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(A) :: Bombardeamentos paquistaneses causaram quatro mortos na capital do Afeganistão

Bombardeamentos paquistaneses causaram quatro mortos na capital do Afeganistão

Afeganistão diz que Paquistão bombardeou "mais uma vez Cabul, Kandahar" e a várias regiões fronteiriças, acusando o país vizinho de atingir "residências civis" e matar "mulheres e crianças".

Agência Lusa
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O Governo talibã do Afeganistão acusou esta sexta-feira o Paquistão de bombardear Cabul, bem como outras partes do país, causando pelo menos quatro vítimas mortais na capital.

“Dando continuidade à sua agressão, o regime militar paquistanês bombardeou mais uma vez Cabul, Kandahar” – uma cidade no sul do Afeganistão – e as regiões fronteiriças de “Paktia, Paktika e outras”, escreveu o porta-voz do Governo.

Numa mensagem publicada na rede social X, Zabihullah Mujahid afirmou, sem fornecer pormenores, que “mulheres e crianças” foram mortas nos ataques paquistaneses.

Em Cabul, quatro pessoas morreram e 15 ficaram feridas num bombardeamento paquistanês que atingiu “residências civis” na zona leste da cidade, informou Khalid Zadran, porta-voz da polícia da capital afegã.

“Na zona de Guzar, no 21.º distrito de Cabul, residências civis foram alvo de um bombardeamento por parte do regime paquistanês que fez quatro mortos e 15 feridos”, escreveu Zadran na rede social X.

Em Kandahar, cidade no sul do país onde vive o líder supremo dos talibãs, Hibatullah Akhundzada, os ataques aéreos paquistaneses atingiram o depósito de combustível da Kam Air, junto ao aeroporto, segundo o Governo afegão.

Há meses que Islamabade acusa o Afeganistão de abrigar militantes talibãs paquistaneses, que reivindicaram a responsabilidade por inúmeros ataques mortais no Paquistão, bem como do Estado Islâmico do Khorasan, algo que as autoridades afegãs negam.

Após meses de escaramuças, os dois países vizinhos enfrentam-se desde 26 de fevereiro, dia em que o Afeganistão lançou uma ofensiva fronteiriça em resposta a ataques aéreos paquistaneses.

O Paquistão declarou então “guerra aberta” às autoridades talibãs, bombardeando nomeadamente a capital afegã, Cabul, em 27 de fevereiro.

https://observador.pt/especiais/de-amigos-a-inimigos-a-guerra-aberta-entre-o-paquistao-e-os-taliba-o-pior-ainda-esta-para-vir/

Também foi visada a antiga base norte-americana de Bagram, a norte de Cabul, e Kandahar, uma cidade do sul onde reside, recluso, o chefe supremo dos talibãs afegãos, Hibatullah Akhundzada.

Desde então, ocorrem regularmente confrontos nas zonas fronteiriças.

Segundo um balanço da missão das Nações Unidas no Afeganistão (Unama) de 5 de março, 56 civis afegãos, entre os quais 24 crianças, foram mortos desde a intensificação dos confrontos fronteiriços.

Entre terça e quinta-feira, sete pessoas, incluindo crianças, foram mortas por bombardeamentos paquistaneses em regiões fronteiriças do leste e sudeste do Afeganistão, segundo responsáveis afegãos e fontes médicas.

O conflito provocou 115 mil deslocados internos no Afeganistão, de acordo com o Alto-Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR).

O Paquistão, que tem armas nucleares, e o Afeganistão são vizinhos do Irão, alvo de uma ofensiva militar de grande escala lançada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel, que desencadeou uma nova guerra no Médio Oriente.