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Polícia britânica recebeu denúncia, entrevistou Virginia Giuffre três vezes, mas nunca abriu uma investigação

Carta com denúncia e fotografias levou a polícia britânica a entrevistar Virginia Giuffre, mas nunca houve indícios suficientes para que fosse aberta uma investigação.

Inês André Figueiredo
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Ao longo da última década a polícia britânica decidiu repetidamente não investigar as alegações de que Jeffrey Epstein teria traficado e forçado Virginia Giuffre a ter relações com Andrew Mountbatten-Windsor, conhecido como príncipe André até lhe terem sido retirados os títulos.

De acordo com o jornal The New York Times, já em 2015, Virginia Giuffre acusou Epstein e a sua cúmplice Ghislaine Maxwell de a terem levado para Londres em 2001, de avião, e de a terem obrigado a ter relações sexuais com Mountbatten-Windsor, na casa da própria Maxwell. Mas não foi a única vez que houve a possibilidade de investigar o caso.

Ao jornal norte-americano as autoridades do Reino Unido confirmaram que entrevistaram Giuffre em três ocasiões diferentes (uma em 2015 e duas em 2016), mas decidiram sempre não avançar com uma investigação. O mesmo aconteceu com comunicações contra Ghislaine Maxwell.

Num momento em que a divulgação dos ficheiros de Jeffrey Epstein, por parte do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, tem gerado polémica a nível mundial, até pelo envolvimento de figuras públicas, a falta de ação da polícia britânica torna-se mais relevante, até porque foram detidos embaixador no Reino Unido nos Estados Unidos, Peter Mandelson, e Andrew Mountbatten-Windsor.

Uma carta enviada por Paul G. Cassell, advogado que então representava Giuffre, à polícia britânica a 4 de maio de 2015 está entre os documentos divulgados em janeiro, e contava o que a mulher havia denunciado sobre a viagem para Londres e também que teria sofrido dois anos de abusos sexuais por parte do casal Epstein e Maxwell, onde foi “preparada” para atos sexuais com amigos poderosos.

Nessa mesma carta havia uma fotografia do príncipe André com o braço à volta da cintura de Giuffre, na altura com 17 anos, enquanto Maxwell sorria ao lado. O advogado recorda que havia uma tentativa de responsabilizar Epstein após um acordo judicial em 2008 que permitiu uma pena curta. Procurava-se uma “nova oportunidade” para as alegações e provas fotográficas de Virginia Giuffre.

A polícia acabou por entrevistar Giuffre e, em comunicado, após três conversas, esclareceu que “não foi feita qualquer acusação de conduta criminosa contra qualquer indivíduo baseado no Reino Unido”. Foi dada a justificação de que a mulher afirmou ter sido “vítima de um crime internacional de tráfico sexual”.

A polícia britânica explicou que pediu aconselhamento a procuradores e manteve contacto com as autoridades dos EUA, que estavam a liderar as investigações.

“Após esse aconselhamento jurídico, ficou claro que qualquer investigação sobre tráfico humano se concentraria sobretudo em atividades fora do Reino Unido e em autores baseados no estrangeiro, pelo que as autoridades internacionais estavam melhor posicionadas para avançar com estas alegações”, afirma o comunicado citado pelo jornal norte-americano, que serve “a decisão de não prosseguir com uma investigação criminal completa”.

Anos mais tarde, a polícia revelou que estava a analisar documentos que mostram que aeroportos de Londres “podem ter sido usados para facilitar o tráfico humano e a exploração sexual” por Epstein.