A Polícia Judiciária avançou esta quinta-feira com mais de uma dezena de buscas domiciliárias e também na casa mortuária do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, no âmbito de um inquérito que investiga supostos pagamentos a funcionários do serviço, por parte de funerárias, para agilizar a entrega de corpos. À operação, foi dado o nome de Rigor Mortis.
Segundo o Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, o “inquérito teve origem em denúncia do recebimento de quantias em dinheiro por funcionários desse serviço, pagas por agências funerárias, com o objetivo de os compensar pela preparação dos corpos de pessoas falecidas em meio hospitalar, permitindo, dessa forma, que as agências envolvidas procedessem ao levantamento dos corpos de forma mais célere”.
Em causa estão suspeitas da prática do crime de recebimento ou oferta indevidos de vantagem, sendo as diligências desta manhã essenciais para recolher elementos de prova.
De acordo com o mesmo departamento do Ministério Público, estão envolvidos nas buscas elementos da Polícia Judiciária, um magistrado do Ministério Público e um juiz.
Em comunicado, a PJ adiantou que através das buscas “foram apreendidos elementos probatórios relevantes para a investigação, que serão agora objeto de análise”.
Ao Observador, inicialmente, fonte oficial da Unidade Local de Saúde (ULS) Santa Maria adiantou que não ia comentar investigações judiciais em curso e que está a ser prestada colaboração às autoridades. Mais tarde, em declarações aos jornalistas, depois da inauguração formal pela ministra da Saúde, Ana Paula Martins, da Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais do Hospital de Santa Maria, presidente da ULS Santa Maria disse não saber de onde partiu a denúncia que levou à investigação, acrescentando que houve um conjunto de medidas em tempo, “de correção de algumas situações menos regulares”. “Foi uma ação dentro do que é normal quando há denúncias”, afirmou.
O responsável afirmou que a ação da Polícia Judiciária ccomeçou às 07h00 e ficou concluída ao final da manhã. “Às 08h00 reuni com quem tinha de reunir internamente para tentar perceber algumas situações, e vou continuar a acompanha-las, numa tentativa de verificar internamente se há algo que deva ser corrigido, ou alguma situação que mereça da nossa parte alguma decisão”, explicou Carlos Martins.