Daniel Soares, jurista e antigo adjunto de Duarte Cordeiro, ex-ministro do Ambiente, foi detido pela PSP na madrugada de segunda-feira, em Vila Nova de Gaia, por, alegadamente, ter realizado contraordenações rodoviárias, fugido e agredido um polícia, avançou o Jornal de Notícias e confirmou o Observador junto do Comando Metropolitano do Porto da PSP. O jurista, porém, contesta a versão apresentada no auto, referindo que ele e o companheiro é que foram agredidos.
De acordo com as autoridades, tudo começou por volta das 23h50 de domingo, quando uma patrulha viu um carro a passar um sinal vermelho na Praça da Galiza, no Porto. Já na Rua do Campo Alegre, os agentes da PSP terão ordenado a paragem do carro com sinais luminosos e sonoros. Daniel Soares não terá obedecido e terá passado outro sinal vermelho.
Seguiu-se, segundo a PSP, uma perseguição de cerca de 20 minutos que terminou em Gaia. Durante este percurso, o condutor terá circulado em velocidade excessiva, realizando mudanças bruscas de direção e ignorando peões nas passadeiras.
Na Rua de Entrecampos, o jurista terá sido novamente mandado parar, mas alegadamente respondeu com um gesto obsceno e arrancou em direção à VCI.
A polícia refere, ainda, que, já em Gaia, Daniel Soares terá saído do carro e, após trocar insultos com as autoridades, deu uma cabeçada na testa a um agente. Bruno Sousa, o companheiro, que o acompanhava, também terá insultado outro agente presente no local.
Os dois acabaram por ser detidos e levados para a esquadra da PSP em Gaia. Soares recusou fazer o teste de alcoolemia, o que se traduz num crime de desobediência.
Em declarações ao Jornal de Notícias, Daniel Soares nega ter agredido qualquer polícia e afirmou que ele e Bruno Sousa é que foram vítimas de agressões. “Tudo se precipitou quando fomos abordados pela PSP e eu disse ao meu companheiro: ‘tem calma, meu amor'”, explicou, subinhando que o conhecimento da sua homossexualidade por parte dos polícias alterou o comportamento. “A partir daí fomos logo agredidos por esses dois polícias que vinham no carro-patrulha”, referiu. Segundo o jurista, o companheiro sofreu uma “fratura complexa no joelho direito, com vários ossos partidos”, devendo ser submetido a uma cirurgia.
Os dois foram entretanto ouvidos por um juiz de instrução e ficaram sujeitos à medida de apresentações periódicas na PSP. As versões apresentadas pelas autoridades e pelos detidos são contraditórias e o caso segue agora para investigação.