(c) 2023 am|dev

(A) :: Agência Internacional de Energia liberta 400 milhões de barris de petróleo, Portugal contribui com dois milhões das suas reservas

Agência Internacional de Energia liberta 400 milhões de barris de petróleo, Portugal contribui com dois milhões das suas reservas

A Agência Internacional de Energia anunciou que vai libertar 400 milhões de barris de petróleo, a maior quantidade de reservas de segurança de sempre. Portugal contribui com dois milhões.

Ana Suspiro
text
Agência Lusa
text

Portugal vai libertar cerca de dois milhões de barris de petróleo das suas reservas estratégicas, o que equivale a 10% do armazenado, avançou esta quarta-feira o primeiro-ministro.

“Vamos disponibilizar também uma parte, em principio 10%, das nossas reservas estratégicas para poder haver maior oferta e maior contenção nos preços dos combustíveis. Estamos alinhados com o que está a acontecer também no âmbito da União Europeia e de outros países”, disse Luís Montenegro à margem das jornadas parlamentares do PSD em declarações transmitidas pela SIC Notícias.

A medida surge na sequência do anúncio da Agência Internacional de Energia, da qual Portugal faz parte, de que vai libertar a maior quantidade de reservas de segurança de sempre, no valor de 400 milhões de barris de petróleo, para compensar a produção perdida com o fecho do Estreito de Ormuz.

Já ao final da tarde desta quarta-feira a ministra do Ambiente e da Energia adiantou que ainda não está definido quando é que Portugal vai disponibilizar essas reservas. “A Agência Internacional de Energia (AIE) achou que deveríamos estar preparados para reagir se o preço aumentar muito. Portanto, (…) nós aderimos por solidariedade, mas ainda não está decidido [quando será disponibilizado]. Estamos a coordenar a nível europeu se vamos mesmo libertar agora. Pode não ser agora, pode ser mais tarde (…) depende da evolução dos preços”, disse Maria da Graça Carvalho.

Questionada se não foi estabelecido um “teto máximo” dos valores que os combustíveis devem atingir para que sejam disponibilizadas as reservas portuguesas, a ministra reiterou que ainda não foi definido um limite e que é necessário que os países europeus libertem as reservas em conjunto.

“Não fizemos um teto, não fizemos um valor. Vamos coordenar entre nós qual é que é a altura ideal. Claro que terá sempre a ver com o valor do petróleo, mas não definimos um teto”, explicou, indicando de que os países da OCDE ainda têm “alguma esperança que esta guerra se resolva no período de três ou quatro semanas”.

O anúncio sobre a libertação das reservas foi feito pelo diretor executivo da IEA, Fatih Birol numa declaração feita ao início da tarde de quarta-feira. A decisão foi aprovada por unanimidade dos 32 membros e segue-se a várias reuniões realizadas com governos de países produtores e consumidores.

Esta medida é uma resposta ao impacto imediato do conflito, mas o diretor executivo avisa que “para repor os fluxos estáveis de petróleo e gás natural é preciso restabelecer a navegação marítima no Estreito de Ormuz”.

Os barris que vão ser libertados para responder à procura do mercado mundial correspondem a um terço das reservas de segurança constituídas pelos países membros da Agência, entre os quais está Portugal. Os 400 milhões de barris equivalem a quatro dias de consumo mundial e a 20 de dias dos produtos que são transportado em condições normais via Estreito de Ormuz.

Estes stocks de emergência vão ser disponibilizados no mercado num quadro temporal que seja apropriado às circunstâncias de cada país e serão complementadas com medidas adicionais de emergência por parte de alguns países. As reservas a libertar representam cerca de um terço das 1,2 mil milhões de barris que compõem os stocks de emergência dos membros da Agência Internacional de Energia.

Oferta mundial caiu 20%. Gasóleo e jet são os produtos mais afetados

Segundo a IEA, a oferta mundial de petróleo, gás e produtos petrolíferos caiu 20% desde a semana passada. A Ásia é a região mais afetada, mas os países asiáticos estão a competir com a Europa para conseguir cargas.

Passavam pelo Estreito de Ormuz, 15 milhões de barris por dia e 5 milhões de produtos petrolíferos, o que representa cerca de 25% de todo o negócio feito por via marítima destes produtos. Agora, “os fluxos pararam todos” e há poucas opções para substituir essa oferta, avisou o diretor executivo da Agência Internacional de Energia. Sem rotas e sem armazenagem disponível, os países produtores estão a interromper a produção, além de que estamos a ver ataques a navios e a infraestruturas de energia, incluindo refinarias, com grandes implicações no fornecimento e preço em particular do jet usado na aviação e do gasóleo.

https://observador.pt/liveblogs/novo-lider-supremo-do-irao-ficou-ferido-nos-ataques-iniciais-contra-teerao-mas-esta-sao-e-salvo/

O anúncio da maior libertação de reservas de sempre, e a sexta desde a primeira Guerra do Golfo em 1991, não travou a valorização do petróleo que se manteve firme acima dos 90 dólares por barril. O efeito no mercado já tinha sido absorvido na segunda-feira passada quando a revelação desta intenção ajudou a contrariar o pico de 119 dólares por barril. Os analistas consideram que esta medida será insuficiente, dado o aumento de ataques a navios que se atrevem a navegar no Estreito de Ormuz. O Irão ameaçou levar o preço do petróleo aos 200 dólares por barril.

(Notícia atualizada com declarações de Maria da Graça Carvalho)