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(A) :: Amália. Versão final do ChatGPT português é apresentada em junho. Governo não prevê opção paga

Amália. Versão final do ChatGPT português é apresentada em junho. Governo não prevê opção paga

Modelo fica disponível em ‘open source’, mas não vai ter app ou site. Coordenador do projeto diz que Amália está a ser testado nas áreas da Cultura e da Educação: "Poderá fazer uma grande diferença".

Miguel Gato
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A versão multimodal do Amália, LLM (Large Language Model) exclusivamente português, vai ser apresentada no mês de junho. No seguimento, ficará disponível em código aberto para qualquer instituição que tenha interesse em utilizar o modelo. A informação da data, que tinha sido avançada pelo Eco, é confirmada ao Observador pelo Ministério da Reforma do Estado.

Após o anúncio do primeiro-ministro, Luís Montenegro, na Web Summit de 2024, o Governo previa a divulgação, ao longo dos 18 meses seguintes, de três versões do Amália. Em comunicado pós-Conselho de Ministros, o executivo indicava que, numa primeira fase, iria ser lançada a versão beta. Depois, a versão base, atualmente em uso. A multimodal, versão final e a única disponível para o uso público, seria anunciada no final do segundo trimestre de 2026. Em resposta enviada ao Observador, o Ministério da Reforma do Estado garante que o desenvolvimento do Amália “prossegue conforme as estimativas iniciais”.

https://observador.pt/especiais/inteligencia-artificial-vai-aprender-portugues-para-que/

O Governo reforça a importância do que descreve como “objetivos estratégicos de promoção da língua portuguesa, defesa da cultura e soberanias de Portugal”, bem como “o motor de desenvolvimento científico”. Prevê, ainda, a utilização do Amália em “várias ferramentas da administração pública”, sem especificar as áreas onde o modelo de IA será implementado.

Gonçalo Matias, ministro da Reforma do Estado, é quem dá a cara pela aposta do Governo em inteligência Artificial. Na Web Summit 2025, disse que Portugal “tem todas as condições para se tornar líder mundial na IA”. Mas já fez saber que é esperada uma grande aposta do Amália na Educação, tendo inclusive chegado a anunciar que o Governo pretende direcionar “um tutor de IA por aluno”. Na mesma linha, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, considera um erro Portugal não aplicar a inteligência artificial nas escolas e remete para maio a apresentação do programa que prevê a formação dos estudantes em IA.

A criação do Amália está inserida na Agenda Nacional de Inteligência Artificial (ANIA), no âmbito da qual o Governo prevê investir mais de 400 milhões de euros entre 2026 e 2030. No entanto, na Web Summit de 2025, Gonçalo Matias afirmou que Portugal se está a posicionar como um “centro europeu líder em gigafábricas de IA, com um investimento estimado superior a 16 mil milhões de euros”. O Governo admite que a IA poderá contribuir para um acréscimo entre os 18 e os 22 mil milhões de euros do PIB na próxima década. O desenvolvimento do Amália custa 5,5 milhões de euros, valor totalmente coberto pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). O Ministério da Reforma do Estado adianta ao Observador que não está prevista qualquer versão paga do modelo para compensar o investimento.

“Acreditamos que [o Amália] poderá fazer uma grande diferença” na Educação

A criação do Amália envolve o Centro para a Inteligência Artificial Responsável em Portugal. O projeto é desenvolvido pelo Instituto Superior Técnico, a Universidade Nova de Lisboa, a Universidade do Porto, a Universidade de Coimbra, a Universidade do Minho e a Fundação para a Ciência e Tecnologia. Ao todo, estão envolvidas cerca de 60 pessoas.

https://observador.pt/programas/onde-para-o-caso/amalia-quando-vai-ser-lancado-o-chatgpt-portugues/

Quanto às funcionalidades do Amália, o Observador falou com João Magalhães, professor, investigador e um dos coordenadores do modelo de inteligência artificial, que começa por esclarecer as diferenças em relação a outros modelos. “O ChatGPT é um produto. Uma aplicação de conversação aberta. Aquilo que estamos a fazer não é uma aplicação, mas sim um modelo de linguagem que servirá de base a outras aplicações”, esclarece. Não está previsto que o Amália tenha qualquer aplicação ou site de conversação aberto, como acontece com outros modelos como o OpenAI, o Gemini ou o Perplexity.

https://observador.pt/2025/09/30/explicou-o-teorema-de-pitagoras-deu-sugestoes-de-ferias-e-evitou-questoes-perigosas-experimentamos-a-versao-base-do-amalia/

A versão base do Amália é puramente baseada em linguagem humana. O modelo que estamos a construir — a versão multimodal — vai ser capaz de processar conteúdo visual, texto ou analisar imagens e dialogar sobre isso. Também vai poder reconhecer a fala.” E acrescenta: “Uma conversa de tema arbitrário não é a solução adequada para o Amália. Mas se for para um ambiente controlado, é muito bom”, remata.

João Magalhães diz que a versão atual está a fazer testes na base de dados do Governo. E está a ser utilizada também nas áreas da Cultura, onde o Amália consegue neste momento “obter informação na forma de diálogo sobre artefactos de museus”. Mas a equipa que está a desenvolver o modelo está particularmente “entusiasmada” com o que pode fazer na área da Educação. “No futuro, o modelo pode ajudar os alunos no estudo: com perguntas, resumos”. João Magalhães destaca ainda que algumas escolas ou faculdades podem vir a utilizar o Amália para o planeamento de aulas. “Acreditamos que poderá fazer uma grande diferença”, conclui.