Mais dois agentes da PSP garantiram nesta quarta-feira em tribunal terem visto uma faca junto ao corpo de Odair Moniz, morto por um polícia na Amadora em 2024, acrescentando que, na altura, não o comentaram com ninguém.
“O importante ali era tentar salvar uma vida. Penso que estar a fazer comentários sobre algo que lá estivesse não ia ajudar minimamente à situação”, disse André Silva, que chegou ao bairro da Cova da Moura depois de Bruno Pinto, a ser julgado por homicídio, ter baleado duas vezes o cidadão cabo-verdiano.
O agente precisou que a faca estava perto da mão esquerda de Odair Moniz e tinha um punho preto, mas não conseguiu especificar de que tamanho era a arma nem como era a lâmina.
Uma outra agente que se deslocou com André Silva ao bairro da Cova da Moura corroborou a versão do colega, sem no entanto dar a certeza de que o objeto cortante que viu corresponde a um outro que foi apreendido no processo, com cuja fotografia foi nesta quarta-feira confrontada.
Noémia Almeida testemunhou igualmente não se lembrar de ter comentado com alguém que vira a faca, uma vez que havia um outro polícia responsável pela gestão do local do crime e nenhum morador pegaria na arma com tantos elementos da PSP ali presentes.
Na primeira sessão do julgamento, em 22 de outubro, Bruno Pinto, de 28 anos, insistiu que acreditou que o cidadão de 43 anos o estava a ameaçar com uma faca quando disparou.
Desde então, as testemunhas, incluindo polícias e moradores, têm apresentado versões divergentes quanto à posse e empunhamento da arma.
Odair Moniz, residente no Bairro do Zambujal (Amadora), foi baleado mortalmente pelo agente da PSP em 21 de outubro de 2024, depois de ter tentado fugir e resistido a ser detido na sequência de uma infração rodoviária.
No despacho de acusação do Ministério Público, não é referida qualquer ameaça com faca.
O julgamento prossegue em 25 de março de 2026, no Tribunal Central Criminal de Sintra.
Bruno Pinto está em liberdade, suspenso de funções, e incorre numa pena de oito a 16 anos de prisão.