A Mota-Engil contesta a ideia de que as empresas de construção portuguesas não terão capacidade para endereçar o plano de investimentos nacional de 60 mil milhões de euros. “Estão absolutamente errados”, declarou o presidente da empresa, Carlos Mota Santos, em declarações à comunicação social à margem da conferência com investidores na qual apresentou o plano estratégico para os próximos 5 anos.
“A capacidade vem quando os projetos existem. Ou seja, em Portugal não há falta de capacidade, mas de previsibilidade. Ninguém investe, ninguém instala em capacidade para o desconhecido. Não fazemos alocação de capital e de investimentos, e consequentemente de capacidade, para o desconhecido. Em Portugal preocupemo-nos em ter previsibilidade porque a capacidade, essa, aparece”, garante.
Em dezembro, o secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, tinha afirmado que o mercado da construção em Portugal precisava de uma mudança, face aos 60 mil milhões de investimentos previstos, salientando a necessidade de haver empresas de construção maiores “e capazes de abraçar obras com mais risco. É preciso ter capacidade e balanço”, e por isso dizia ser necessário trazer empresas estrangeiras para parcerias que possam avançar nos projetos.
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Mas Carlos Mota Santos tem outra visão. “Nós construímos nos últimos 5 anos dez vezes os quilómetros da alta velocidade. Dez vezes. E não foi entre o Porto e Lisboa, foi em Kano–Maradi (Nigéria), ou no Tren Maya (México), ou no corredor do Lobito (Angola), ou em Nacala (Moçambique), ou sítios bem mais complicados”.
O gestor e empresário acredita que o Governo e o ministro das Infraestruturas sabem da capacidade que existe no setor e “da capacidade que o setor tem de mobilizar no sentido de ter mais capacidade. Ainda agora recentemente, e não quero estar a centrar na Mota-Engil, mas muito recentemente havia um problema gravíssimo que era o da A1 que ia ficar fechada não sei quantos meses…. Quanto tempo é que ficou fechada? Menos de duas semanas. E quem é que foi lá? Foram os espanhóis? É que não vi nenhuma empresa espanhola nem lá, nem em Leiria. Só vi empresas portuguesas a fazer reparações. Os espanhóis não foram lá”.
“A Brisa contratou a Mota-Engil… Queria resolver o problema ou queria andar a entreter? Em Leiria, que eu estive lá, nós participamos e uma série de outras empresas, eu não ouvi falar espanhol. Não ouvi. Por isso, a capacidade instala-se mediante a previsibilidade”, atira. Essa previsibilidade é o que conduz os negócios. Aliás, sobre o primeiro troço da alta velocidade que a Mota-Engil ganhou o concurso, Carlos Mota Santos assume que vai cumprir prazos. Vai ser submetido o Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução (RECAPE) em breve, com a estação de Gaia em Santo Ovídio. “Eu não vou falar mais da estação”, afirma o gestor, depois da polémica em torno da sua localização. Mas acredita que tal não irá atrasar o projeto. “E vamos para a frente”.
Aliás, em relação a Espanha o empresário também deixa o recado. O seu projeto de crescimento passa por expandir na Europa porque “Portugal tem o desafio de crescer fora de Portugal” e “a expansão natural é Espanha”. Mas, acrescenta, “todos sabemos os problemas que existem em Espanha”, que não tem sido terreno fácil para a conquista de mercado por parte das construtoras portuguesas. “Se calhar, está na hora desses problemas deixarem de existir. Se nós não conseguirmos ter sucesso em Espanha nos próximos ciclos, desculpem, mas isto é a prova provada de não haver reciprocidade. Por isso, agora vamos fazer novamente o teste, sobre se há reciprocidade ou se não há reciprocidade”, diz esperando conseguir obra em Espanha.
https://observador.pt/2026/03/11/mota-engil-traca-como-meta-atingir-os-nove-mil-milhoes-em-negocios-em-2030-estamos-preparados-para-o-proximo-ciclo/
A Mota-Engil apresentou esta quarta-feira, 11 de março, o seu plano estratégico até 2030, no qual aponta para uma meta de receitas de 9 mil milhões de euros nesse ano, com os lucros a atingirem 4% desse valor — 360 milhões de euros. A Mota-Engil mostrou o seu projeto que vai muito além da construção, estando em crescimento nas áreas de mineração, energia, ambiente e até na “nova e sexy” (como apelidou Carlos Mota Santos) área de recuperação da natureza.