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Guerra no Irão "carece de legitimidade e legalidade", diz o Ministro dos Negócios Estrangeiros chinês

Ministro dos Negócios Estrangeiros chinês indica que "requisito fundamental para evitar que a situação se deteriore ainda mais é que os Estados Unidos e Israel ponham fim às suas operações militares".

Agência Lusa
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O chefe da diplomacia da China, Wang Yi, afirmou esta terça-feira que as origens do conflito no Médio Oriente “carecem tanto de legitimidade como de legalidade” e que “a sua continuação só resultará em mais baixas desnecessárias”.

Durante uma conversa telefónica com o homólogo paquistanês, Mohammad Ishaq Dar, Wang indicou que o “requisito fundamental para evitar que a situação se deteriore ainda mais é que os Estados Unidos e Israel ponham fim às suas operações militares”, de acordo com um comunicado publicado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

O diplomata chinês assegurou que o país “não aprova os ataques contra os Estados do Golfo” e “condena todos os atos dirigidos contra instalações civis e civis inocentes”.

Wang também se referiu aos confrontos entre o Paquistão e o Afeganistão, sobre os quais disse que “a prioridade imediata é evitar que o conflito se agrave e retornar à mesa de negociações o mais rápido possível”, face à escalada militar ao longo da chamada Linha Durand, a fronteira de facto que separa os dois países e que tem sido historicamente uma fonte de tensões entre Cabul e Islamabade.

“A China apoia firmemente os esforços antiterroristas do Paquistão e espera que este continue a envidar os seus máximos esforços para garantir a segurança e a proteção do pessoal, dos projetos e das instituições chinesas” no território paquistanês, acrescentou o ministro chinês.

Ishaq Dar “agradeceu os esforços de mediação” do país asiático no conflito, de acordo com o comunicado.

A China, principal parceiro comercial de Teerão e o maior comprador do petróleo iraniano, condenou repetidamente os ataques ao Irão por parte dos Estados Unidos e de Israel, por “violarem a soberania” do país persa.

Nos últimos dias, Wang reiterou que este é um conflito “que não deveria ter começado”.

China “não apoia a expansão do alcance dos ataques” no Médio Oriente

Wang indicou que o país “tem defendido sistematicamente os princípios e advogado pela justiça nas questões internacionais”, de acordo com um comunicado publicado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da China.

O diplomata chinês afirmou que “o uso da força contra o Irão por parte dos Estados Unidos e de Israel — sem a autorização do Conselho de Segurança — constitui uma clara violação dos propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas, bem como das normas básicas que regem as relações internacionais”.

Wang afirmou, porém, que Pequim “não apoia a expansão do alcance dos ataques e condena os ataques indiscriminados contra civis e alvos não militares”, ao mesmo tempo que pediu respeito pela “soberania, segurança e integridade territorial dos Estados árabes da região do Golfo”, que sofreram ataques por parte do Irão nas últimas semanas.

“Uma guerra prolongada não tem qualquer propósito útil e só traz prejuízos; apenas resultaria em perdas ainda maiores para todas as partes envolvidas”, acrescentou o ministro chinês, que reiterou o pedido de um cessar-fogo, tal como nas conversações nos últimos dias com outros diplomatas da região.

Bin Abdulrahman declarou que “o Qatar se vê obrigado a exercer a legítima defesa necessária, intensificando simultaneamente os esforços diplomáticos para conter a propagação e a escalada da crise”, de acordo com o comunicado.

Segundo o texto, o diplomata “manifestou a sua esperança de que a China desempenhe um papel mais proeminente na facilitação de um cessar-fogo e no fim das hostilidades”.

A China, principal parceiro comercial de Teerão e o maior comprador de petróleo iraniano, condenou repetidamente os ataques ao Irão por parte dos Estados Unidos e de Israel por “violarem a soberania” do país persa.