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Presidente da TMP diz que app digital do Andante chegará a sistemas iOS até ao verão

Empresa está apostada na "desmaterialização" e quer seguir modelo semelhante ao Uber. TMP acredita que "daqui a cinco ou seis anos" cartão físico terá sido substituído pelo telemóvel.

Agência Lusa
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O presidente da Transportes Metropolitanos do Porto (TMP) anunciou esta quinta-feira que “entre maio e junho” a aplicação móvel Anda, do bilhete Andante, estará disponível nos sistemas operativos iOS, bem como pagamentos através de Apple Pay e Google Pay.

“Até o final do primeiro semestre deste ano, julgamos que entre maio e junho, teremos o Andante totalmente desmaterializado e emulado para o sistema iOS e introduziremos também a possibilidade de fazer o pagamento através do Google Pay e através do Apple Pay”, disse esta quinta-feira Nuno Neves de Sousa numa apresentação no Seminário de Transporte Rodoviário, organizado pelo jornal Transportes & Negócios, que decorre esta quinta-feira num hotel do Porto.

O responsável lembrou que, nos sistemas operativos Android, “já é possível (…) ter o Andante completamente desmaterializado e fazer a validação através do telemóvel”, sendo necessário “passar para o século XXI definitivamente” em termos de digitalização e “deixar as palavras e passar aos atos”, vincou o responsável, que assumiu a presidência da TMP este ano, sucedendo a Marco Martins.

O que queremos é ser um género de Uber em que o cartão de crédito que está associado à conta Uber é o Andante. No fundo, nós queremos continuar a desmaterializar o Andante”, frisou, dizendo mais à frente que acredita “piamente que daqui a cinco anos, seis anos, o Andante físico vai desaparecer, toda a gente vai usar o telemóvel”.

As promessas de implementação da aplicação Anda em sistemas iOS já têm alguns anos, e já era objetivo da TMP ter o serviço implementado em 2025 e até em 2024, ainda pela antecessora Transportes Intermodais do Porto (TIP), tendo o trabalho sido iniciado em 2022.

Esta quinta-feira, Nuno Neves de Sousa afirmou ainda que “o verdadeiro sucesso de um sistema de mobilidade mede-se pela capacidade de trazer novos passageiros”, elencando como prioridade estratégica “a informação ao público”.

“As pessoas acreditam na Metro do Porto porque chegam ao Metro do Porto e existe um sistema previsível de quando é que o metro vai chegar. Hoje numa paragem, num abrigo de autocarro, isso não é possível. Ainda não existe uma aplicação que seja democrática para todos”, observou.

Na sua intervenção, Nuno Neves de Sousa salientou que o número de validações no sistema Andante “cresceu 5,6% em 2025 e ultrapassou os 210 milhões de validações”.

“Temos três anos e o nosso objetivo, e digo aqui abertamente, é que no final dos três anos, os 5,6% passem para um crescimento, nos cinco anos seguintes, de dois dígitos”, afirmou o novo presidente da TMP.

Para tal, conta ainda com o lançamento de “um programa em todas as escolas de terceiro ciclo e secundárias da Área Metropolitana do Porto, uma campanha muito, muito forte para que as crianças tenham uma ação de sensibilização e que possam, n loco, tirar o passe sub-23″.

Antevendo o futuro, falou ainda sobre a próxima concessão da rede de autocarros Unir, para estar no terreno no final da década, visando redesenhá-la “para ser mais eficiente, redesenhar para responder àquilo que é a procura das pessoas e dos próprios territórios, que também se vão desenvolvendo, e reagir à expansão, nomeadamente, do Metro do Porto”.

“Nós queremos que os movimentos nas zonas urbanas mais consolidadas sejam asseguradas por modos pesados, vulgo CP e Metro do Porto: têm de ser os dois operadores a assegurar o transporte mais pesado de passageiros“, apontou.

Nuno Neves de Sousa quer, por exemplo, que nas ligações entre o sul e norte da AMP, nomeadamente entre Gaia e Porto, “quando existir a linha Rubi” do Metro do Porto, “não faz grande sentido ter centenas de autocarros a atravessarem a ponte e a poluírem e, no fundo, a baixarem a rentabilidade daquele quilómetro para os próprios operadores”.

O responsável assegurou ainda que, em termos ambientais, os requisitos para a frota de autocarros da Unir “vai ser muito mais exigente”, sendo “muito mais valorizados os veículos elétricos”.