O Bloco de Esquerda em Lisboa exigiu esta quarta-feira esclarecimentos sobre o futuro do Teatro do Bairro Alto, após confirmação de que Francisco Frazão não foi reconduzido na direção artística, e requereu à câmara municipal que promova uma reunião com a EGEAC.
“A não recondução de Francisco Frazão obriga a uma explicitação imediata das opções estratégicas da EGEAC, para que não haja retrocessos na missão pública e na autonomia artística deste teatro municipal”, afirmou a vereação do BE, defendendo que a defesa do Teatro do Bairro Alto (TBA), enquanto “espaço de criação artística independente, experimental e aberto à cidade, é essencial para a vida cultural de Lisboa”.
Neste âmbito, a vereadora do BE, Carolina Serrão, apresentou esta quarta-feira um requerimento dirigido ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), a exigir “esclarecimentos urgentes” sobre o futuro do TBA.
Para o BE, a atual direção artística do TBA, liderada por Francisco Frazão, consolidou o teatro como “um espaço central de criação contemporânea”, dedicado à experimentação, a criadores emergentes e ao diálogo com a cidade, tendo aprofundado a identidade pública do equipamento e preservado a memória do antigo espaço da Cornucópia, “garantindo que Lisboa continuasse a dispor de um palco de risco, criatividade e inovação artística”.
“Nos últimos meses, o TBA e a sua equipa foram também alvo de ataques políticos por parte de deputados municipais do Chega, contribuindo para um ambiente de pressão sobre a autonomia artística das instituições culturais municipais”, expôs a vereação do BE.
Em janeiro, a deputada municipal Margarida Bentes Penedo, do Chega, exigiu o que chamou de uma “cultura de direita”, tendo depois feito uma defesa da honra, lamentando que se tenha confundido a sua intervenção com uma proposta de censura.
Na perspetiva do BE, a não recondução de Francisco Frazão levanta “questões urgentes sobre o futuro da missão do TBA, a continuidade da sua linha curatorial e as opções da EGEAC [empresa municipal responsável pela gestão dos equipamentos culturais] para este equipamento público de referência”.
Perante esta situação, o BE considerou “imprescindível” garantir que o TBA mantém a sua identidade e a sua função cultural única na cidade.
No requerimento, a vereadora Carolina Serrão deixa várias questões a Carlos Moedas: O que pretende a direção da EGEAC fazer relativamente à direção artística do Teatro do Bairro Alto, após a não recondução do atual diretor artístico? Será aberto um concurso para a direção artística do TBA? E quais os critérios que orientam o processo de definição da futura direção?
O BE solicitou ainda que a Câmara Municipal de Lisboa promova, com urgência, uma reunião com a administração da EGEAC, presidida por Pedro Moreira, para apresentação detalhada dos planos para o TBA e para garantia do escrutínio político municipal sobre o futuro do equipamento.
Em declarações à agência Lusa, Francisco Frazão confirmou que não foi reconduzido no cargo de diretor artístico do Teatro do Bairro Alto, na sequência da não renovação do seu vínculo à EGEAC — Lisboa Cultura, que termina no final de março.
O programador cultural, que assumia o cargo desde 2018, disse sentir-se “triste e desiludido”, mas “não surpreendido” com a saída do TBA, um dos 25 espaços culturais tutelados pela EGEAC.
Sobre os motivos que lhe foram dados pela EGEAC para a saída, Frazão escusou-se a explicitá-los e remeteu a resposta para a empresa gestora: “Agradeceram o trabalho desenvolvido no TBA. As razões concretas devem ser explicadas pela tutela”.
Contactada por telefone e por ‘e-mail’, a EGEAC respondeu com uma declaração: “O Conselho de Administração da EGEAC está a desenvolver um processo de avaliação conjunta com o objetivo de decidir a recondução ou a não recondução dos atuais dirigentes”.
“Em breve serão comunicadas as alterações que venham a decorrer deste processo”, acrescenta.