O apoio da União Europeia (UE) às forças do Ruanda que combatem o terrorismo em Cabo Delgado, Moçambique, termina em maio, não havendo negociações para a sua continuidade, disse esta sexta-feira à Lusa fonte da UE.
“O apoio em curso, no montante de 20 milhões de euros, às Forças de Defesa do Ruanda (RDF) ao abrigo do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz decorre até maio de 2026. Até ao momento, não estão previstas medidas adicionais no âmbito deste mecanismo para além deste período”, disse fonte da delegação da UE em Moçambique, questionada pela Lusa.
Mais de 2.000 militares do Ruanda colaboram nas operações de segurança das forças moçambicanas, sobretudo próximo ao megaprojeto de gás da TotalEnergies, em Cabo Delgado, cuja construção foi retomada em janeiro, quase cinco anos após a suspensão devido aos ataques terroristas.
A fonte da delegação da UE explicou igualmente que o “beneficiário desta medida de assistência” é a República do Ruanda, “com a sua implementação a cargo do seu Ministério das Finanças e do Planeamento Económico”, acrescentando que não há negociações em curso para um novo apoio.
O Conselho da União Europeia (UE) aprovou a 18 de novembro um apoio adicional de 20 milhões de euros para as forças do Ruanda no combate ao terrorismo em Cabo Delgado, em Moçambique, considerando que este destacamento “tem sido fundamental”.
“O Conselho adotou hoje um complemento de 20 milhões de euros a uma medida de assistência existente ao abrigo do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz para continuar a apoiar o destacamento da Força de Defesa do Ruanda na província moçambicana de Cabo Delgado”, indica na altura, em comunicado, a estrutura que junta os Estados-membros da UE.
A instituição explicou então que este apoio permitiria a aquisição de equipamento pessoal, cobrindo os custos relacionados com o transporte aéreo estratégico necessário para apoiar o destacamento ruandês em Cabo Delgado.
Este destacamento teve início em julho de 2021, a pedido das autoridades moçambicanas para apoiar a luta contra o terrorismo em Cabo Delgado e, de acordo com a posição então transmitida pelo Alto Representante da UE para os negócios estrangeiros e política de segurança “tem sido fundamental para fazer progressos”.
“E continua a ser fundamental, especialmente tendo em conta a recente retirada da Missão da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral em Moçambique”, vincou Josep Borrell, observando que “esta medida de reforço é um testemunho do apoio da UE às ‘soluções africanas para os problemas africanos’ e, como parte da luta global contra o terrorismo, servirá também os interesses da UE na região”.
A verba adicional complementa a medida de assistência paralela, no valor de 89 milhões de euros, às Forças Armadas moçambicanas anteriormente formadas pela Missão de Formação da UE Moçambique.
O Mecanismo Europeu de Apoio à Paz foi criado em março de 2021 para financiar ações externas da UE com implicações militares ou de defesa, visando prevenir conflitos, preservar a paz e reforçar a segurança e a estabilidade internacionais.
Desde outubro de 2017, a província de Cabo Delgado, rica em gás, enfrenta uma rebelião armada com ataques reclamados por movimentos associados ao grupo extremista Estado Islâmico que se estima terem provocado cerca de 6.500 mortos.