O Presidente brasileiro, Lula da Silva, disse esta sexta-feira que revogou o visto de um assessor do chefe de Estado norte-americano que tencionava visitar Jair Bolsonaro na prisão. De acordo com Lula da Silva, o assessor sénior para a política dos EUA em relação ao Brasil no Departamento de Estado dos Estados Unidos, Darren Beattie, só entrará no país quando o ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, cujo visto foi revogado no ano passado pelo Governo norte-americano, puder entrar nos Estados Unidos.
“Aquele cara americano que disse que vinha para cá, para visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil, enquanto não liberar os vistos do ministro da Saúde, que está bloqueado”, afirmou Lula da Silva durante um evento no Rio de Janeiro.
Antes da tomada de posição, o Supremo Tribunal Federal já tinha anulado a autorização concedida ao assessor, após o Governo alertar contra uma possível interferência estrangeira, anulando a medida tomada pelo juiz Alexandre de Moraes dois dias antes.
O juiz do STF Alexandre de Moraes revogou na quinta-feira a autorização que ele próprio tinha concedido, dois dias antes, para que o ativista conservador Darren Beattie visitasse Bolsonaro na prisão em 18 de março. Beattie tinha anteriormente acusado Moraes de perseguir Bolsonaro e os seus apoiantes e defendeu a imposição de sanções ao juiz.
Também na quinta-feira, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil sublinhou que os EUA apenas disseram que Beattie viajaria “para uma conferência sobre minerais críticos e para reuniões oficiais com representantes do Governo brasileiro“. Além disso, o chefe da diplomacia do Brasil, Mauro Vieira, disse que “a visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”.
*Notícia atualizada às 18h50 com a decisão de Lula