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(A) :: Hacker acedeu a ficheiros do FBI sobre Epstein. Autoridades investigam "incidente cibernético isolado"

Hacker acedeu a ficheiros do FBI sobre Epstein. Autoridades investigam "incidente cibernético isolado"

Em fevereiro de 2023, uma falha num servidor na sede de Nova Iorque expôs documentos do caso Epstein. FBI classificou episódio como "incidente cibernético isolado" e garante ter bloqueado o acesso.

Manuel Nobre Monteiro
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Um hacker acedeu aos ficheiros relacionados com a investigação do FBI ao empresário Jeffrey Epstein após uma falha na rede dos serviços secretos. De acordo com o The Guardian, que cita uma fonte familiarizada com o processo, o episódio terá ocorrido em fevereiro de 2023, altura em que se verificou uma intrusão informática no escritório de Nova Iorque.

O episódio foi considerado pelo FBI como um “incidente cibernético isolado”. Em comunicado citado pelo mesmo jornal, a agência afirmou que conseguiu bloquear o acesso do hacker e corrigir a falha na rede, acrescentando que “a investigação continua em curso”.

O ataque, segundo explica o FBI, aconteceu num servidor do laboratório forense especializado em exploração infantil do escritório de Nova Iorque. O sistema terá ficado vulnerável após um erro de configuração feito por Aaron Spivack, um agente especial que tentava aceder aos ficheiros para o tratamento de provas digitais.

Uma investigação posterior detetou atividades invulgares no servidor, relacionadas com a tentativa de aceder aos ficheiros ligados à investigação Epstein. Os documentos não especificam, porém, que ficheiros foram acedidos e descarregados pelo hacker.

A mesma fonte contou ao The Guardian que o hacker não terá percebido que tinha entrado num servidor dos serviços secretos norte-americanos. ao encontrar as imagens de abuso sexual no sistema, terá deixado uma mensagem a demonstrar repulsa e a ameaçar denunciar o dono do computador ao próprio FBI.

A identidade do hacker não foi revelada, assim como de que país estava a operar e o que fez com os dados, adiantou a mesma fonte.

Jeffrey Epstein declarou-se culpado de crimes de prostituição em 2008. Em 2019 foi novamente detido por acusações federais de tráfico sexual de menores e acabou por morrer na prisão nesse mesmo ano, tendo a sua morte sido classificada oficialmente como suicídio.

Muitos dos documentos do Departamento de Justiça relacionados com o caso continuam parcialmente censurados ou mantidos em segredo, apesar de uma lei aprovada no ano passado exigir a sua divulgação. As autoridades afirmam que parte do material continua oculto para proteger a identidade das vítimas e não comprometer as investigações ainda em curso.

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Os ficheiros Epstein expõem uma teia de contactos, favores e relações próximas entre o milionário e políticos, diplomatas, empresários, académicos e até membros da realeza. As revelações desencadearam detenções, demissões, afastamentos e pedidos públicos de desculpas.