“Nuvens sobre nossas cabeças, areia sob nossos pés”
Texto e ilustrações: Henrique Coser Moreira
Editora: Planeta Tangerina
Preço: 15,90€
Idade: +2
Dois irmãos estão à beira-mar quando “grandes nuvens carregando chuva chegam à praia” e as primeiras gotas caem no gelado. Podia estar o passeio interrompido, mas é um livro de Henrique Coser Moreira, e a vontade de explorar ganha. Já tinha acontecido nos originais anteriores desta coleção, O Primeiro Dia e O Sr. Gato Mágico, ambos sem texto, e volta a acontecer neste Nuvens sobre nossas cabeças, areia sob nossos pés. Com deslumbramento, frases breves e ilustrações a preto e branco que num minuto oferecem panorâmicas da praia e no outro se detêm em grandes planos de conchas e outras coisas belas, o livro viaja entre a contemplação e a magia, ao melhor estilo Miyazaki, e faz sonhar com um regresso à infância, com liberdade e com dois impermeáveis na praia, num belo dia de chuva e ventania.

“Uma Volta ao Ano”
Texto e ilustrações: Mariana Ruiz Johnson
Editora: Kalandraka
Preço: 16€
Idade: +3
Uma página cheia de “espirros de muitos tipos – tímidos, húmidos, potentes” –, ilustrados com expressividade, anuncia: É PRIMAVERA. E está dado o tom deste encantador e colorido álbum da Kalandraka. É Uma Volta ao Ano na companhia de uma família de ratinhos que acaba como começa e que fala de circularidade, mas também da promessa de um ano diferente. Um livro maravilhoso sobre as estações do ano, sim, e tudo o que acontece lá fora, mas também sobre a vida e o crescimento no seio de uma família e de uma casa.

“Sete Dentes de Leão”
Texto: Ledicia Costas
Ilustrações: David Sierra
Editora: Fábula:
Preço: 13,95€
Idade: +4
Toda a gente sabe o que está no final do arco-íris, mas e no início? Sete Dentes de Leão imagina uma história para o aparecimento das sete cores no céu, e é um livro que se lê como um conto tradicional, e ao mesmo tempo uma metáfora sobre a capacidade de sonhar e a esperança. O livro começa “num tempo em que tudo era cinzento e ainda não existiam outras cores”, “no meio de uma floresta cinzenta”, com uma casa cinzenta “onde vivia uma velha cinzenta que se chamava Íris”, e vai-se colorindo com a imaginação da autora Ledicia Costas, as ilustrações de David Sierra e a perseverança de Íris, que nunca desiste de ver para além das nuvens.

“Tu bebes a água que um dinossauro bebeu”
Texto: Diana Matias e Miriam Alves
Ilustrações: Filipa Beleza
Editora: Lilliput
Preço: 15,95€
Idade: +6
São milhões e milhões de anos condensados em poucas páginas para explicar a história da água às crianças. Certamente também centenas e centenas de artigos científicos trabalhados pelas jornalistas Diana Matias e Miriam Alves e transformados em rimas desempoeiradas. Em Tu bebes a água que um dinossauro bebeu, a narradora é uma gota de água que aterrou na Terra congelada, há muito, muito tempo, e que foi testemunhando a transformação do planeta em vários estados. É uma gota cheia de graça e personalidade – ilustrada por Filipa Beleza – que vai partilhando as suas aventuras enquanto explica o ciclo sem fim que justifica o título, e a própria história da Humanidade. Um mergulho refrescante num tema tão essencial e que abre a porta para uma coleção de ciência para miúdos, já com um segundo volume prometido.

“O Passeio do Sapo”
Texto: Julia Donaldson
Ilustrações: Axel Scheffler
Editora: Jacarandá
Preço: 10,90€
Idade: +1
O sapo vai à praia com outros animais do Bosque da Bolota e são as mãos pequeninas dos leitores que têm de levantar as abas para ver o que cada um leva na mala. Vão todos juntos no comboio, e é caso para dizer que segue a todo o vapor esta coleção deliciosa dos mesmo autores de O Grufalão – aqui no oitavo volume – que ensina não só a gostar de livros e da natureza, como a valorizar a amizade e as pequenas grandes coisas da vida.

“O Rato e a Toupeira: Dias bonitos de primavera”
Texto: Henri Meunier
Ilustrações: Benjamin Chaud
Editora: Nuvem de Letras
Preço: 15,95€
Idade: +4
Ao terceiro volume da coleção O Rato e a Toupeira, a primavera chegou, e os dois amigos Faísca e Tufão podem finalmente combinar programas ao ar livre, como pintar a paisagem florida dos campos ao nascer do sol, ou passar a tarde de domingo numa grande pescaria. O clima está mais ameno, mas ambos mantêm as personalidades vincadas: um muito sensato, o outro completamente estouvado, complementam-se na medida certa. Benjamim Chaud continua a ilustrar com graça os divertidos mal-entendidos que acontecem sempre que Tufão está por perto – cego com uma toupeira, é um verdadeiro espírito livre –, e Henri Meunier a provar que “uma amizade assim é uma coisa excecional, extraordinária“, em todas as estações do ano.

“Já Não Sou Mau”
Texto: Oaula Merlán
Ilustrações: Blanca Millán
Editora: Trinta por uma Linha
Preço: 16,50€
Idade: +6
O lobo mau parece outro. Já não persegue porquinhos, está apaixonado, separa o lixo e anda com um tote bag à tiracolo a dizer “eco”. Já Não Sou Mau apresenta uma nova versão desta velha personagem dos contos de fadas, e é uma história escrita originalmente na Galiza que acaba por trazer uma verdade universal: a de que estamos sempre a tempo de mudar, ser uma melhor versão de nós próprios e causar um impacto positivo à nossa volta.

“Quem Roubou a Primavera?”
Texto: Orianne Lallemand
Ilustrações: Hervé Le Goff
Editora: Jacarandá
Preço: 12,90€
Idade: +3
Este ano temos um comboio de tempestades para responder à pergunta do título – Quem Roubou a Primavera? –, mas deixemos a Violeta investigar. Rodeada de um manto de neve, a protagonista da história decide partir na sua bicicleta para tentar perceber o que explica um inverno sem fim. Na floresta, cada animal que aparece é suspeito, seguem-se acusações e defesas, e através da rima e da repetição, tenta encontrar-se o culpado. Quem sabe não foi o mesmo ladrão que mexeu no anticiclone.

“Cão Pulgão apaixona-se”
Texto: Colas Gutman
Ilustrações: Marc Boutavant
Editora: Nuvem de Letras
Preço: 13,25€
Idade: +7
Sentindo-se sozinho no caixote onde vive, e a sonhar com alguém com quem partilhar uma casota, o Cão Pulgão nem consegue acreditar quando encontra um suplemento de uma lata de feijão chamado Guia do Sedutor no meio do lixo. As lições do livro tornam-se o nome dos capítulos deste quinto volume da coleção francesa, onde o amor está no ar – e também o humor e as pulgas. Sem-Espinhas, “uma pequena cadela piolhosa, pitosga e coxa” é a personagem que entra em cena para acelerar o coração do herói mais improvável da literatura infantil. Também ela está do lado dos underdogs e incompreendidos, nesta história cheia de conselhos amorosos, sobre dois apaixonados feios bonitos.

“Pedrito Coelho – A História das Quatro Estações”
Texto e ilustrações: Frederik Warne & Co. (a partir de Beatrix Potter)
Editora: Bertrand
Preço: 12,20€
Idade: +3
Em cada inverno escuro há uma primavera à espreita, e é numa manhã de frio que começa esta nova história de Pedrito Coelho. Desanimado por não poder sair da toca e ir brincar na rua, a ternurenta personagem criada por Beatrix Potter senta-se ao colo da mãe, perto da lareira, à espera de uma história. Esperta, a mãe conta-lhe exatamente o que ele precisa de ouvir: as suas aventuras ao longo do ano que passou (e que há-de vir), numa viagem pelas quatro estações que culmina, como promete a capa, num pop-up gigante.

“O Amor Cresce Aqui”
Texto e ilustrações: Amy Adele
Editora: Jacarandá
Preço: 12,90€
Idade: +3
Num canteiro o tomate-cereja cresce em cachos, e no outro são as alfaces que estão a ficar viçosas. É um jardim harmonioso, onde a dedicação e o amor de um casal de idosos faz crescer frutas, legumes e abrigos para animais. Um ecossistema perfeito, mas frágil, que em O Amor Cresce Aqui serve para falar de resiliência, entreajuda e do poder curativo da jardinagem.

“Vento Velhaco”
Texto: Rute Cancela
Ilustrações: Carlo Giovani
Editora: Livros Horizonte
Idade: +3
O vento é personagem nesta fábula escrita e musicada por Rute Cancela, fundadora do projeto Bolinha de Música. Um Vento Velhaco, que zomba de quatro animais com defeitos bem humanos: o burro é vaidoso, a cabra é gabarola, o porco é guloso e a ovelha não se cala. Todos fazem perguntas ao vento e escutam os seus conselhos, fazendo repetir as rimas que ficam no ouvido – “Quem muito ouve o vento, / Pouco usa o pensamento” –, sobretudo depois de ouvir a canção.
