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Guerra do Irão. O que aconteceu no último dia?

Irão e Hezbollah coordenaram pela primeira vez ataques contra Israel, que respondeu contra o Líbano. Para além dos ataques militares, as preocupações económicas assumem um papel central.

Madalena Moreira
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A guerra no Médio Oriente completou esta quarta-feira o seu 12.º dia de ataques — e ultrapassou, portanto, o tempo da guerra que opôs igualmente Israel, Irão e Estados Unidos em junho do ano passado. As declarações dos líderes políticos em Teerão e Washington neste dia apontaram ambas na direção de um fim da guerra. Donald Trump declarou que “não há praticamente mais nada para atacar” no Irão, enquanto o Presidente Masoud Pezeshkian estabeleceu as exigências iranianas para pôr fim ao conflito — que incluem o pagamento de reparações.

Porém, na frente militar a situação ainda não dá sinais de abrandar. O Irão foi alvo de uma nova vaga de ataques israelitas e norte-americanos e retaliou contra os países do Golfo. Mas Teerão também lançou a vaga de ataques “mais violenta” do conflito contra Israel — e, pela primeira vez desde o deflagrar da guerra, o ataque foi coordenado com o Hezbollah.

Ainda que todos os mísseis tenham sido intercetados pelas defesas israelitas, assistiu-se a um aprofundar da guerra no palco do Mediterrâneo, com Israel a reforçar a sua presença militar no sul do Líbano e os ataques contra Beirute — que já mataram mais de 600 pessoas. O conflito também continua aceso no Iraque, onde as milícias pró-Irão se tornaram um ator central, responsável por ataques contra a presença norte-americana no país e alvo de ataques israelitas.

Para além das consequências militares, as consequências económicas tornam-se cada vez mais evidentes, o que motivou uma reunião dos líderes do G7 — que admitiram a possibilidade de criar uma escolta para navios no estreito de Ormuz — e um anúncio da Agência Internacional de Energia sobre a libertação de 400 milhões de barris de petróleo de reservas estratégicas, a maior libertação de reservas de sempre.

Pode recordar os acontecimentos de terça-feira aqui.

Estes foram os desenvolvimentos na guerra no Médio Oriente ao longo desta quarta-feira, dia 11 de março:

No Irão

  • As forças norte-americanas declararam ter atingido um total de 5.500 alvos no Irão, incluindo infraestruturas de mísseis balísticos e drones.
  • Pelo menos 10 paramilitares da milícia Basij terão sido mortos em ataques aéreos israelita contra pontos de controlo de passagem na cidade de Teerão.
  • Os ataques aéreos israelitas também destruíram um edifício utilizado pelas secretas da Guarda Revolucionária no noroeste do Irão.
  • Marivan, uma cidade no Curdistão iraniano próxima da fronteira com o Iraque e um foco de contestação ao regime, foi alvo de uma nova vaga de ataques aéreos israelitas que visou infraestruturas de segurança interna.
  • O Comando Central dos Estados Unidos emitiu um alerta à população iraniana e aos navios comerciais para evitarem as infraestruturas portuárias onde opera a Marinha iraniana.
  • O Presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, deu por cumprido o objetivo de destruição dos sistemas de defesa anti-aérea dos Estados Unidos na região, que permitiria ao Irão utilizar menos munições nas ofensivas. Informações de fontes abertas revelam que a taxa de interceção de ataques iranianos continua, contudo, inalterada.
  • O Irão terá começado a receber novos apoios da Rússia. Para além de partilhar a localização das forças norte-americanas na região, Moscovo estará também a partilhar táticas de combate com drones.
  • O Presidente do Irão declarou que “a única forma de pôr fim a esta guerra — iniciada pelo regime sionista e os EUA — é reconhecendo os direitos legítimos do Irão, pagando reparações e com firmes garantias contra futuras agressões”. A mensagem de Masoud Pezeshkian foi deixada nas suas redes sociais depois de telefonemas com os seus homólogos da Rússia e do Paquistão.
  • Teerão estará a antecipar um período de instabilidade interna e está a mobilizar as forças pró-regime. Isto inclui reforçar o aparato de segurança interna e estimular protestos pró-Irão e anti-Estados Unidos e Israel, que acontecem em várias cidades.
  • O ministro do Desporto iraniano, Ahmad Donyamali, declarou que o Irão não irá participar no Campeonato do Mundo de futebol — que se realiza este verão nos Estados Unidos, México e Canadá — depois de os EUA terem matado Ali Khamenei.

Em Israel e no Líbano

  • Israel lançou 200 ataques contra Beirute, a maior vaga de ataques desta guerra contra o Hezbollah, em resposta aos ataques em massa do grupo libanês no início da semana. Foram visadas infraestruturas de armazenamento de armas, centros de comando e pelo menos 50 prédios.
  • Israel reforçou a sua presença militar no norte de Israel e no sul do Líbano, com o envio de um novo batalhão de infantaria para a região.
  • Israel foi alvo de novas vagas de ataques com mísseis balísticos iranianos — classificadas pela Guarda Revolucionária como “as mais violentas” desde o início da guerra — mas todos foram intercetados.
  • Meios de comunicação com ligações ao Hezbollah e ao regime de Teerão avançaram que os ataques contra Israel foram coordenados entre as duas partes — a primeira vez que isto aconteceu durante a guerra.
  • O centro de operações de emergências do Líbano fez um novo balanço do número de mortos e deu conta de 634 pessoas mortas nos ataques israelitas contra o Líbano desde o dia 2 de março.
  • O líder do Hezbollah enviou uma mensagem de apoio ao novo Líder Supremo do Irão, Mojtaba Khamenei. Naim Qassem declarou que o grupo libanês continua pronto para fazer frente à agressão israelita e apelou ao Exército libanês para apoiar os esforços militares do Hezbollah.
  • O ministro da Defesa israelita declarou que a ofensiva só irá terminar quando “todos os objetivos forem cumpridos”. Israel Katz definiu como um dos objetivos estabelecer bases para permitir que o “povo iraniano derrube o regime”.
  • O Governo israelita estará a planear instalar uma base militar na Somalilândia, de forma a pressionar os Houthis do Iémen, do outro lado do Mar Vermelho.
  • O Parlamento libanês aprovou uma extensão do seu mandato por dois anos, devido à guerra, com o voto a favor do partido político ligado ao Hezbollah. O Líbano tinha eleições legislativas marcadas para maio de 2026.

No Golfo

  • Dois drones iranianos atingiram o aeroporto do Dubai, ferindo dois trabalhadores.
  • Um incêndio deflagrou no aeroporto de Abu Dhabi, depois de os sistemas de defesa anti-aérea terem intercetado um ataque. Ao todo, foram intercetados 39 drones, seis mísseis balísticos e sete mísseis cruzeiro nos Emirados Árabes Unidos.
  • Uma infraestrutura de armazenamento de combustível no porto de Salalah, no sul de Omã, pegou fogo depois de ter sido atingida por um drone iraniano.
  • O sultão de Omã, Haitham bin Tariq al-Said, falou ao telefone com o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e condenou os ataques contra território omani.
  • A Guarda Revolucionária afirmou ter atacado a base militar dos EUA em Mina Salman, no Bahrein, e Camp Patriot, no Kuwait.
  • O Ministério da Defesa do Qatar deu conta de nove mísseis balísticos e vários drones disparados contra o país. Todos os ataques foram intercetados, à exceção de um que atingiu uma zona desabitada.
  • A Arábia Saudita intercetou um ataque com três mísseis balísticos que visava a base aérea de Prince Sultan, segundo detalhou o ministério da Defesa saudita.
  • A Guarda Revolucionária atacou um navio tailandês e outro com bandeira da Libéria ao largo da costa de Omã, justificando o ataque com o facto de os navios terem “ignorado avisos”. Um incêndio deflagrou no navio tailandês e três pessoas ficaram presas dentro do barco. Os outros 20 marinheiros — todos de nacionalidade tailandesa — foram salvos pela Marinha omani.
  • O Irão ameaçou atacar alvos económicos na região, depois dos ataques israelo-americanos terem atingido um banco iraniano e apelaram à população local para se manter a mais de um quilómetro de instituições bancárias.

No resto do mundo

  • No Iraque, Israel e Estados Unidos lançaram novos ataques contra as milícias iraquianas que apoiam o regime iraniano. Pelo menos uma pessoa morreu em ataques contra quartéis-generais e bases militares das Forças de Mobilização Popular (PMF).
  • Já as milícias iraquianas atacaram o centro de apoio diplomático do aeroporto de Bagdade com seis drones. Cinco foram intercetados pelas forças norte-americanas, mas um atingiu uma torre de controlo.
  • O Hezbollah iraquiano ameaçou atacar a Síria, caso Damasco tome “passos hostis” contra o Líbano e, em particular, contra o Hezbollah libanês.
  • Donald Trump voltou a antecipar o fim da guerra, tendo declarado que a ofensiva está a decorrer mais rápido do que o tinha sido previsto. “A guerra está a correr muito bem, não há praticamente mais nada para ainda atacar”, declarou em entrevista ao Axios.
  • A Agência Internacional de Energia (AIE) anunciou a libertação de 400 milhões de barris de petróleo de reservas estratégicas para compensar o aumento dos preços devido à produção perdida com o bloqueio do estreito de Ormuz.
  • Os líderes do G7 reuniram-se em videoconferência e criaram um grupo de trabalho para discutir a possibilidade de criar uma escolta naval para permitir que os navios passem no estreito de Ormuz.
  • Donald Trump declarou nesta reunião que a ação internacional neste sentido está a tentar “um impacto tremendo, inacreditável, no mundo”.
  • A União Europeia aprovou novas sanções a 19 responsáveis do regime iraniano.
  • Espanha anunciou que vai retirar o seu embaixador de Israel.
  • Senadores norte-americanos foram informados dos desenvolvimentos militares no Médio Oriente e acusaram a administração norte-americana de não ter um plano.