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(A) :: Mais cocaína, canábis e ecstasy e menos heroína. Apreensões de droga aumentaram em 2025, revela PJ

Mais cocaína, canábis e ecstasy e menos heroína. Apreensões de droga aumentaram em 2025, revela PJ

Se a cocaína foi a droga mais apreendida em quantidade pela PJ, o maior número de apreensões foi de canábis. Registou-se uma quebra na quantidade de heroína apreendida, mas um aumento do ecstasy.

Adriana Alves
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O número de apreensões de droga aumentou no ano passado, a canábis é a substância com maior número de apreensões e a cocaína a droga com maior quantidade apreendida. Estas são algumas das conclusões do relatório da Polícia Judiciária sobre o combate ao tráfico de droga, apresentando esta quinta-feira numa conferência de imprensa conjunta com vários Órgãos de Polícia Criminal e Serviços Aduaneiros e de Segurança que integram as Unidades de Coordenação e Intervenção Conjunta.

Os números são retrato de uma realidade que continua a preocupar as autoridades, sublinhou Artur Vaz, diretor da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da PJ. Segundo o relatório, no ano passado foram realizadas 10.019 apreensões, um aumento face às 8.960 apreensões em 2024. A canábis “surge como o estupefaciente com maior número de apreensões”, sendo a cocaína “a que regista maior quantidade apreendida”, lê-se no documento.

O relatório foca-se em particular nas quatro drogas mais apreendidas em território português: cocaína, canábis (apenas se contabilizou as apreensões de haxixe), heroína e ecstasy. Nas primeiras continua a predominar a rota marítima, enquanto nas outras duas a via terrestre é a mais utilizada.

No caso da cocaína, no ano passado foram apreendidas 25,6 toneladas. Trata-se de um aumento de 11,4% (mais 2,61 toneladas) face ao ano passado. Foram resultado de um total de 1.984 apreensões, também um aumento, de 20%, quanto aos valores de há dois anos. Olhando para os últimos cinco anos, “não ocorreu qualquer interrupção da tendência ascendente nas quantidades de cocaína apreendida”.

Artur Vaz acrescentou que as atividades de tráfico de cocaína são “altamente organizadas” e controladas por organizações “cada vez mais perigosas”, lembrando que ao longo do último ano e meio se têm vindo a apreender armas, em alguns casos automáticas. “É um tipo de tráfico que nos preocupa a nós e também à União Europeia”, sublinhou, destacando a proatividade das autoridades nacionais e parceiros europeus.

A PJ nota no relatório que as organizações criminosas continuam a utilizar as águas portuguesas e águas internacionais próximas como “plataforma de trânsito” de cocaína. Foram identificados seis países de origem: Brasil, Costa Rica, República Dominicana, Venezuela, Trindade e Tobago, Colômbia. A principal origem tem variado ao longo dos anos: em 2022 o Brasil foi substituído pela Colômbia como principal origem do estupefaciente, posteriormente em 2023 surgiu o Equador, em 2024, surge novamente a Colômbia e em 2025 novamente o Brasil. Estes números dizem respeito apenas aos casos em que foi possível apurar a origem do produto, o que não foi possível em 92% das apreensões.

Em Portugal, os Açores (8.803 kg) e a Madeira (7.526kg) foram as zonas onde se apreenderam maiores quantidades de cocaína, seguindo-se o Porto (3.122 kg) e Lisboa (3.000 kg). No total foram detidas 1.773 pessoas.

No ano passado foram também apreendidos 14.879 kg de canábis, um aumento de 102,6% relativamente a 2024, quando foram apreendidos cerca de 7.300 kg. No entanto, o número total de apreensões diminui ligeiramente: de 4.448 para 4.405. Só foi reportada a origem e destino em 1,7% dos casos, destacando-se Marrocos e Espanha como país de partida e Reino Unido e Países Baixos como país de chegada. Faro (7.751 kg), Setúbal (5.694 kg), Beja (7.89 kg) e Lisboa (241). No total foram detidas 3.290 pessoas.

No relatório refere-se ainda que foram apreendidos 62 kg de heroína, ou seja, um decréscimo de 33,7% face a 2024, quando as autoridades apreenderam 94,25 kg. Ainda assim, houve um aumento de apreensões: foram 854 no ano passado. Lisboa (39 kg) e Porto (15 kg) foram as regiões onde decorreram a maior parte das apreensões, tendo sido detidas 793 pessoas.

Por fim, foram apreendidas 254.736 unidades de ecstasy, um aumento de 17,4% face a 2024 (216.950 unidades). Foram realizadas 680 apreensões, mais 56 do que há dois anos. As apreensões ocorreram principalmente em Lisboa (290 casos), em Faro (73 casos), Porto (62 casos), Castelo Branco (58 casos) e Setúbal (51 casos).

No relatório a PJ destaca ainda que no ano passado foram apreendidos mais de 7,73 milhões de euros relacionados com o tráfico de droga. Novamente um aumento face a 2024, quando foram arrecadados 4,16 milhões de euros. “Esta atividade gera grandes proveitos”, apontou Artur Vaz. “Se analisarmos todas as quantidades de cocaína apreendida em território nacional e águas internacionais nos últimos dez anos ultrapassa as 120 toneladas deste tipo de droga. Essa quantidade seguramente permitiria no mínimo às organizações criminosas uma faturação superior a seis mil milhões de euros“, enquadrou.