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Um membro da delegação da seleção feminina de futebol do Irão que na terça-feira aceitou um visto humanitário para viver na Austrália decidiu regressar ao país de origem. O anúncio partiu do ministro da Imigração australiano, que revelou que a mulher falou com as companheiras que estavam de regresso ao território iraniano e acabou por “mudar de ideias”.
“Na Austrália as pessoas são livres de mudar de ideias. Respeitamos o contexto no qual tomou esta decisão”, disse Tony Burke esta quarta-feira numa sessão no parlamento, segundo noticiou a BBC. O governante sublinhou que a sua comitiva garantiu que “essa era a decisão dela”.
https://observador.pt/2026/03/11/mais-dois-membros-da-selecao-feminina-de-futebol-do-irao-pedem-asilo-na-australia/
O ministro acrescentou que a mulher foi aconselhada pelas companheiras e pelo treinador a contactar a embaixada do Irão para que a fossem buscar. Isto acabou por pôr em risco as jogadoras que aceitaram o visto humanitário, já que as autoridades iranianas ficaram a saber o local onde estavam hospedadas. “De imediato dei instruções para que as pessoas fossem realocadas e isso foi resolvido prontamente”, garantiu Burke.
A seleção iraniana ganhou destaque durante um jogo contra a Coreia do Sul na Taça Asiática, torneio que está a decorrer na Austrália, porque no momento em que se escutava o hino do Irão as jogadoras recusaram cantar. A equipa não explicou publicamente o gesto e nos jogos seguintes cantou o hino. Mas o episódio não foi esquecido e gerou preocupação pela segurança da delegação iraniana face a uma eventual retaliação das autoridades iranianas. O próprio presidente norte-americano, Donald Trump, interveio, afirmando que a Austrália devia conceder asilo às atletas.
https://www.youtube.com/watch?v=-VevT_fORYE
O Governo australiano acabou mesmo por oferecer à seleção iraniana a possibilidade de ficar na Austrália com um visto humanitário. Numa primeira fase, cinco jogadoras aceitaram. Mais tarde outros dois elementos — uma jogadora e um membro da equipa da apoio — decidiram aceitar também. Foi uma das duas que acabou depois por mudar de ideias. Por motivos de segurança, as autoridades não divulgaram qual delas nem o nome.
https://twitter.com/Tony_Burke/status/2031495963177841039?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E2031495963177841039%7Ctwgr%5E0fb90385ec85b76c9b7032159a288b890f7eae56%7Ctwcon%5Es1_&ref_url=https%3A%2F%2Fwww.aljazeera.com%2Fsports%2F2026%2F3%2F11%2Faustralia-grants-asylum-to-2-more-members-of-iranian-womens-football-team
O resto da delegação iraniana partiu de Sydney ainda na terça-feira à noite e chegou à Malásia na quarta-feira de manhã. O ministro da Imigração garantiu que todas tiveram direito a escolher entre voltar ou permanecer na Austrália. “Nós garantimos que não foram apressadas, que não houve pressão”, assegurou.