As autoridades belgas indicaram esta quarta-feira que estão a analisar um vídeo, alegadamente ligado a radicais xiitas, que reivindica a responsabilidade pela explosão em frente à sinagoga de Liège na segunda-feira.
“Estamos a analisar este vídeo para verificar se é autêntico e rastrear a sua origem”, disse a porta-voz do Ministério Público Federal belga, Ann Lukowiak, à agência de notícias France-Presse (AFP).
Segundo o SITE Intelligence Group, que monitoriza as atividades de movimentos radicais islâmicos em todo o mundo, o vídeo foi reivindicado por um grupo “recém-formado” e divulgado online por “contas de militantes xiitas”.
No curto vídeo, que circula na Internet e esta quarta-feira relatado pela AFP, vê-se um homem vestido integralmente de preto e de capuz a afastar-se da sinagoga de Liège, enquanto um engenho que já emite chamas está em vias de explodir.
O momento exato da explosão é capturado pela câmara, e as imagens são acompanhadas por um texto em árabe mencionando a data de 9 de março de 2026, o dia do ataque.
Segundo o Ministério Público, o texto menciona a responsabilidade de um grupo radical islâmico já conhecido pelas autoridades belgas. No entanto, as autoridades referiram que ainda é necessário verificar a autenticidade dos conteúdos divulgados.
A explosão ocorreu na segunda-feira, pouco antes das 4h00 locais (3h00 em Lisboa), quando não havia ninguém na rua, e não causou feridos, apenas danos materiais.
https://observador.pt/2026/03/09/explosao-junto-a-sinagoga-em-liege-na-belgica-sem-feridos/
O ataque foi veementemente condenado na segunda-feira pelo Governo belga e pela União Europeia (UE).
O ministro do Interior belga, Bernard Quintin, condenou o que considerou “um ato antissemita abjeto” e anunciou um reforço de segurança nos locais de culto judaicos por todo o país, face também ao conflito no Médio Oriente iniciado por ataques israelitas e norte-americanos contra o Irão, este último de maioria xiita.
A investigação foi atribuída ao Ministério Público Federal belga, competente em matéria de terrorismo, dados os possíveis indícios de um crime terrorista.
Sem esperar pelas conclusões da investigação, a embaixadora de Israel na Bélgica, Idit Rosenzweig-Abu, considerou o vídeo “extremamente preocupante”.
A sinagoga, datada de 1899, alberga também um museu sobre a história da comunidade judaica de Liège.
Na Bélgica, a comunidade judaica conta com aproximadamente 50 mil pessoas, concentradas sobretudo em Antuérpia e Bruxelas.
A segurança nos locais de culto da comunidade judaica na Bélgica tem sido reforçada nos últimos anos.