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(A) :: O pulmão de Zaidu nunca desilude quando é preciso respirar fundo (a crónica do Estugarda-FC Porto)

O pulmão de Zaidu nunca desilude quando é preciso respirar fundo (a crónica do Estugarda-FC Porto)

Mais um jogo, mais 90 minutos em que os dragões ganharam, mas nunca conseguiram evitar a ansiedade. Zaidu foi uma das surpresas no onze e até assistiu na vitória do FC Porto frente ao Estugarda (1-2).

Mariana Fernandes
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O mês de março ainda nem sequer vai a meio e o FC Porto já leva na bagagem dois jogos contra Sporting e Benfica — com a dimensão adicional de não ter vencido nenhum, perdendo com os leões na Taça de Portugal e empatando com os encarnados no Campeonato. Quis o calendário que as últimas e as próximas semanas fossem as mais exigentes para os dragões até agora, entre várias competições e desafios acima da média, e que esta quinta-feira trouxesse desde já os oitavos de final da Liga Europa.

Oitavos de final que, na verdade, iriam começar a ilustrar se este vai ou não continuar a ser um FC Porto de duas caras. Apesar de ter garantido o apuramento direto e ter evitado o playoff, a equipa de Francesco Farioli não demonstrou o mesmo nível na Liga Europa e nas competições internas — perdendo com o Nottingham Forest e empatando com Utrecht e Viktoria Plzen numa fase em que ainda se mantinha praticamente invencível em Portugal. Agora, a eliminar, era finalmente a altura de perceber se os dragões vão continuar a olhar para a competição europeia como uma espécie de side quest.

Ficha de jogo

Estugarda-FC Porto, 1-2

Oitavos de final da Liga Europa

MHPArena, em Estugarda (Alemanha)

Árbitro: Donatas Rumsas (Lituânia)

Estugarda: Alexander Nübel, Nikolas Nartey (Luca Jaquez, 70′), Finn Jeltsch (Chris Führich, 70′), Julian Chabot, Ramon Hendriks, Atakan Karazor (Max Mittelstadt, 84′), Angelo Stiller, Bilal El Khannouss, Deniz Undav, Jamie Leweling, Ermedin Demirovic (Tiago Tomás, 63′)

Suplentes não utilizados: Fabian Bredlow, Florian Hellstern, Ameen Al-Dakhil, Lorenz Assignon, Badredine Bouanani, Chema Andrés

Treinador: Sebastian Hoeness

FC Porto: Diogo Costa, Alberto Costa, Thiago Silva, Bednarek, Zaidu, Seko Fofana (Alan Varela, 80′), Pablo Rosario, Rodrigo Mora (Victor Froholdt, 59′), William Gomes (Gabri Veiga, 70′), Borja Sainz (Pepê, 59′), Terem Moffi (Deniz Gül, 59′)

Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos, João Costa, Kiwior, Prpic, Martim Fernandes, Tiago Andrade, Francisco Moura

Treinador: Francesco Farioli

Golos: Terem Moffi (21′), Rodrigo Mora (27′), Deniz Undav (40′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a William Gomes (45+3′), a Finn Jeltsch (48′), a Thiago Silva (65′), a Alan Varela (86′), a El Khannouss (90+3′), a Zaidu (90+4′)

“O jogo de amanhã poderia facilmente ser um jogo de Liga dos Campeões e o nível deste lado direito do quatro é muito competitivo. Não sei quem é que obteve a informação sobre as nossas prioridades, mas a maneira como abordamos os jogos diz-nos que a prioridade é sempre o próximo jogo. É assim que pensamos e é nisso que acreditamos. Quando representamos um clube desta dimensão vamos para campo para ganhar qualquer jogo. E vamos tentar fazer isso amanhã. Está claro que vamos defrontar uma equipa que faz parte das ‘big five’, que têm uma diferença grande para as outras. Mas acredito que teremos a nossa oportunidade de competir e jogar as nossas cartas nesta ronda. Com muita humildade e respeito pelo adversário, mas com a nossa identidade e desejo de valorizar uma competição importante para nós”, explicou o treinador italiano na antevisão da partida.

Ainda assim, Francesco Farioli acabava por mostrar logo no onze inicial que a Liga Europa era mesmo a competição ideal para gerir o plantel e mexia em todos os setores: Thiago Silva e Zaidu eram titulares na defesa, Seko Fofana e Rodrigo Mora apareciam no meio-campo e Borja Sainz e William Gomes apoiavam Terem Moffi, sendo que Kiwior, Alan Varela, Victor Froholdt, Gabri Veiga e Pepê começavam todos no banco. Do outro lado, num Estugarda que teve de eliminar o Celtic no playoff, Sebastian Hoeness tinha Ermedin Demirovic como referência ofensiva e deixava o ex-Sporting Tiago Tomás como suplente.

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Na MHPArena, o Estugarda começou claramente melhor e desde logo com duas aproximações perigosas à baliza de Diogo Costa, mas o FC Porto não demorou a colocar algum gelo no jogo e até fez o primeiro remate, com Borja Sainz a atirar por cima (7′). Os alemães, porém, não estavam satisfeitos com o curto período de superioridade e foram à procura de muito mais: encostaram os dragões às cordas e somaram lances importantes, com Demirovic a atirar por cima (12′), El Khannouss a assustar de livre direto (15′) e Ramon Hendriks a obrigar o guarda-redes português à primeira defesa (16′).

Mais uma vez, porém, o FC Porto soube reagir. Ciente de que estava a afundar demasiado, a equipa de Francesco Farioli subiu as linhas, começou a conseguir trocar a bola mais perto da área contrária e só precisou de acelerar ligeiramente para ditar o ritmo. William Gomes acertou na trave com um belo remate em jeito (20′) e Terem Moffi, logo a seguir, aproveitou uma boa combinação com Borja Sainz para atirar já na área e abrir o marcador (21′).

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Os dragões não tiraram o pé do acelerador depois do golo, Seko Fofana rematou ao lado (23′) e Terem Moffi forçou Alexander Nübel a uma defesa atenta (24′) e Rodrigo Mora aumentou a vantagem ainda antes da meia-hora: Zaidu recuperou a bola em zona adiantada, correu sem oposição e cruzou a partir da esquerda, com o jovem médio a atirar de primeira para dilatar o resultado (27′). O mesmo Zaidu teve de ser assistido a dada altura, devido a dificuldades na zona das costelas, e as duas interrupções acabaram por mudar os equilíbrios do jogo.

O Estugarda voltou a crescer e conseguia entrar no último terço adversário com processos muito simples e uma relativa facilidade, vencendo praticamente todos os duelos do ponto de vista mais físico, e reduziu mesmo a desvantagem por intermédio de Deniz Undav, que atirou à meia-volta na área na sequência de um lance de insistência (40′). Os dragões perderam o norte nos últimos minutos da primeira parte, com os alemães a acumularem remates enquadrados e desenquadrados, mas o FC Porto foi mesmo para o intervalo a vencer o Estugarda.

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Nenhum dos treinadores fez alterações no início da segunda parte e o Estugarda não demorou a mostrar que queria chegar rapidamente ao empate, com Demirovic a atirar ao lado logo nos instantes iniciais (47′) e o FC Porto a permitir que os alemães estivessem completamente instalados no seu meio-campo. Ainda assim, os dragões pareciam saber gerir o ascendente dos alemães, sem conceder grandes ocasiões de perigo e mantendo o equilíbrio, e Zaidu até assustou com um cabeceamento na área que Nübel encaixou (57′).

Francesco Farioli respondeu ao desgaste físico que ia aparecendo na equipa e fez três substituições de uma vez ainda antes da hora de jogo, lançando Pepê, Victor Froholdt e Deniz Gül, enquanto que Sebastian Hoeness apostou em Tiago Tomás na mesma altura. O encontro tornou-se mais aberto e equilibrado à medida que o tempo foi passando, com os dragões a subirem progressivamente no terreno graças à inconsequência dos alemães e a manterem-se completamente em controlo das ocorrências.

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Pepê ficou muito perto de aumentar a vantagem com um remate em jeito que passou ligeiramente ao lado (68′) e Farioli voltou a mexer nesta fase, trocando William Gomes por Gabri Veiga. Angelo Stiller gelou o FC Porto a cerca de 20 minutos do fim ao finalizar uma recarga na sequência de um livre na direita (70′), mas o lance foi anulado por fora de jogo e os dragões ganharam uma nova vida depois de uma desatenção que podia ter custado a vantagem.

Alan Varela ainda entrou até ao fim, Chris Führich somou um par de remates perigosos, Gabri Veiga quase marcou nos descontos (90+7′), mas já nada mudou. O FC Porto venceu o Estugarda na Alemanha, sendo que poderia levar uma vantagem bem mais confortável para a segunda mão dos oitavos de final da Liga Europa, e vai discutir a eliminatória no Dragão. Num final de tarde onde ninguém brilhou, valeu o pulmão de Zaidu na hora de respirar fundo.

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