastada da direção do Museu do Aljube — Resistência e Liberdade.
Tanto a saída de Francisco Frazão como a de Rita Rato têm gerado reações de figuras de relevo no seio cultural. Questionada, a EGEAC não explica os motivos para o afastamento destes dois dirigentes. Também não explica as escolhas que agora se conhecem, com um curto comunicado a anunciar os novos dirigentes enviado às redações. Contactado pelo Observador na manhã desta sexta-feira, Miguel Loureiro remetia explicações para o Conselho de Administração da EGEAC, que se mostrou indisponível para responder a este jornal.
No caso de Anabela Valente, destacada na EGEAC, chega por nomeação ao Aljube, tendo já coordenado também o Gabinete de Estudos Olissiponenses e sido vogal no Conselho de Administração do Museu Nacional Ferroviário. É conhecida também pelo seu papel na maçonaria, tendo sido eleita em 2024 Grã-Mestra da Grande Loja Feminina de Portugal.
De acordo com o comunicado da empresa municipal “os restantes dirigentes dos equipamentos culturais serão reconduzidos nos respetivos nos cargos”, pondo fim à especulação sobre a possível saída de outros diretores de equipamentos cujos mandatos findam no final deste mês.
Tal como o Observador tinha noticiado em fevereiro, a empresa municipal de cultura fez uma série de contratos de curta duração com diretores de equipamentos enquanto aguardava por um novo conselho de administração da empresa, que entretanto entrou em funções. Acompanham agora Pedro Moreira os vogais Rosália Rodrigues Moreira e Rui Manuel Penedo.
As mudanças agora conhecidas surgem depois de Margarida Bentes Penedo, deputada municipal do Chega, ter criticado duramente a programação do TBA, equipamento municipal dedicado à apresentação de projetos artísticos experimentais, numa reunião da Assembleia Municipal de Lisboa, onde chegou a exigir uma oferta cultural “de direita”. A intervenção gerou forte contestação pública no meio cultural, mas as alterações na estrutura ligada ao espaço acabam por sugerir que a polémica pode ter precipitado uma série de mudanças no equipamento.
Isto acontece num momento em que a influência do campo político ligado ao Chega ganha novo peso na governação municipal. Em fevereiro, o Presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), anunciou que passará a governar com maioria absoluta ao delegar competências na vereadora independente Ana Simões Silva, eleita pelo Chega e entretanto desfiliada.