A madrugada de quarta-feira voltou a ser histórica na NBA. Depois de Shai Gilgeous-Alexander ter igualado o registo de Wilt Chamberlain ao chegar ao 126.º jogo seguido da fase regular com 20 ou mais pontos, o Campeonato norte-americano de basquetebol viveu mais um momento memorável. No Kaseya Center, em Miami, os Miami Heat receberam os Washington Wizards em mais uma ronda da fase regular da NBA. O jogo acabou por ser dominado pela formação da casa, que venceu todos os quartos e fixou a vitória num favorável 150-129. Contudo, o grande destaque da noite foi Bam Adebayo, poste norte-americano de 28 anos que até nem se tem destacado por ser um jogador exuberante ao nível da pontuação.
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Bam Bam, como é conhecido, terminou a noite com 83 pontos nos 43 minutos em que esteve em campo, acrescentando ainda três assistências, oito ressaltos defensivos e um ofensivo, e dois roubos de bola. Para além disso, Adebayo encestou 36 dos seus 43 lances livres, 20 dos 42 lançamentos de dois pontos e sete dos 22 tiros exteriores que tentou. Desta forma, o camisola 13 superou Kobe Bryant (81 pontos) e tornou-se no jogador da história da NBA com mais pontos numa só partida. À sua frente está apenas Wilt Chamberlain que, em março de 192, fez 100 pontos na vitória dos Philadelphia Warrios diante dos New York Knicks (169-147). Noutro capítulo, os 36 lances livres eficazes e os 43 no total da partida perfilam-se como dois recordes na liga norte-americana.
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Bam Adebayo anotou 31 pontos no primeiro quarto, 12 no segundo, 19 no terceiro e 21 no último período, tendo deixado o jogo a 1.08 minutos do fim, com o público a gritar “MVP, MVP, MVP”. O poste duplicou o seu anterior recorde, que se cifrava nos 41 pontos e datava de 23 de janeiro de 2021. Por outro lado, a sua melhor pontuação na presente temporada estava nos 32 pontos. Erik Spoelstra, treinador do Heats, apelidou esta de uma “noite absolutamente surrealista”. “Graças a Deus, à minha família, aos meus companheiros e a estes adeptos. São como a minha segunda família e não o podia fazer sem eles. Obrigado ao mister por desenhar as jogadas para mim. Wilt, eu e logo a seguir Kobe. Parece uma loucura”, explicou Adebayo, que deixou o jogo em lágrimas e abraçado à mãe.
“Para mim tratava-se simplesmente de manter a calma, manter a concentração e compreender que podia aspirar a algo especial. Não pensei que fossem 83 pontos. Mas viver este momento é surreal, porque, como disse, poder fazê-lo em casa, à frente da minha mãe, diante do meu povo e diante dos adeptos, é uma marca na história que será lembrada para sempre”, acrescentou o poste, que viu o “rival” LeBron James comemorar o seu feito nas redes sociais: “Bam Bam Bam”, escreveu o King. Já Kevin Durant disse que o registo “é uma loucura”. “Requer muita resistência. É preciso muita energia para entrar, acertar esses lançamentos e ainda marcar pontos, estabelecer um recorde e ultrapassar Kobe Bryant como o segundo jogador com mais pontos na história do basquetebol. Caramba! Parabéns! É uma conquista enorme, algo de que falaremos eternamente”, assumiu o jogador dos Houston Rockets.
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Apesar do registo memorável e histórico, o treinador dos Wizards criticou a arbitragem, ao mesmo tempo que os jogadores dos Heat deixaram bastante claro que queriam que o seu companheiro recebesse a bola na linha de tiros livres. Por outro lado, os adversários tentavam cometer faltas sobre outros jogadores, de modo a tentarem travar Bam Bam. “Há que reconhecer o seu mérito. Obviamente que o mantiveram no jogo e houve muitas faltas, com 16 lances livres no último quarto. Tentei tirar-lhe a bola, mas mesmo assim ele conseguiu alguns lances livres a 12 metros do cesto. Não consigo explicar algumas dessas faltas. É tudo o que tenho a dizer”, assumiu Brian Keefe, treinador da franquia de Washington.
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A nova estrela da NBA cresceu num parque de caravanas na Carolina do Sul e, cerca de duas décadas depois, foi contemplado com um contrato milionário de cinco temporadas e 195 milhões de dólares (cerca de 168 milhões de euros) por parte dos Miami Heat, que ajudou a colocar nas finais da NBA em 2020 e 2023, ambas perdidas para Los Angeles Lakers (2-4) e Denver Nuggets (1-4), respetivamente. Apesar de ter chegado ao ponto mais alto do basquetebol mundial em pouco tempo, Adebayo não se esquece das suas origens. “Acre Station…76 Church Lane… A minha casa imperfeita/perfeita. O caravana verde que me fez ser quem eu sou. As noites sem dormir, as noites em que dormi bem apesar de toda a dor e dificuldades, bem como todos os grandes momentos que tivemos. OBRIGADO”, escreveu na rede social X em 2020.
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Foi naquele local que Bam Bam foi criado por uma mãe solteira, já que o seu pai abandonou a família quando Edrice Fami — os dois primeiros nomes do jogador que ganhou a alcunha de Bam através da mãe, quando tinha apenas um ano e assistia ao desenho animado Os Flintstones, imitando a personagem Bamm-Bamm Rubble — nasceu. Com o exemplo da progenitora bem presente na sua vida, Adebayor nunca descurou o trabalho, começando desde cede a trabalhar arduamente para cumprir o sonho de ser basquetebolista. Passou muitas horas no ginásio, trabalhou sozinho a sua coordenação, desenvolveu o seu corpo e aperfeiçoou a técnica com o objetivo maior em vista.
Depois de se destacar no basquetebol escolar, Bam Adebayo captou a atenção de John Calipari e foi integrado na sua equipa, nos universitários Kentucky Wildcast. Os seus números (médias de 13 pontos, oito ressaltos e 1,5 bloqueios por jogo) fizeram com que, uma temporada depois, chegasse ao draft da NBA, entrando nos Miami Heat como 14.ª escolha, depois de ter convencido os responsáveis da franquia nos treinos de captação. Inicialmente não passou de suplente até Spoelstra lhe dar uma oportunidade, a meio da sua primeira temporada. Esse voto de confiança acabou por dar frutos, já que Bam Bam transformou-se num dos jogadores mais bem pagos e numa referência da NBA. O poste namora com a basquetebolista A’ja Wilson, estrela das Las Vegas Aces, que foi eleita a melhor jogadora da WNBA em quatro ocasiões: 2020, 2022, 2024 e 2025.
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