Foi o dia “mais intenso” nos bombardeamentos no Irão até agora, anunciou esta terça-feira o secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth. Os Estados Unidos da América (EUA) e Israel voltaram a atacar infraestruturas militares em solo iraniano e Teerão acusa os dois rivais de terem destruído áreas residenciais, causando a morte de pelo menos cinco mortos.
Os países do Golfo voltaram a intercetar mísseis e drones esta terça-feira. A Arábia Saudita avançou que um drone caiu perto de uma zona residencial, mas ninguém ficou ferido — apenas causou danos materiais.
O conflito teve um novo foco esta terça-feira: o Estreito de Ormuz. O Irão começou a colocar minas naquele ponto geográfico vital para as cadeias de abastecimento de petróleo. O líder norte-americano, Donald Trump, já ameaçou Teerão com “morte, fúria e fogo” se o regime iraniano avançar com o bloqueio total do Estreito de Ormuz. Como parte desse esforço, os Estados Unidos destruíram 16 embarcações.
Diplomaticamente, o dia ficou marcado pela informação de que o Presidente russo, Vladimir Putin, terá negado ao homólogo norte-americano, estar a providenciar informações confidenciais ao Irão, o seu principal aliado no Médio Oriente. Numa conversa telefónica com Donald Trump, o chefe de Estado negou os relatos avançados pela imprensa norte-americana de que Moscovo estaria a ajudar Teerão a atacar bases norte-americanas em países como o Qatar ou os Emirados Árabes Unidos. Por sua vez, a Ucrânia enviou especialistas em drones para os países do Golfo Pérsico.
Pode recordar os acontecimentos de segunda-feira aqui.
Estes foram os desenvolvimentos na guerra no Médio Oriente ao longo desta terça-feira, dia 10 de março:
No Irão
- No total, as Forças de Defesa de Israel (IDF) contabilizaram cerca de 170 ataques contra alvos militares em cidades como Teerão, Isfahan e Shiraz.
- Um ataque aéreo israelita destruiu um lançador de mísseis subterrâneo em Shiraz. As Forças de Defesa Israel atacaram ainda várias bases militares, incluindo aquelas em que se desenvolvem radares e peças para os mísseis Hawk em Ghani Abad, um subúrbio no sul de Teerão.
- Israel e Estados Unidos atacaram instalações petrolíferas em redor de Teerão, que cobriram a capital com fumo espesso durante a madrugada desta terça-feira.
- Um ataque israelo-americano danificou património cultural e histórico iraniano em Esfahan.
- Laboratórios onde o Irão desenvolvia o seu programa nuclear também terão sido atacados por Telavive, avançou o Canal 12 israelita.
- Ataques aéreos israelo-americanos atingiram áreas residenciais em Arak e noutros bairros de Teerão, com as autoridades iranianas a dar conta de dezenas de mortos, incluindo crianças, e centenas de feridos.
- As sedes e locais que albergam as forças de segurança foram alvo de ataques israelo-americanos a instalações em várias províncias iranianas.
- Pete Hegseth, secretário de Defesa norte-americano, destacou que esta terça-feira foi o “dia mais intenso de ataques contra o Irão”. O responsável dos EUA voltou a afirmar que a ofensiva vai continuar “até o inimigo ser derrotado”.
- O Irão começou a colocar minas no Estreito de Ormuz, sendo que os Estados Unidos indicaram que destruíram 16 embarcações iranianas que tinham essa finalidade.
- As autoridades iranianas divulgaram que mais de 15 mil pessoas ficaram feridas desde o início da ofensiva. O número de mortos está entre os 1.200 e os 1.300.
- O Irão confirmou a morte do líder das Basij (uma milícia paramilitar integrada na Guarda Revolucionária que tem como objetivo assegurar a segurança interna) do Estado-Maior das Forças Armadas do Irão, Asadollah Badfar. Israel já tinha adiantado que tinha morrido, mas Teerão confirmou agora a informação.
- Além de Asadollah Badfar, o Irão confirmou a morte de mais altos dirigentes da Guarda Revolucionária ou ligados à indústria de armamento. No total, Teerão confirmou a morte de oito militares e anunciou a organização de funerais de Estado.
- O regime iraniano levou a cabo várias detenções esta terça-feira a membros da oposição acusados de partilhar informações confidenciais com os Estados Unidos e Israel. 30 pessoas foram acusadas de “espionagem”.
- O chefe da polícia iraniana, Ahmad-Reza Radan, avisou os dissidentes e opositores que os manifestantes contra o regime que decidam convocar protestos serão vistos “como um inimigo”: “Faremos tudo o que fazemos a um inimigo. Vamos lidar com eles da mesma forma que lidamos com um inimigo. As nossas forças estão prontas com os dedos no gatilho, pronto para defender a revolução”.
- Estas declarações surgiram após o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ter escrito nas redes sociais que a população iraniana “tem a oportunidade de uma vida para remover o regime dos aiatolas e ganhar liberdade”. “Estamos a atacar os tiranos de Teerão com mais intensidade do que nunca.”
- O líder do Conselho de Segurança iraniano, Ali Larijani, respondeu às ameaças de Donald Trump, aconselhando-o a ter “cuidado” para “não ser eliminado também”. “A nação sacrificial do Irão não teme as suas ameaças vazias. Nem mesmo aqueles maiores que Trump conseguiram eliminar o Irão.”
- O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, sinalizou que o Irão continuaria os combates até quando fosse necessário, duvidando das palavras de Donald Trump de que o conflito terminaria “em breve”.
- Em Teerão, milhares de pessoas saíram às ruas para comemorar a eleição do novo Líder Supremo, Mojtaba Khamenei.
Em Israel e no Líbano
- A Guarda Revolucionária disse ter atacado Tel Aviv no final da noite desta terça-feira. Os mísseis foram intercetados pela defesa aérea israelita.
- O Irão disse ter levado a cabo um ataque com drones que atingiu as refinarias de gás e petróleo israelitas em Haifa.
- Israel insistiu na ofensiva aérea contra infraestruturas militares do Hezbollah no sul do Líbano, no sul de Beirute e no vale do Bekaa. As Forças de Defesa israelitas referiram que os ataques visaram depósitos de armas, centros de comando e infraestrutura de lançamento de rockets.
- As Forças de Defesa de Israel emitiram uma ordem de evacuações em locais no sul do Líbano, avisando que os “ataques aéreos vão continuar com grande intensidade” na região.
- O número de mortos nos ataques israelitas contra o Líbano superou os 486. Há também registo de cerca de 700 mil deslocados internos por conta da ofensiva israelita.
- O Hezbollah reivindicou 29 ataques contra forças e posições israelitas no norte e sul do país, registando-se um aumento face aos últimos dias. O grupo xiita disse ter atacado locais onde Israel lançaria rockets perto da fronteira entre os dois países.
- O Hezbollah continuou a ofensiva terrestre em curso contra as posições e tropas israelitas que ocuparam no sul do Líbano. Ao mesmo tempo, Israel está a tentar expandir a área que controla no país vizinho.
- No Líbano, o comandante das Forças Armadas libanesas, Rodolphe Haykal, recusou-se a cumprir a decisão do Governo do país, que previa a proibição da atividade militar do Hezbollah.
No Golfo
- No Qatar, ouviram-se várias explosões durante a madrugada. O Ministério da Defesa do país veio confirmar depois que foi um ataque iraniano com recurso a mísseis, que foram intercetados.
- Na Arábia Saudita, o Ministério da Defesa indicou que foi intercetado um drone no deserto de Rub al-Khali que visava atacar o campo petrolífero de Shaybah.
- As autoridades sauditas informaram que um drone caiu numa zona residencial em Al‑Zulfi, provocando apenas danos materiais limitados. Não houve feridos nem vítimas mortais.
- A embaixada norte-americana em Riade ordenou que os trabalhadores não-essenciais e membros de famílias do corpo diplomático abandonem a Arábia Saudita.
- As autoridades dos Emirados Árabes Unidos relataram que os intercetores de mísseis e drones conseguiram frustrar vários ataques iranianos, salientando que o número de ataques diminuiu esta terça-feira.
- Ainda assim, um ataque iraniano causou um incêndio numa refinaria de petróleo emiradense — a ADNOC Ruwais, localizada em Abu Dhabi.
- No Bahrein, os ataques iranianos já feriram dezenas de pessoas. Uma criança ficou ferida na sequência de um ataque em Sitra, perto da capital Manama.
- Instalações petrolíferas e instalações industriais do Bahrein foram atacadas esta terça-feira.
- As Forças Armadas do Kuwait reportaram ter intercetado 12 drones e 14 mísseis esta terça-feira, sem nenhum ataque ter causado danos.
- O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, anunciou o envio de equipas militares ucranianas especializadas em defesa aérea e drones para o Qatar, os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita. O líder ucraniano referiu que os especialistas vão tentar ajudar os países do Golfo Pérsico a lidar com ataques de drones iranianos.
Resto do mundo
- A NATO confirmou a interceção de um míssil balístico iraniano sobre o espaço aéreo da Turquia, que convocou o embaixador iraniano para esclarecer o assunto.
- Diplomatas iranianos disseram que a China, a Rússia e França contactaram Teerão para discutir um possível cessar‑fogo.
- No Iraque, as milícias xiitas pró-Irão iraquianas atacaram alvos ligados aos EUA. Foram lançados drones contra as bases Victory e Balad, nas redondezas do principal aeroporto de Bagdade. Houve outro drone que caiu na aldeia de Ninewa, mas não explodiu.
- As milícias xiitas aliadas do Irão também levaram a cabo vários ataques aéreos contra a Região Autónoma do Curdistão, no Iraque, perto da fronteira iraniana.
- O primeiro-ministro iraquiano, Shia al-Sudani, disse ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que o “espaço aéreo, território e águas iraquianas não podem ser usados para qualquer ação militar contra os países vizinhos ou a região”.
- O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, terá negado ao homólogo norte-americano estar a providenciar informações confidenciais ao Irão, o seu principal aliado no Médio Oriente, informou o Kremlin. O líder russo e Donald Trump tiveram uma chamada telefónica na segunda-feira.
- A Austrália confirmou a emissão de vistos a sete membros (mais dois do que fora anunciado no dia anterior) da seleção iraniana de futebol, que estavam em risco de sofrer represálias por se terem recusado a cantar o hino num jogo da Taça Asiática.
- O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, mostrou-se apreensivo por considerar que os Estados Unidos e Israel não “têm um plano comum” para como acabar com a guerra no Irão.