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Guerra do Irão. O que aconteceu no último dia?

Situação no Estreito de Ormuz agrava-se e ataques a navios alastram pelo Golfo Pérsico. Seis militares franceses ficaram feridos num ataque em solo iraquiano. Khamenei emitiu a sua primeira mensagem.

Cátia Bruno
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O 13.º dia da Guerra do Irão ficou marcado por um agravamento da situação no Estreito de Ormuz, com mais ataques iranianos a navios. O Reino Unido fala em mais de 20 incidentes, que envolvem não apenas embarcações ocidentais, mas também navios chineses e um tailandês, por exemplo, o que indicia que o objetivo de Teerão é a disrupção do comércio mundial — que a Agência Internacional de Energia já classifica como “a maior da História”.

Houve mais ataques em solo iraniano, israelita e dos países do Golfo, e a ofensiva israelita no Líbano não abrandou. Mas o conflito alastra-se cada vez mais ao Iraque, com ataques a navios na sua costa. A destruição de instalações das Forças de Mobilização Popular, um organismo-chapéu iraquiano de vários grupos paramilitares,  levou a críticas do primeiro-ministro do país. Também no Iraque, as milícias pró-iranianas atacaram uma base italiana e outra francesa, ferindo seis soldados.

O novo Líder Supremo, Mojtaba Khamenei, emitiu a sua primeira mensagem oficial. Numa declaração por escrito divulgada na televisão, Khamenei declarou que o Irão pode “abrir novas frentes”. Já o Presidente norte-americano, Donald Trump, declarou que impedir que o Irão desenvolva armamento nuclear é “de longe muito mais importante” do que controlar o preço do petróleo.

Pode recordar os acontecimentos de quarta-feira aqui.

Estes foram os desenvolvimentos na guerra no Médio Oriente ao longo desta quinta-feira, dia 12 de março:

No Irão

  • Registaram-se ataques israelitas a várias cidades iranianas: Teerão, Ahvaz, Karaj, Shiraz, Kashan, Isfahan e Dezful.
  • Israel e os EUA atingiram cinco infraestruturas das forças de segurança interna iranianas, como bases do Comando de Aplicação da Lei (LEC) em Khorramabad e Shaneh, centros de operação das milícias Basij em Sahnen e Shahriar e uma instalação da Guarda Revolucionária na província de Bushehr. Atingiram ainda duas bases militares em Ahvaz e Sarvestan.
  • As IDF atingiram Taleghan 2, um complexo militar que foi usado para testes nucleares até 2003.
  • Norte-americanos e israelitas atacaram instalações da Organização das Indústrias de Defesa (em Yazd) e uma fábrica de produção de mísseis e drones em Parand.
  • EUA e Israel atingiram três bases aéreas em Bandar Abbas, Dezful e Shiraz.
  • Os militares norte-americanos disseram que já destruíram mais de 30 navios iranianos que estavam a minar o Estreito de Ormuz. O Presidente francês, Emmanuel Macron, disse no entanto “não ter confirmação” de que o Irão esteja a colocar minas no Estreito de Ormuz.
  • A Guarda Revolucionária confirmou ter disparado contra dois navios no Estreito. Um deles seria um navio de bandeira tailandesa, que foi resgatado pela Marinha do Omã. Banguecoque exigiu um pedido de desculpas a Teerão.
  • O Reino Unido disse ter registado mais de 20 incidentes marítimos no Estreito, destacando que o Irão não está a focar-se apenas em navios ocidentais, mas de todo o mundo, incluindo os chineses. O objetivo será o de perturbar o comércio marítimo mundial como um todo.
  • O secretário da Energia norte-americano, Chris Wright, declarou que os EUA “simplesmente não estão preparados” para fazer escolta a navios no Estreito de Ormuz.
  • Media ligados à oposição iraniana noticiaram que se estará a formar uma brecha entre o Exército iraniano (Artesh) e a Guarda Revolucionária. Os primeiros estarão com falta de munições e de mantimentos, mas a Guarda tem recusado transportar os militares feridos e tem invocado as suas próprias limitações para rejeitar os pedidos.
  • Registaram-se grandes manifestações pró-regime em Teerão.
  • O novo Líder Supremo, Mojtaba Khamenei, fez a sua primeira declaração desde que foi nomeado. Numa mensagem escrita que foi transmitida na televisão, Khamenei decretou que o Irão pode “abrir novas frentes” e que deve continuar a bloquear o Estreito de Ormuz. Declarou que os ataques iranianos aos países do Golfo se têm focado apenas nas bases aéreas norte-americanas, o que não é verdade.
  • Yahya Rahim Safavi, conselheiro sénior do Líder Supremo, classificou Donald Trump como “o Presidente americano mais corrupto e mais estúpido” e comparou-o a “Satã”.
  • O conselheiro de segurança Ali Larijani avisou que, se a infraestrutura elétrica iraniana for destruída, o Irão mergulhará toda a região na escuridão “no espaço de meia-hora”.
  • Os media estatais iranianos relatam que a mulher de Mojtaba Khamenei afinal está viva.
  • Ao todo, pelo menos 1.348 civis iranianos morreram e mais de 17 mil ficaram feridos desde o início dos ataques.
  • As Nações Unidas anunciaram que mais de 3,2 milhões de pessoas no Irão estão deslocadas.

Em Israel e no Líbano

  • O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, declarou que a operação militar “vai continuar sem qualquer limite de tempo, o tempo que for preciso, até que se atinjam todos os objetivos e vençamos a campanha”.
  • O Irão disparou vários mísseis contra Israel. Um deles caiu perto do Muro das Lamentações e da mesquita Al-Aqsa, em Jerusalém.
  • Israel disparou contra Beirute. Há registos de pelo menos 12 mortos na zona costeira.
  • As IDF atingiram dez centros de comando do Hezbollah, incluindo da Força Radwan (serviços de informações do Hezbollah). Mais de 100 membros das Radwan terão morrido desde o início da guerra.
  • Israel atacou um local usado pelo Hezbollah em Bashura (Beirute) para esconder milhões de dólares.
  • Os ataques israelitas mataram vários comandantes do Hezbollah, entre eles Ali Muslim Tabaja, comandante da brigada Imã Hussein e um dos líderes mais destacados nos ataques a Israel.
  • As IDF planeiam alargar a sua ofensiva terrestre no sul do Líbano, com o ministro da Defesa a garantir que Israel vai “tomar o território”.
  • O Hezbollah disparou 200 rockets contra território israelita na noite de quarta para quinta-feira, a “maior saraivada” desde que a guerra começou.
  • O ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Hakan Fidan, pediu a Israel que páre os bombardeamentos contra o Líbano “antes que este caia”, o que “afetaria profundamente toda a região”.
  • Ao todo, 14 soldados israelitas ficaram feridos desde o início da guerra. Só no último dia, 179 civis do país foram feridos.
  • O número de mortos no Líbano é agora de 687. Mais de 800 mil pessoas estão deslocadas.

No Golfo

  • O Irão fez um ataque com drones contra o hotel Address Creek Harbour no Dubai (Emirados Árabes Unidos).
  • Ataques com mísseis atacaram instalações energéticas em Fujairah e Sharjah, nos Emirados.
  • Um ataque com drones ao aeroporto do Kuwait provocou danos materiais. Registaram-se ainda outros quatro ataques com drones e cinco com mísseis contra o país.
  • O Irão atacou depósitos de combustível em Muharraq, no Bahrein.
  • O Ministério da Administração Interna do Bahrain declarou que o país deteve quatro cidadãos por suspeitas de espionagem para a Guarda Revolucionária do Irão.
  • A Arábia Saudita intercetou seis drones iranianos que tinham como alvo o campo petrolífero de Shaybah, um drone que tinha como alvo uma zona de embaixadas e outro na zona leste do país.
  • A petrolífera estatal saudita Aramco está em negociações para comprar drones ucranianos.
  • Um ataque com um drone danificou vários depósitos de combustível no porto de Salalah, no Omã. O Irão negou ser responsável.

No resto do mundo

  • Vários navios foram atacados no Golfo Pérsico, perto do Iraque, com dois petroleiros a incendiarem-se (um marinheiro terá morrido).
  • Os norte-americanos e israelitas atacaram várias infraestruturas das Forças de Mobilização Popular em várias zonas do Iraque.​ As Forças de Mobilização Popular são um organismo de Governo iraquiano que controla vários grupos paramilitares, incluindo várias milícias pró-iranianas, que seriam o alvo. O primeiro-ministro iraquiano condenou os ataques.
  • As milícias iraquianas pró-Teerão atacaram várias bases militares norte-americanas no Iraque, com foco em zonas de apoio a diplomatas.
  • As mesmas milícias também atacaram forças europeias colocadas no Iraque. Uma base italiana foi atingida por um míssil e uma francesa foi alvo de um ataque com drones, que feriu seis soldados franceses. Algumas fontes iranianas sugerem que o ataque pode ter sido uma retaliação por Paris ter colocado o porta-aviões Charles de Gaulle na guerra, o que pode ser um sinal de que as forças europeias também se tornarão alvos militares se se posicionarem de forma favorável à ofensiva norte-americana e israelita.
  • O chanceler alemão, Friedrich Merz, disse estar a reforçar as medidas de segurança por receio de ataques terroristas ligados ao Irão.
  • O Presidente norte-americano declarou que irá ser “praticamente impossível” reconstruir o Irão depois desta ofensiva. Donald Trump declarou que impedir que o país desenvolva armamento nuclear é “de longe muito mais importante” do que controlar o preço do petróleo.
  • Os especialistas alertam que os Estados Unidos já consumiram grandes quantidades de munições, incluindo mísseis Tomahawk. Soube-se ainda que a ofensiva militar já custou 11 mil milhões de dólares aos Estados Unidos só nos primeiros seis dias do conflito.
  • O ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Hakan Fidan, avisou os EUA e Israel de que “não deve haver um desafio à integridade territorial do Irão e não se deve tentar uma mudança de regime”.
  • Os chefes da diplomacia dos países da Associação das Nações do Sudeste Asiático convocaram uma reunião para esta sexta-feira, para discutir a situação no Médio Oriente.
  • O enviado presidencial russo Kirill Dmitriev disse ter estado em conversações com os norte-americanos sobre a crise energética.
  • A Organização Internacional Marítima convocou uma “sessão extraordinária” para a próxima semana.
  • A Agência Internacional de Energia descreveu a situação atual de disrupção no abastecimento de petróleo como “a maior na História” e anunciou que vai libertar um valor recorde de 400 milhões de barris. Os Estados Unidos também vão contribuir com 172 milhões de barris.
  • O preço do petróleo voltou a estar acima dos 100 dólares por barril.