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(A) :: A longevidade das PME portuguesas começa na gestão de riscos

A longevidade das PME portuguesas começa na gestão de riscos

Uma empresa bem protegida está preparada para concorrer a novos contratos e crescer. Uma empresa mal protegida vive permanentemente vulnerável.

Rui Costa
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Nas conversas que tenho tido com empresários de pequenas e médias empresas ao longo dos anos, há um padrão que se repete: muitos não se sentem totalmente seguros sobre o que os seus seguros realmente cobrem. Não é surpreendente nem motivo de crítica, é apenas o reflexo de um sistema complexo, difícil de decifrar e raramente explicado de forma clara. E, no entanto, este desconhecimento tem consequências profundas para o tecido empresarial português.

As PME representam mais de 90% das empresas portuguesas e dois terços do emprego privado. São decisivas para a economia, mas continuam mal servidas no que toca à proteção. O paradoxo é simples: quanto menor a empresa, maior a necessidade de uma proteção adequada – e menor a capacidade de a obter. Sem departamentos internos especializados, o empresário decide com base em propostas incomparáveis e termos técnicos opacos.

O resultado é conhecido: empresas que pagam demasiado; que descobrem exclusões no pior momento; que vivem anos em incumprimento sem o saber.

Permitam-me um exemplo real. Uma empresa industrial com 35 colaboradores sofreu um incêndio que destruiu parte das instalações. Durante os seis meses de reconstrução, a empresa continuou a ter custos fixos – salários, rendas, empréstimos – mas não faturou. O seguro pagou os danos materiais. Mas a asfixia financeira da paralisação quase levou ao encerramento.

Este empresário não era negligente. Simplesmente, ninguém lhe tinha explicado que existia esta cobertura, porque custava mais, e porque era essencial para a sobrevivência do negócio em caso de sinistro grave.

Este caso não é exceção. Muitas empresas portuguesas operam diariamente com riscos invisíveis, e acreditam, erradamente, que estão protegidas. Basta olhar para os episódios recentes de cheias que afetaram várias regiões do país para perceber como um evento inesperado pode interromper a atividade de um dia para o outro. Para muitas PME, o impacto não está apenas nos danos materiais, mas sobretudo na capacidade de continuar a operar.

O desafio não está nas seguradoras nem apenas nos mediadores. Está no modelo transacional, centrado na venda inicial e na renovação. Entre esses momentos, costuma haver apenas silêncio. Mas uma empresa vive em mudança constante, cresce, contrata, investe, muda de instalações, e cada alteração pode implicar ajustes no programa de seguros.

O que falta é acompanhamento. Um mediador que conheça o negócio, que antecipe riscos, que traduza a linguagem técnica, que defenda o cliente no sinistro e que mantenha o programa atualizado. Não é tão escalável como o modelo tradicional, mas é o único que verdadeiramente serve as PME.

A gestão de riscos está, lentamente, a ser vista não como custo inevitável, mas como vantagem competitiva. Uma empresa bem protegida está preparada para concorrer a novos contratos, inspirar confiança e crescer com segurança. Uma empresa mal protegida vive permanentemente vulnerável.

Aos empresários, deixo três perguntas simples:

  1. O que está realmente coberto e o que está excluído?
  2. Os capitais seguros refletem o valor atual dos vossos bens?
  3. Se a empresa parasse três meses, o seguro compensaria a perda de receitas?

Se hesitarem, não estão sozinhos. Mas estão vulneráveis.

Os seguros, quando bem estruturados, são um investimento na longevidade do negócio. Os empresários merecem parceiros que não vendam apenas apólices, mas construam proteção; que não apareçam só para cobrar, mas sobretudo quando são necessários.

É esse o compromisso que mediadores, seguradoras e empresários devem assumir para que as PME continuem a criar valor, gerar emprego e fazer crescer a economia portuguesa.

A proteção adequada não é um luxo. É a base sobre a qual se constrói a longevidade de um negócio.