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(A) :: Governo deixou cair alargamento de serviços mínimos obrigatórios às escolas nas negociações do pacote laboral

Governo deixou cair alargamento de serviços mínimos obrigatórios às escolas nas negociações do pacote laboral

Quando apresentou o pacote laboral, Governo não esclareceu a que estabelecimentos se aplicariam serviços mínimos obrigatórios propostos para o "cuidado de crianças". Cedeu neste ponto nas negociações.

Marina Ferreira
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O secretário-geral adjunto da UGT, Sérgio Monte, revelou esta quarta-feira ao Observador que dentro das negociações do pacote laboral, o Governo já “evoluiu na sua posição” em relação a adicionar as escolas à lista de atividades que satisfazem necessidades sociais impreteríveis e que por isso são obrigadas a prestar serviços mínimos em dias de greve, deixando cair esta proposta.

O Governo também admite que “a segurança privada e o abastecimento de água e alimentar“, as outras duas atividades que seriam adicionadas à lista de acordo com o anteprojeto, não venham a ser incluídas nas alterações. Ou seja, o Governo mantém apenas a proposta de impor serviços mínimos obrigatórios aos “serviços de cuidados a idosos, doentes e pessoas com deficiência”, abdicando da parte da proposta que se aplicava aos “cuidados a crianças”.

Em julho, quando a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social apresentou o anteprojeto de lei da reforma da legislação laboral — Trabalho XXI — o Governo não esclareceu se este setor de atividade abrange escolas básicas e secundárias, dizendo apenas que o tipo de atividade a que a proposta se aplicava não estava definido. Questionada pelo Observador esta quarta-feira, fonte oficial do ministério recusa comentar matérias que ainda estão a ser negociadas.

Maria do Rosário Palma Ramalho, UGT e as confederações patronais voltam a sentar-se à mesa na próxima segunda-feira, às 15h00.

A lista atual de serviços indispensáveis em que se prevê que sejam prestados serviços mínimos obrigatórios inclui os correios e telecomunicações, serviços médicos, hospitalares e medicamentosos, salubridade pública, incluindo a realização de funerais, serviços de energia e minas, incluindo o abastecimento de combustíveis, bombeiros, serviços de atendimento ao público que assegurem necessidades essenciais cuja prestação incumba ao Estado, bem como os transportes e a segurança de valores monetários.

A discursar nas jornadas parlamentares do PSD, Luís Montenegro referiu esta quarta-feira a necessidade de uma “regulação mais efetiva” dos serviços mínimos quando há greve para que não se coloque em causa o “direito ao trabalho”. No anteprojeto da reforma laboral, o Governo propõe que se alargue a lista de atividades que se destinam à satisfação de necessidades sociais impreteríveis e que ficam, por isso, obrigadas à prestação de serviços mínimos indispensáveis à satisfação daquelas necessidades.

Sérgio Monte garante que a questão nunca “gerou problemas” à UGT “uma vez que há quase sempre serviços mínimos nestas áreas”. Garante, assim, que a objeção da central sindical vai no sentido de tornar obrigatória esta prestação em dias de greve a mais setores do que aqueles que estão abrangidos atualmente. “Os tribunais arbitrais é que definem os serviços mínimos caso a caso, porque as greves não são todas iguais”, defende o dirigente sindical, dizendo que se deve confiar neste órgão judicial que funciona no âmbito do Conselho Económico Social (CES).

O secretário-geral adjunto da UGT respondeu também a Luís Montenegro, que esta quarta-feira afirmou que “a maioria dos trabalhadores” terá interesse no banco de horas individual, que o Governo pretende reintroduzir através da reforma laboral. “Não somos contra o banco de horas de forma geral“, garante Sérgio Monte.

“A UGT fez uma proposta e disse que mantinha a eliminação do banco de horas individual, mas que estava disponível para atenuar os critérios para a aplicação do banco de horas grupal, que exige referendo junto dos trabalhadores — atualmente é preciso que 75% dos trabalhadores digam que sim — e nós estávamos disponíveis a baixar essa margem”, esclarece.