Aumenta o número de agentes da PSP sob suspeita, na esquadra do Rato. Desta vez, o Expresso noticia que há mais seis agentes suspeitos de terem estado envolvidos nos episódios de tortura a sem-abrigo, toxicodependentes, imigrantes e pessoas de “acentuada fragilidade pessoal”, tendo já sido interrogados e alvo de buscas.
Segundo escreve o semanário na edição desta quinta-feira, alguns dos agentes terão participado ativamente nas agressões; outros terão assistido, sem as impedir, ou partilhado imagens e filmagens em grupos de Whatsapp.
O Expresso cita o despacho de acusação do Ministério Público, revelando que estes agentes ainda não foram constituídos arguidos, mas é provável que se juntem aos nove agentes que já estão em prisão preventiva na prisão de Évora.
Esta semana tinham ficado em prisão preventiva sete agentes por suspeitas dos crimes de tortura grave, violação consumada e tentada, abuso de poder, detenção de arma proibida, ofensas à integridade física graves e qualificadas — ocorridos, maioritariamente, na esquadra do Rato.
A medida de coação foi aplicada porque o Ministério Público acredita que há “perigo de continuação da atividade criminosa, perturbação grave da tranquilidade e ordem públicas e perigo de conservação e aquisição da prova”. Foram abertos processos disciplinares na PSP a todos estes agentes.
Em janeiro, os dois primeiros jovens agentes tinham sido acusados de crimes semelhantes: teriam sodomizado dois sem-abrigo e “crucificado” uma mulher na esquadra do Rato, gravando e partilhando as imagens as agressões. O Ministério Público nunca tinha descartado acusar outros polícias, coautores dos mesmos factos.
Como confirmou o Observador, um dos agentes terá mesmo realizado uma cirurgia plástica ao rosto para passar despercebido.
A PSP manifestou em comunicado, no último sábado, a sua intenção de colaborar com as autoridades, frisando que “logo que teve conhecimento dos factos, denunciou, executou diversas diligências processuais, procedeu a outras diligências de investigação, sempre sob a coordenação e direção do Ministério Público”.